7.5.11

27: Devemos seguir a nossa intuição?


"A recompensa de uma boa ação é tê-la feito."
Sêneca


Olá!


Ontem comentei que falaria hoje sobre duas tragédias pessoais, de novos conhecidos meus que me trouxeram inspiração. Prepare-se para se emocionar. Aqui vão elas...



Na tarde da última quinta-feira fui visitar uma nova cliente. Depois de uma hora de conversa, estávamos ambas fazendo uma sessão "terapia". Ela tem trinta e poucos anos e me contou que há alguns anos, num período muito pequeno faleceram: o marido, em seguida o pai e depois o filho mais velho adolescente.



Que exemplo de ser humano! Disse que seus pais eram analfabetos e que depois de tudo isso, fez vestibular de direito, passou, se formou e ampliou os negócios da família e hoje está muito bem. Cuida do filho menor e da mãe doente e tem um namorado.
Ganhei uma nova amiga. Trocamos ideias sobre autores e por causa da indicação dela, me inscrevi neste curso que ela fez: http://www.maurinoveiga.com.br/. Não tenho certeza se farei o Evolution 1 no próximo final de semana. Estou deixando Deus me guiar, só sei que decidi fazê-lo depois que 4 pessoas me indicaram. Mas a opinião dela foi a que mas pesou, afinal ela me disse que foi isso que a reergueu. Fiquei curiosa!



Mas...
Hoje vou ser sincera e abrir meu coração com uma tragédia que mexeu muito comigo. Tenho um sobrinho/afilhadinho que é uma das maiores alegrias da minha vida. Ele fez aniversário de 1 ano há pouco tempo. Como meu irmão e cunhada moram em Guarapuava (interior do Paraná), eu estava muito feliz me preparando para viajar de Curitiba para a festa que ocorreria em Guarapuava no último final de semana de janeiro deste ano. Eu e meu amor viajaríamos no sábado pela manhã para Guarapuava. Na noite de sexta, eu estava arrumando as malas, mas algo começou a me incomodar, eu não estava bem e não sabia o que era. Queria dormir logo, pois teria que acordar muito cedo, mas não conseguia dormir e senti algo angustiante.



Moro no 12o. andar de um prédio localizado no Centro de Curitiba, numa rua muito movimentada. De repente, me deu vontade de olhar na janela. Era aproximadamente uma da manhã. Presenciei, bem na frente do meu prédio, alguns jovens, ao lado de alguns automóveis estacionados. Estavam tomando cerveja e conversando em pé, ao lado do carro, logo em frente à portaria do prédio, na calçada. Eram três garotos e duas garotas, jovens e alegres. Um deles subiu no meu prédio e os amigos preferiram esperar lá embaixo e pediram para que ele não demorasse. Eu nunca o tinha visto, não sabia que um daqueles jovens morava aqui.



Senti uma dor no peito e pensei que estava imaginando coisas. Meu primeiro sentimento foi ficar brava comigo, pensei: você deveria estar muito feliz, amanhã cedo irá para uma grande festa com seu amor e toda a sua família. Alguns minutos se passaram. E o meu vizinho de prédio desceu para se juntar aos amigos. 



Enquanto ele abria o portão do prédio, dois homens armados se aproximaram deles. Pediram para que entrassem num dos automóveis. Alguns deles entraram. Obviamente, não dava para ver o que acontecia dentro do carro, mas o clima estava muito tenso. De repente um dos garotos saiu correndo e entrou sozinho no carro dele para tentar fugir. Um dos homens o seguiu e para meu grande HORROR, mirou diretamente nele bem de perto e deu três tiros. Depois atirou no outro garoto que estava com eles, ao lado de fora do carro e saiu correndo. Este caiu no chão e começou a gritar. As garotas também gritavam, choravam desesperadas. O outro homem também fugiu. 



A minha janela estava aberta, o som dos tiros parecia ecoar de dentro do meu quarto e os gritos também. Sabe quando você parece estar vendo um filme??? Eu não podia acreditar naquilo.
Senti uma dor que tocou a minha alma quando vi um dos garotos (o único) que não levou tiro, gritar muito e bater no capô do carro, quando viu que seu amigo que havia tentado fugir havia falecido. Era aquela dor que vem do fundo da alma. O desespero dele era tão grande, eu queria poder ajudar, mas nada podia fazer. Mas confesso que senti aquela dor como se fosse minha. Afinal, como a física quântica nos demonstra: todos somos um. Todas as pessoas do planeta estão interconectadas de alguma forma.



