23.4.11

13: Inteligência Espiritual e o Ponto de Deus






"É preciso buscar o extraordinário no comum, 
buscar a existência na vida."
Jean-Luc Godard




Você já "sentiu" Deus agir em sua vida???

Não apenas um sinal, mas algo interno? Eu já! 
E abaixo seguem algumas explicações científicas a respeito: Inteligência Espiritual e uma região descoberta no cérebro conhecida como "Ponto de Deus".



Hoje tive meus altos e baixos.
Então decidi "revisitar" um dos meus temas favoritos que é o sentido da vida.
Em tantos momentos eu consegui relaxar e deixar a força chamada Deus (que para mim é uma perfeita combinação de amor e sabedoria), penetrar a minha alma.
É como se uma estrela estivesse me guiando...



Por isso, sinto muita falta quando não estou me conectando facilmente com esta energia, a qual me trás uma incrível sensação de bem estar, orientação e "segurança".



Sei que às vezes ansiamos por milagres bíblicos, ou seja, de proporções gigantescas para sentir que há uma força maior "atuando" e nos "protegendo" no mundo de hoje. 
Mas talvez Deus esteja presente tão ou mais forte do que antigamente, porém um pouco "disfarçado" nas pequenas coisas.
É assim que sinto Deus em minha vida. 
É algo pessoal, mas muito forte, belo e significativo. 



Sei que parece uma afirmação um pouco ousada eu dizer que já senti Deus agir em minha vida diversas vezes.
Para os céticos, não posso comprovar nada, pois é algo interno e só eu tenho acesso.



Gostaria de comentar mais sobre as minhas experiências num outro momento. 
Por enquanto, desejo compartilhar o que aprendi com mais um livro fabuloso que fala sobre uma região no cérebro responsável pelas experiências espirituais das pessoas e foi apelidada pelos neurocientistas de “Ponto de Deus”.



No início do século 20, o QI (QI = Quociente de Inteligência) ou seja, nossa inteligência racional ou intelectual era a medida definitiva da inteligência humana. 
Em meados da década de 90, a descoberta da Inteligência Emocional (QE = Quociente Emocional), por Daniel Goleman, mostrou que não bastava o sujeito ser um gênio para solucionar problemas lógicos se não soubesse lidar com as emoções com facilidade em todas as situações, sem perder a cabeça.



O QE (Quociente Emocional) é tão importante quanto o QI. 
O QE dá-nos empatia, compaixão, motivação e capacidade de reagir apropriadamente à dor e ao prazer, sem reagir de maneira impensada, reativa ou violenta. 



Howard Gardner, em seu livro, Multiple Intelligences argumenta que há pelo menos sete tipos de inteligência, incluindo a musical, a espacial, a esportiva, além da racional e da emocional.
Por esta razão atualmente não medimos mais a inteligência de um indivíduo pelo seu QI, uma vez que todas as pessoas tem uma ou mais inteligências bem desenvolvidas.



Porém retomando o assunto para as mais conhecidas (QI e QE); nem o QI, com todas as suas medições e cálculos, nem o QE separadamente ou combinados, são suficientes para explicar a enorme complexidade da inteligência humana nem a riqueza imensa da alma do homem e da sua imaginação. 



Em fins do século XX, um conjunto de dados científicos, mostrou-nos que há um terceiro e importantíssimo “Q”. 
A descrição total da inteligência humana pode ser finalmente completada com a discussão da Inteligência Espiritual ou abreviadamente QS = Quociente Espiritual (Spiritual Quocient), que nada tem a ver com religião.


Neurônio


Essa tese vem demonstrada por Danah Zohar física e filósofa americana juntamente com o marido, o psiquiatra Ian Marshall, no livro "A Inteligência Espiritual".



"A física começou no âmbito da experiência da vida diária. Começou com espanto e com perguntas de como e porque as coisas funcionam da forma como funcionam, com aquelas perguntas que todos nós fazemos sobre o mundo e nosso lugar dentro dele. E as respostas a essas perguntas afetam a todos igualmente, sejamos cientistas ou não." 
Danah Zohar



Mas...
O que seria a Inteligência Espiritual? 
Danah afirma "é a terceira inteligência, que coloca nossos atos e experiências num contexto mais amplo de sentido e valor, tomando-os mais efetivos. 
Ter alto quociente espiritual (QS) implica ser capaz de usar o espiritual para ter uma vida mais rica e mais cheia de sentido, adequando senso de finalidade e direção pessoal. 



