19.4.11

9: Minha nova visão de Deus


"Hoje sei que dá pra renascer várias vezes nessa mesma vida. 
Basta desaprender o receio de mudar!"
Marta Medeiros



Aperte o cinto e embarque comigo numa das minhas internalizações mais profundas. 
Tocarei num assunto muito polêmico: "Deus".
Novamente refleti bastante e tive alguns importantes insights.



Sempre fui um pouco "filósofa".
Não porque tenha feito grandes descobertas ou criado um novo movimento filosófico, mas porque sempre quis saber o porquê das coisas.


Por esta razão, escrever aqui tem sido um exercício agradável e necessário pra mim.
Minhas reflexões acabam sendo exatamente aquilo que eu preciso mais rever, ponderar e na maior parte dos casos, aprimorar.


Certa vez uma conhecida me perguntou se eu não tinha problemas, pois aparentava estar sempre feliz e sorrindo.
Esta é a impressão dos vizinhos e porteiros do meu prédio, além de muitos conhecidos.
Mal sabem eles que às vezes estou deprimida, furiosa, magoada ou frustrada, assim como todos.


Às vezes acho que penso demais. Talvez eu esteja desperdiçando muitos momentos sagrados do agora remoendo certas questões existenciais. 
Geralmente este comportamento é mais forte do que eu. Porém, existe algo que procuro fazer sempre: cumprimentar à todos com um sorriso.
Mesmo que internamente meu sentimento não seja compatível.


O que me faz refletir tanto sobre a vida, em parte tem sua origem em algo que me acompanha desde criança, esta busca pela excelência em termos de comportamento. No fundo eu gostaria de ser "perfeita" em tudo.
Será que estou sozinha nesta busca insensata?
Existem outras pessoas buscando este ideal?
Se sim, por que?


Esta busca é irreal, racionalmente eu sei. 
Mas desejo sempre ir dormir com a sensação de que foi um dia bom, produtivo, de que aprimorei a minha personalidade, aprendi algo e fiz a diferença de modo positivo na vida de alguém.


Que meta impossível (e destrutiva), não?
Eu já "ouvi" claramente através de intuição a "voz de Deus" no primeiro dia deste blog me dizendo que já somos perfeitos em essência e que esta busca é irreal e desnecessária.
Então por que ainda sinto a necessidade de analisar cada ato meu com receio de que não estou fazendo o meu melhor?


De onde vem esta sensação?
De onde surge a culpa?
O desejo de superação?
Por que não consegui incorporar o que tenho aprendido 100% em minha vida ainda?
Por que sinto que aprendi tanto e às vezes pareço andar em círculos?
Por que me cobro tanto?
Por que tenho dificuldade em aceitar todas as minhas características positivas e negativas se ninguém é perfeito e nem deveria ser?


Assim que lanço novamente as perguntas, o universo me responde:
Inconscientemente você imagina que esta cobrança venha de Deus, porém "Ele" não está te julgando, mas você está! 
Seu subconsciente ainda está repleto de informações que te prejudicam, muitas delas recebidas e levemente mal interpretadas pelas religiões tradicionais, pela mídia e pelos ensinamentos repassados pela família.


Quero me libertar desta meta (perfeição) que muitas vezes me sufoca, me prende, me limita.
Então vou descobrir a origem deste sofrimento.
Sinto que conseguirei "evoluir" nesta minha caminhada apenas se buscar as questões essenciais e suas raízes. 
Seria muito mais fácil pesquisar e colar um texto pronto da internet e elogiar sua autoria.
Ou comentar sobre qualquer notícia.
Falar sobre alguma fofoca da atualidade, um filme...
Mas o que está em jogo é a minha felicidade, a minha libertação e só eu posso resolver esta questão.


Quero mais, muito mais deste espaço. 
Espero viver uma vida com mais sentido, valor e felicidade. Sei que é possível.
Quero ser a autora da minha vida e isso requer um mergulho no meu conteúdo subconsciente encarando todos os meus "fantasmas". 
Pior ainda, requer que eu compartilhe meus conteúdos extremamente pessoais. Não é fácil, mas estou pronta.
Vamos lá...


Tenho estudado sobre várias religiões e filosofias, procuro ler sempre, estar aberta ao novo. 
Esta minha curiosidade é fruto da seguinte questão: 
No passado, não senti a comunhão com "Deus" como eu esperava, então diversifiquei a minha busca.
Quando criança, eu tinha muito medo dEle.


Como presente de primeira comunhão ganhei uma Bíblia em quadrinhos e ao abrir aleatoriamente a mesma, caí justamente na página com a tentação de Cristo.
Aquela imagem do diabo me assustou e me afastou temporariamente deste instrumento sagrado.


Mas a minha primeira comunhão também me impactou de outras maneiras, tanto positivas, como negativas.
Sei que cada pessoa obviamente terá uma experiência "própria" e que para muitos, foi um momento apenas positivo, mas para mim não foi e repito: quero ser autêntica neste blog.