Eu não conhecia o garoto morador do meu prédio, ele sobreviveu sem nenhum tiro, mas obviamente parecia desesperado. Não dormi nada, fiz bastante oração e chorei a noite toda. Até as cinco da manhã ainda haviam policiais, a rua estava quase fechada, ambulâncias e muita gente ao redor. Não sei como tinha tanta gente curiosa para ver os meninos baleados. Acho isso de uma frieza assustadora.



Eu não desci, fiquei fazendo oração e como sabia que pelo menos um dos meninos havia falecido, tentei imaginar o que poderia dizer a ele. Sei que parece loucura, mas na hora eu apenas disse em pensamento: "Se você estiver captando o meu pensamento, saiba que você é Filho de Deus, é luz, é energia, agora você "perdeu" apenas o uniforme que era seu corpo físico, mas continuará existindo para sempre. Busque a luz, os antepassados virão te buscar, seu anjo protetor também. Liberte-se da dor e do sofrimento e sinta a paz da liberdade de não mais pertencer a este corpo. Você é infinito. A vida é eterna. Deus ama muito você!"



Foi algo assim que tentei passar. Mas eu não vi nada. Estaria mentindo se dissesse que ele estava ali comigo. Só sei que jamais esquecerei aquela noite. Este apartamento em que moro sozinha foi comprado pelo meu pai, há quase 30 anos e foi a primeira vez que ocorreu algo assim, até porque eu considero Curitiba uma cidade muito segura. No dia seguinte, meu namorado chegou para viajarmos e eu estava muito mal. Não dormi nada e estava muito chocada. Ao sair, o pessoal que estava na portaria me falou que era uma tentativa de assalto/sequestro, um dos meninos reagiu e acabou ocorrendo isso.



Passei o final de semana em Guarapuava na festa do meu amado afilhadinho/sobrinho Davi e quando voltei, meu amor foi me deixar e parou o carro em frente à portaria, exatamente onde havia ocorrido o crime 2 noites antes. Ele foi tão maravilhoso e carinhoso comigo que acabei gravando uma cena muito positiva naquele lugar. Havia muito amor. Eu disse a mim mesma que não ficaria com medo nem traumatizada e que procuraria seguir em frente acreditando ainda que viver vale a pena e que a vida é bela.



Você pode me perguntar... Porque estou tocando neste assunto agora? Pois é... Acabei desapegando desta história, mas algo aconteceu que me fez trazer à tona tudo isso esta semana, acho que eu precisava de um fechamento (closure). Na sexta-feira da semana passada, não conseguia dormir e senti a presença do meu pai comigo.
Conforme comentei, ele faleceu no dia oito de julho do ano passado. Conversei com ele mentalmente, embora novamente reafirmo que era apenas intuição, não posso garantir que ele estava comigo. Não vejo, apenas sinto.



Mas senti que ele veio me dizer que estava bem e que era para eu passar o documentário "Vida após a Vida" (que fala sobre o que acontece depois da morte do corpo físico) para o garoto aqui do prédio que sobreviveu. Eu achei aquilo muito estranho porque eu havia escutado que ele havia decidido nunca mais voltar para este prédio, que outras pessoas viriam buscar as coisas dele e ele iria se mudar, talvez até de cidade. Foi a última coisa que eu soube e como não gosto de fofocas, nunca mais perguntei a ninguém sobre ele.



Acordei no sábado pensando... Será que falei mesmo com o meu pai? Será que devo tentar achar este garoto e passar o DVD que explica sobre a vida após a morte? Se ele mudou de cidade, eu poderia enviar pelo correio se conseguisse descobrir onde ele estaria morando, mas eu estava confusa. Fiquei na dúvida e achei que era invenção da minha cabeça, afinal esta história já estava no passado. Então eu disse à Deus: se for algo verdadeiro, encontrarei meu "ex vizinho" facilmente e então passo o material para ele.



Passei o final de semana passado inteiro fora, num seminário espiritual. Na segunda-feira, um conhecido me pediu um favor e tive que descer na portaria a noite para deixar algo que ele viria buscar. Ao entrar no elevador, tinha um garoto que eu não conhecia. Eu falo garoto, só porque era jovem (aproximadamente 25 anos), mas era bem mais alto que eu e parecia muito tranquilo. Logo começou a puxar conversa. Eu tava com vergonha porque estava mal arrumada e com pantufas, só iria na portaria. hehehe Coisas de mulher... mas ele foi muito simpático e conversou sobre alguns assuntos e eu respondi, meio sem graça. 