O QS aumenta nossos horizontes e nos torna mais criativos. É uma inteligência que nos impulsiona. É com ela que abordamos e solucionamos problemas de sentido e valor.
O QS está ligado à necessidade humana de ter propósito na vida. É ele que usamos para desenvolver valores éticos e crenças que vão nortear nossas ações".


O QS é a fundação necessária para o funcionamento eficiente do QI  (raciocínio lógico matemático) e do QE (Emoções), ou das múltiplas inteligências.  
QS é a nossa inteligência final.



Através de nosso QS ansiamos por algo pelo qual possamos aspirar, por algo que nos leve além de nós mesmos e do momento presente, por alguma coisa que nos dê, e dê aos nossos atos, um sentido de valor. 



Toda psicologia ocidental tem por fundamento dois processos (eu e o ego). Mas nestes processos há um espaço vazio, um buraco no centro do Eu. 
Nem a razão nem as emoções podem apelar para qualquer coisa além de si mesmas. Não possuem origem comum, através da qual possam ser integradas e transformadas. 
Não possuem uma dimensão transpessoal.



A inteligência espiritual introduz um terceiro e, portanto, exige expansão da psicologia como ciência e uma compreensão mais profunda do ser humano. 
Facilita o diálogo entre razão e emoção, entre mente e corpo e fornece um centro gerador de sentido.



O grande problema na mente do homem moderno é o do sentido. 
Numerosos escritores afirmam que a falta de um sentido mais profundo na vida é a crise básica de nossa época. 
Muitas pessoas falam de um vazio. 
O “mais” que preencheria o vazio raramente tem qualquer ligação com a religião formal. 
QS não implica ser religioso.



A religião convencional é um conjunto de regras e crenças impostas de fora. 
Opera de cima para baixo, foi herdada de sacerdotes, profetas ou livros sagrados, ou absorvida através da família ou das tradições. 
O QS é uma capacidade interna, inata, do cérebro e da psique humana, extraindo seus recursos mais profundos do âmago do próprio universo.



As mudanças rápidas ocorridas no mundo ocidental nos últimos três séculos lançaram as religiões convencionais numa luta para continuar a fazer sentido para o homem. 
Hoje, teremos de usar nosso QS inato para abrir novos caminhos, descobrir novas manifestações de sentido, alguma coisa que nos toque e que possa guiar-nos a partir de dentro de nós mesmos.



A inteligência espiritual é a inteligência da alma. 
É a inteligência com a qual nos tornamos um todo íntegro. 
Um número grande demais de seres humanos leva hoje em dia uma vida de dolorosa fragmentação. 



Ansiamos pelo que o poeta T. S. Elliot denominou de “união mais profunda”, mais “comunhão”, mas poucos recursos encontramos em nosso ser limitado pelo ego ou nos símbolos ou instituições existentes em nossa cultura.  
Queremos mais...



Nossa "salvação" mais autêntica talvez esteja em servir à nossa imaginação mais profunda e ouvir as perguntas da nossa alma. Ouvir nosso íntimo nos revelar o que nos faria mais felizes e partir para esta conquista.



Uma das introvisões mais novas e profundas da ciência do século XX é que o todo pode ser maior do que a soma das partes.
Então vivenciar o espiritual significa estar em contato com um todo maior, mais profundo, mais rico, que coloca em uma nova perspectiva nossa limitada situação presente.



Implica senso de que há “alguma coisa além”, “algo mais”, que confere sentido e valor à situação em que estamos agora.
Ou como escreveu o poeta William Blake: “Se as portas da percepção fossem purificadas, tudo nos pareceria como é, infinito.”



Uma das formas de melhorar nossa inteligência espiritual é através da meditação.
Após aproximadamente 20 minutos, o meditador ingressa em um estado de consciência de que está consciente, mas também vazio de pensamento ou conteúdos específicos.
Então o cérebro “transcende o mundo físico” e pode tornar-se consciente de insights profundos particulares.



O QS confere à mente um aspecto transcendente que nos radica, no mínimo, no resto da vida desta planeta. 
O “centro” do eu está enraizado pelo menos em alguma coisa tão profunda quanto o inconsciente coletivo de Jung. 
“Não estamos sós!”


A inteligência espiritual não nos isola na esfera estreita da experiência do ego e nem mesmo na experiência da espécie humana. Há um contexto mais amplo de sentido e valor do qual podemos inserir a experiência humana.



A Inteligência espiritual está fundamentada na física quântica e nas nossas oscilações neurais e têm suas raízes em nada menos do que “Deus”.
“Deus” é o verdadeiro centro do “EU”. 
E o sentido tem origem no sentido final de toda existência.