Minha primeira comunhão, meu irmão Marcos e eu

Lembro quando fui fazer a minha primeira confissão.
Passei semanas me analisando e vendo todas as minhas "falhas e pecados".
Eu tinha que achar algo, afinal, era este o combinado.
E eles surgiram, os "pecados" estavam expostos: não gostava de acordar cedo, tinha preguiça de estudar, quebrei sem querer a porta do guarda roupas novo dos meus pais tentando descobrir onde estavam os presentes de natal, não queria ir à missa, demorava demais no banho, essas coisas.
Vistas hoje, estas coisas parecem uma grande piada, não?
Mas para uma criança, é muito sério. 
Compreendi que Deus queria que eu buscasse as minhas falhas...


Pior do que isso, Deus estaria vendo tudo e se eu não me comportasse como Ele esperava, pecaria e quando morresse iria direto para o inferno.
Calma... Eu repito: sei que foi uma interpretação minha, não estou julgando nenhum padre, professor de catequese que tive e muito menos a Bíblia. 


Sei que hoje as coisas evoluíram muito e muitos religiosos estão buscando mostrar uma nova visão de Deus, mais amigo e piedoso.
Mas não posso negar. Na minha cabeça infantil e despreparada, gravei esta verdade cruel em todas as camadas da minha mente: terei que passar o resto da minha vida vigiando meus atos, porque o resultado disso poderá ser uma eternidade no inferno e isso eu não queria pra mim. Resumindo: Então eu teria que ser "perfeita"!


A origem da minha busca pela perfeição foi finalmente desvendada!
Isso é maravilhoso!
Agora preciso limpar meu subconsciente, senão isso poderia me incomodar indefinidamente.
Preciso encontrar cada vez mais evidências deste Deus que eu estou redescobrindo e que é puro amor incondicional e sabedoria.
Internamente, já posso senti-lo!
Que sensação PERFEITA!




Como me sinto melhor em perceber que eu havia criado uma visão incorreta de Deus, um ser impiedoso, justiceiro e implacável.
Não é a toa que eu tivesse tanto medo.
Mais uma vez, reforço que usei o verbo no passado.
Pois hoje meu Deus é belo, carinhoso, amigo e próximo.
Ele sempre esteve comigo, eu é que não enxergava.
Ele não me cobra ter um comportamento perfeito, pois é impossível.
Era tão óbvio, mas o medo foi maior do que qualquer outro aprendizado.


Só para contar toda a história, referente à minha primeira comunhão, existem mais fatos relevantes.
Quando eu recebi a hóstia, achei que ao fechar os olhos para rezar, algo miraculoso iria acontecer.
Inspirada por Hollywood, eu achava que já que Deus abriu o mar para a passagem dos hebreus, algo espetacular aconteceria comigo também.


Charlton Heston no filme Os dez mandamentos


Na verdade eu achava que seria um momento sagrado para todo mundo. Imaginei que fosse aparecer uma pomba branca, um raio de luz dentro da igreja. 
Eu havia me confessado, estava purificada e queria sentir a comunhão como a presença dEle me dizendo claramente que eu estava agindo corretamente em minha vida e poderia ficar tranquila, pois ao morrer, iria para o céu.


Mas...
Não senti nada.
Absolutamente nada.
Minha mente "surtou" e eu achei que tinha esquecido de confessar algum pecado. 
Talvez eu tivesse pecado após a confissão e não estava mais purificada.
E agora???

Eu recebendo a hóstia

Ao terminar a cerimônia, fiquei com uma sensação de vazio. 
Algo estava faltando e eu não sabia o que era.
Então rezei em silêncio, pedi à Deus que Ele me enviasse um sinal de que estava comigo e que eu era uma "boa menina".
Imediatamente desci as escadas da igreja e ao olhar para o chão, havia um brilho intenso sendo refletido por um objeto.
Eu me abaixei e peguei este objeto em minhas mãos, era um lindo anel de ouro.
Eu não podia acreditar...
Seria um sinal ou apenas coincidência?


Mostrei à minha mãe e ela guardou e disse que procuraria o dono assim que possível.
Nós chegamos em casa e comentamos com todos para ficarmos atentos caso alguém dissesse que um conhecido havia perdido um anel na igreja naquele dia.
Alguns dias depois nossa ajudante ouviu no rádio que um médico estava procurando desesperadamente um anel. Pela descrição, era exatamente este!


Ele era o pai de uma amiga minha. 
E esta jóia havia sido um presente passado entre várias gerações de médicos da família.
Eu entrei em contato e a família dele foi imediatamente buscar a jóia lá em casa. 
Eles comentaram que ele não conseguia dormir há dias e estava muito triste. 
Lembro que ganhei uma recompensa.
Sei que para ele foi uma felicidade imensa.
E para mim também...


Olhando para trás, eu acho que foi um sinal!
Aliás, tive vários...
Mas continuarei com este tema amanhã.
Porém antes de ir, gostaria de lançar uma pergunta:
Você já recebeu algum sinal de Deus?



"Acho impossível que um indivíduo contemplando o céu possa dizer que não existe um Criador."
Abraham Lincoln.


Um comentário:

"Toda reforma foi em algum tempo uma simples opinião particular." (Ralph Waldo Emerson)