Quando desci do elevador para falar com o porteiro, não sei porque, perguntei: quem é aquele que estava no elevador comigo? É um novo morador ou está visitando alguém? 
Ele disse: este é o Teddy! Ele voltou a morar aqui logo após o ocorrido.
Eu não podia acreditar... Como nunca havia encontrado com ele? Que "coincidência" encontrá-lo justamente agora!



O que eu não podia acreditar é que ele me cumprimentou com um sorriso sincero e parecia estar tão bem. Eu pensei... Será que passo o material pra ele? Ele deve estar super tranquilo, melhor não... Mas subi e lembrei da tal "conversa" com meu pai e resolvi deixar o material para ele na portaria para quando ele voltasse. Ele havia me dito no elevador que estava indo para a academia.



Ao subir, fiquei insegura. Meu coração e intuição me diziam para passar o material, mas minha razão me contradizia e vinha uma voz sussurrando me dizer que com certeza ele desejava esquecer o fato. Que não queria ser reconhecido como o garoto daquele assassinato. Fiquei na dúvida por alguns minutos. Então fiz uma oração e minha intuição venceu, escrevi uma carta e desci novamente, desta vez para deixar o material para ele na portaria quando retornasse da academia.



Eu escrevi que nossa família tem apartamento neste prédio desde que o mesmo foi construído e que ele era um dos únicos moradores que eu ainda não conhecia e que não tinha passado este DVD. Isso é verdade, já distribuí um vasto material que gosto para quase todos os moradores e funcionários. Tentei ser indireta, apenas disse à ele que se um dia quisesse assistir, talvez gostasse do conteúdo. E que quisesse conversar, eu estaria à disposição, mas não toquei no fato. Ele voltou da academia, pegou o material e nada...



3 ou 4 dias se passaram e comecei a me sentir um pouco mal. Como se tivesse invadido um espaço que talvez não me pertencia. Ele é homem e pode ser que não quisesse mais tocar neste assunto, já havia superado, queria esquecer e seguir em frente. Homens nem sempre se sentem confortáveis em falar sobre sentimentos. Confesso que fiquei chateada e arrependida. Na noite de quinta, antes de dormir e mentalmente pedi perdão a ele e procurei esquecer o fato, afinal a minha intenção era boa.



Na sexta feira a tarde, eu estava super bem novamente, pois sabia que não fiz por mal, realmente queria ajudá-lo. Pensei: talvez um dia ele veja o material e se sinta melhor. Já distribuí centenas deste documentário porque acredito na belíssima mensagem que ele traz para todas as pessoas que já "perderam" conhecidos.
Tenho tido dias tão fantásticos em outras áreas e acabei sentindo uma grande paz e alegria. Não posso reclamar, minha vida está fantástica!



Na sexta, estava super feliz, havia acabado de chegar em casa no final da tarde quando de repente tocou meu celular e não reconheci o número, atendi e era ele. Perguntou se podia vir no meu apartamento para conversar. Nossa, fiquei tão feliz! Ele veio e conversamos por mais de 2 horas. Foi bem engraçado porque escrevi no bilhete que eu tinha namorado e que não estava dando em cima dele. Ele tem 25 anos e depois me contou que já foi modelo, eu realmente não queria que ele ficasse com a impressão que eu estava interessada nele, principalmente por causa da aparência. Se ele soubesse que é o que menos me atrai num homem. Não era isso que nos uniria.



Na verdade eu não estava mesmo interessada em algo a mais. Estou no paraíso com meu amor. Isso nem me passou pela cabeça. Estou insistindo nisso porque não quero que meu namorado sinta ciúmes ou insegurança, caso decida finalmente ler meu blog, mas vamos lá...
O engraçado foi que o Teddy entrou no meu apartamento, me deu um forte abraço e me disse que ficou desapontado quando leu na minha carta que não estava dando em cima dele. hahaha
Rimos e ele acabou quebrando o gelo. Aí percebi que ele estava realmente melhor do que eu imaginava.



Falamos sobre morte, amor, espírito, Deus, culpa, pecado, sexo, balada, religião, física quântica, trabalho, energia, casamento, dinheiro, "corações partidos", família, etc...