O professor V.S. Ramachandran, diretor do Center for Brain and Cognition, na Universidade da Califórnia, em San Diego, trabalhou durante toda a vida com pacientes que natural ou artificialmente estimularam o tecido dos lobos temporais e tiveram experiências em que “viram Deus” e relataram:


Dr V.S. Ramachandran


"Há uma luz divina que ilumina todas as coisas...
Há uma verdade última que se situa inteiramente além do alcance da mente comum, que vive imersa demais na agitação diária da vida para notar a beleza e grandeza de tudo isso...
Tudo ficou claro como cristal, não havia mais a menor dúvida...
Experimentei um êxtase, em comparação com o qual tudo empalidece. Havia uma claridade, um reconhecimento do divino – nada de categorias, nada de fronteiras, apenas Unicidade com o Criador..."



Em seu livro clássico, Mysticism, F.C. Happold conta que Cristo lhe apareceu certa noite, enquanto se encontrava sozinho em seu quarto na Peterhouse, em Cambridge:



“O quarto, foi tomado por uma Presença que, de maneira estranha, estava tanto dentro de mim quanto fora de mim, como se fosse luz ou calor. 
Fui inteiramente possuído por Alguém que não era eu, mas ainda assim, senti-me mais eu mesmo do que nunca. Senti-me inundado por intensa felicidade e alegria quase insuportável, como jamais conhecera antes e não conheci desde então. E, coroando tudo isso, uma sensação de profunda paz, segurança e certeza (...) Compreendi que não somos átomos solitários em um universo frio, hostil, indiferente, mas que todos estamos ligados a um ritmo do qual talvez sejamos inconscientes e que nunca poderemos conhecer, mas ao qual podemos nos submeter confiantemente e sem reservas.”



O poeta alemão Rainer M. Rilke teve uma experiência enquanto lia as palavras de um poeta desconhecido:


Rainer M. Rilke

“Eu estava em um estado de concentração profunda e pleno domínio mental de mim mesmo. Tudo estava sintonizado comigo... Era uma dessas horas que não são horas absolutamente, mas que são, por assim dizer, mantidas em reserva, como se coisas houvessem se reunido e deixado o espaço, um espaço tão imóvel quanto o interior de uma rosa, um espaço angelical, no qual ficamos absolutamente quietos (...) 



O momento estava agora presente em mim, como se constituído de um grau mais alto do ser. Posso recordar dois, três desses momentos nos últimos anos (...) foram como que suficientes para encher minha vida interior com um esplendor claro, sereno, havia tantas lâmpadas nele, lâmpadas suaves – e quanto mais penso nelas, em recordação e atenta rememoração posterior, mais essas experiências destituídas de conteúdo, segundo nossas atuais concepções, me parecem pertencer a alguma unidade mais alta de eventos.” 



Em The Varieties of Religious Experience, William James descreve a experiência de um colega pscicólogo:



“Eu me encontrava em um estado de quietação, até mesmo de prazer passivo de espectador, sem pensar realmente, mas deixando apenas que idéias, imagens e emoções fluíssem por si mesmas na minha mente. De repente, sem nenhum aviso, vi-me envolvido por uma nuvem da cor de chamas. Durante um momento, pensei em fogo, um incêndio imenso em algum local próximo. No momento seguinte, tive certeza de que o fogo estava em mim mesmo. Imediatamente depois, fui tomado por um senso de exaltação intelectual impossível de descrever. Entre outras coisas, não tratei meramente de acreditar, eu vi que o universo não é composto de matéria morta, mas, ao contrário, é uma Presença viva. Em mim mesmo tornei-me consciente da vida eterna.”



Em 1990, o Alastair Hardy Research Centre, de Oxford realizou um levantamento de experiências espirituais, segue algumas:



“Sensação de um leve júbilo, sem relação com qualquer fato particular. Sensações que problemas são coisas minúsculas, sem nenhuma importância, absolutamente – um diferente senso de perspectiva. Sinto que tenho mais compreensão – que sou mais capaz de enfrentar as dificuldades da vida. Revitaliza, rejuvenece e põe as coisas em perspectiva.”


“Sensação de ser tão pequeno que, em comparação, tudo que experimento e penso é realmente muito trivial. Sensação de estar na circunferência de alguma harmonia profunda e não saber como ir além. Uma sensação de paz e calma, mas uma emoção pura dificilmente contida. Emoção extrema.”