Resumindo: Ganhei um novo amigo! Ele é um homem maravilhoso!
Fiquei tão feliz em perceber que ele havia parado de se culpar.
Afinal, eu tenho certeza de que NADA foi culpa dele e era isso que eu queria que ele soubesse.
Eu acredito que tudo tem seu tempo, sua razão de ser que supera a visão que temos das coisas. Há um sentido maior que ultrapassa a lógica e a razão do mundo materialista. Acredito ainda que a culpa não é apenas desnecessária, mas muito nociva e queria que ele jamais sentisse que teve responsabilidade neste fato. Muitas pessoas destroem suas vidas com auto punição, mesmo que de modo inconsciente.



Enquanto falava com ele, pedi que Deus se manifestasse através de mim para eu poder ser instrumento para transmitir algo que valesse a pena. Eu disse a ele o seguinte:
"A morte é a parte mais natural e certa na vida. É o ciclo da natureza! Vai acontecer com todos, é uma passagem para o paraíso. Seu amigo está muito bem, sinto que ele está feliz, em paz e me pediu que te dissesse que tudo aconteceu como deveria. 
Há algumas noites senti a presença do meu falecido pai comigo, me pedindo para contactar você. Acho que seu amigo Diogo estava com ele, por isso decidi deixar o DVD pra você, era um dos documentários favoritos do meu pai. Seu amigo e meu pai estão bem e é isso o que importa!"



Nossa, acho que era eu que precisava daquela conversa, pois sempre desejei ter podido "salvar" o meu pai e talvez ainda restasse um pequeno sentimento de culpa, uma sensação de que eu poderia ter feito algo para evitar que ele falecesse. Sinto que eu sofro mais do que deveria por certos acontecimentos, por isso admiro muito as pessoas que se superam e vencem qualquer obstáculo.
O Teddy é uma fortaleza! Você acredita que o primeiro pensamento dele após alguns dias foi: "Vou voltar para o apartamento e encarar o fato e aprender o que puder com tudo isso."
Achei fantástico como ele reagiu e não tentou "fugir". Se eu tivesse que resumir eu diria que ele é feliz, tranquilo, divertido, inteligente, simpático, sensível, batalhador, criativo, amoroso, autêntico, espiritualista, muito bonito e um pouquinho "mulherengo". rsrsrs



Acabou me contando a história inteira da vida dele, desde a sua infância e quando conheceu o amigo Diogo que veio a falecer até os dias atuais, inclusive os detalhes daquela noite.  
Claro que ele ficou arrasado. Não pense que ele é insensível e esqueceu o fato. Ele disse que sente a presença do amigo todos os dias e que conversa com ele, mas achava que estava tentando acreditar que isso seria possível, pois não tinha conhecimento sobre esta área mais espiritualista. Foi aí que "entrei"...
Mas o que me surpreendeu é que ele está seguindo com a vida. Fala do amigo sempre usando o verbo no presente, então realmente acredito que ele consegue perceber a presença do amigo, como se fosse mais um anjo protetor, um amigo invisível.



Tem um trabalho que adora, um relacionamento maravilhoso com a família, a mãe dele parece ser uma pessoa fantástica e deu muita força à ele. Além do mais, ele me disse: eu faço oração todos os dias, sempre fiz! Mas ninguém sabe disso. 
Ele veio me visitar ontem, numa sexta-feira e disse que foi numa sexta que seu amigo partiu e que sentia que era um dia especial.
A verdade é que ambos acabamos confidenciando alguns "segredos" guardados a sete chaves, pois o momento nos inspirou. Foi bom para ambos. E o melhor ainda é que eu consigo mais uma vez me tranquilizar de que quando oramos, meditamos, estamos bem, devemos SEMPRE seguir a nossa intuição. Tive a impressão de que o Diogo estava com a gente naquela conversa. Não é lindo? 



Espero que na minha vida eu jamais me deixe paralisar pelo medo, quando tiver a oportunidade de ajudar alguém. Marcamos de conversar outras vezes e espero que ele continue a ser muito feliz, pois ele merece!
Passei o endereço deste blog, quem sabe um dia ele me visite por aqui. 
Por hoje é só! Até amanhã! 
Ah...
Feliz dia das mães...


"A força da maternidade é maior que as leis da natureza." 
Barbara Kingsolver

Um comentário:

"Toda reforma foi em algum tempo uma simples opinião particular." (Ralph Waldo Emerson)