“Em várias ocasiões vi, e também tive consciência da presença de meu avô, falecido em 1977. Ele me passa uma grande sensação de conforto, segurança e confiança, especialmente porque só aparece quando estou mal, ansioso ou preocupado.”


“Experimentei em muitas ocasiões um senso da presença de Deus. Quando a senti pela primeira vez (em um serviço religioso à idade de 15 anos), tive a impressão de me encontrar fisicamente embriagado (não estava!) e mal podia andar. Em outras ocasiões, senti apenas uma profunda sensação de paz e amor e frequentemente me esqueci da passagem do tempo.”



E você?
Eu gostaria de repetir a pergunta:
Você já sentiu a presença de Deus?



Danah tem sido procurada por grandes companhias interessadas em desenvolver o quociente espiritual de seus funcionários e dar mais sentido ao seu trabalho. 
Por isso, está surgindo um novo tipo de empresa, que se preocupa sim, com o lucro, mas quer ganhar dinheiro para desenvolver as comunidades em que atua, proteger o meio ambiente, propagar educação e saúde.



A autora demonstra que somente agora o mundo corporativo se preocupou com o QS, porque o mundo dos negócios atravessa uma crise de sustentabilidade e a causa dessa crise na vida corporativa provém do fato de que desde o surgimento do capitalismo só quer dinheiro e lucro. Mas dinheiro e lucro para quê e para quem? Trabalha-se para consumir. É uma vida sem sentido, afirma.


Danah mostra, além disso, que "o líder espiritualmente inteligente é uma pessoa responsável por trazer visão e valores. É uma pessoa que inspira as outras, do tipo de Dalai Lama, Nelson Mandela, Mahatma Gandhi e outros". 



Na experiência de Danah, a inteligência espiritual pode ser desenvolvida, propondo para cultivá-la algumas qualidades comuns às pessoas espiritualmente inteligentes:



- Praticam o autoconhecimento profundo;
- São levadas por valores; 
- Tem capacidade de encarar e utilizar a adversidade; 
- São holísticas; 
- Celebram a diversidade; 
- Tem independência; 
- Perguntam sempre o "por quê?" das coisas; 
- Tem capacidade de colocar as coisas num contexto mais amplo; 
- Tem espontaneidade e compaixão.


"A tese da Inteligência Espiritual (QS) vem comprovar a tese de que homem é espiritual, queira ou não queira, pois existe em seu coração um mistério que é maior do que ele mesmo e, em seu cérebro, o "Ponto de Deus". 
Deste modo, o homem jamais deixará de espiritual, jamais deixará de ser religioso, isto é de "religar-se" a algo ou Alguém que o transcende."
Ir. Panini, Diretor Geral do Colégio Marista Arquidiocesano


Alto QS requer muita reflexão! Requer que sejamos profundamente honestos conosco, profundamente conscientes de nós mesmos. 
Requer que enfrentemos opções e que compreendamos que, às vezes, as opções certas são difíceis. 
Alto QS pode ser desenvolvido com o tempo. 



O cérebro tem neuroplasticidade, ou seja, é um músculo composto por diversos neurônios e ao ser exercitado, suas conexões neurais mudam, crescem, evoluem, desaprendem, reaprendem.
Qualquer pessoa pode fazer isso, basta decidir manter a mente aberta para aprender (criar novas conexões neurais) e desaprender/reprogramar (desfazer certas conexões neurais), principalmente as conexões ligadas aos nossos valores e ao sentido da vida.
Alto Qs requer paciência e profunda integridade pessoal. 




Exige que nos tornemos conscientes daquele centro profundo de nós mesmos que transcende todos os fragmentos em que pode ter sido despedaçada a nossa vida. 
Exige de nós o esforço de nos rejuntar, inclusive recolhendo as partes que para nós foram dolorosas.




Mas acima de tudo, alto QS exige de nós abertura para a experiência, a recaptura de nossa capacidade de ver com novos olhos a vida e os outros, como se fossem olhos de criança.
Abrir a janela da “alma” e “mergulhar” de cabeça para o desconhecido, sem medo. 





Exige que deixemos de procurar refúgio no que conhecemos e exploramos constantemente e que aprendamos com aquilo que ainda não sabemos.
Exige de nós viver as perguntas e não as repostas e ser “feliz” e confortável nesta situação.



“Estamos mais perto de Deus quando fazemos perguntas do que quando pensamos que temos todas as respostas”.
Rabino Abraham Heschel 



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"Toda reforma foi em algum tempo uma simples opinião particular." (Ralph Waldo Emerson)