11.5.11

31: O sentido da vida - A última grande lição


"As únicas pessoas que realmente mudaram a história foram os que mudaram o pensamento dos homens a respeito de si mesmos."
( Malcom X ) 



Olá! 
Hoje faz 31 dias que iniciei este blog.
Estou feliz por isso. Meu primeiro "aniversário".
Sinto uma leve sensação de que estou indo na direção correta, se é que isso existe.  



Ontem, eu precisava trocar meu dinheiro e resolvi ir nas Lojas Americanas, que fica na rua atrás do meu prédio. 
É claro que acabei me dirigindo a seção de chocolates, este parece ser um comportamento típico de quem vai neste local, não?



Mas... Sabe aquela voz/intuição que costuma nos guiar? "Ela" me disse: Por que não aproveitar para levar um livro?
Subi a escada rolante e pedi para que Deus me guiasse para que eu escolhesse um que fosse interessante.
Imediatamente um deles me chamou a atenção:
"A última grande lição - O sentido da Vida", de Mitch Albom. Ao ler o título eu já sabia que seria esse. Você não vai acreditar, mas custou apenas R$ 9,90.



Gosto de refletir sobre o sentido da vida porque acho que não há nada mais importante. Que bom saber que há tantas pessoas nesta mesma "busca sagrada". Apesar de ser muito simples e de não conter nada realmente "novo", eu me emocionei com o livro. Às vezes o que mais precisamos na vida é relembrar certos "clichês" em relação ao que realmente importa.



É ao mesmo tempo belo e de uma profundidade tocante.
É a história real de um professor de faculdade nos Estados Unidos e de seu aluno. Eles se reencontram quase duas décadas após a formatura, num momento muito delicado e juntos relembram o sentido da vida. Essas conversas acabaram virando este livro e a arrecadação contribuiu para pagar o tratamento médico do amigo e antigo professor.



Este professor havia sido um mentor para o aluno, que é o autor do livro. Mas eles haviam se separado após a graduação e só se reencontraram após o professor sair na TV numa reportagem falando sobre sua doença degenerativa nos nervos (esclerose lateral amitrófica - ELA). Nesta entrevista ele também comenta tranquilamente sobre sua morte.



Parece mórbido? Acontece que o professor estava morrendo, mas havia chamado a atenção da comunidade porque mesmo com todo o sofrimento e dor, mantinha a fé, a força, o otimismo. Por esta razão, ele nos dá uma grande lição sobre o verdadeiro sentido da vida.



"Se você abre o seu coração,
o amor abre a sua mente."
(Charles John Quarto) 


Que tal se eu compartilhar uns trechos por aqui? Aqui vão:


Pág. 27:
...
É a nossa primeira aula juntos, primavera de 1976. Entro na ampla sala de Morrie e noto a aparentemente incontável quantidade de livros que cobrem a parede, estantes e estantes de livros de sociologia, filosofia, religião, pscicologia.
...
- Mitchell? - diz Morrie lendo a lista de presença.
Levanto a mão.
- Prefere Mitch? Ou acha melhor Mitchell?
Nenhum professor me perguntaria isso. Dou uma olhada rápida no cara, ele sorri.
- Mitch, é assim que meus amigos me tratam - respondo.
- Pois então será Mitch - diz Morrie, como fechando um negócio.
- E... Mitch?
- Senhor?
- Espero que um dia você pense em mim como amigo.


Minha pergunta:
Você já teve um professor assim na faculdade?


Pág. 15:
(na formatura)
A seguir encontro Morrie Schwartz, meu professor predileto, e o apresento a meus pais. 
Ele diz a meus pais que fiz todos os cursos ministrados por ele e que sou "um garoto especial". 
- Mitch, você é dos bons. 
...
Pergunta se vou manter contato. Sem hesitar, respondo que sim. Quando ele me solta, vejo que está chorando.


Pág. 20
...
Os médicos deram a Morrie mais dois anos.
Ele sabia que seria menos.
Mas meu velho professor havia tomado uma decisão importante, na qual começara a pensar no dia em que saiu do consultório médico com uma espada sobre a cabeça. Vou me entregar e sumir, ou aproveitar da melhor maneira o tempo que me resta? - indagou a si mesmo.


Pág. 21:
...
Quando um colega morreu subitamente de enfarte, Morrie voltou deprimido do enterro.
- Que pena Irv não ter ouvido aquelas homenagens todas - disse.
Pensando nisso, teve uma ideia. Deu uns telefonemas, escolheu uma data. E numa tarde fria de domingo reuniu a família e um grupo pequeno - a mulher, os dois filhos e alguns de seus melhores amigos mais íntimos - em sua casa para um "funeral ao vivo". 
...
Morrie chorou e riu com eles. Tudo aquilo que sentimos bem no íntimo e nunca dizemos às pessoas que amamos foi dito para Morrie naquele dia. O "funeral ao vivo" foi um sucesso.


Pág. 22:
...
Não cumpri a promessa de manter contato.
Aliás, perdi contato com a maioria das pessoas que conheci na faculdade. Os anos após a formatura me endureceram e fizeram de mim uma pessoa bem diferente do formando gaguejante que deixou o campus naquele dia e embarcou para a cidade de Nova Yorque, para oferecer o seu talento ao mundo.
O mundo, descobri, não estava tão interessado assim. Durante os meus primeiros anos vivi pagando aluguel, lendo classificados e indagando por que os sinais não ficavam verdes para mim.
O meu sonho era ser músico famoso (eu tocava piano), mas depois de anos em boates escuras e vazias, de promessas não cumpridas, bandas que se desfaziam e produtores que se entusiasmavam por todo mundo menos por mim, o sonho deteriorou. Pela primeira vez na vida eu fracassava. Ao mesmo tempo, tive meu primeiro encontro sério com a morte. Meu tio preferido, morreu de câncer aos 44 anos.
...
Nunca me senti tão desorientado na vida.
...
Fiquei pulando de Nova Yorque para a Flórida e acabei num emprego em Detroit para tarabalhar como jornalista esportivo.
Em poucos anos eu não apenas escrevia colunas, mas também livros sobre esportes, fazia programas de rádio, aparecia regularmente na televisão, opinava sobre ricos jogadores do nosso futebol... Eu era muito solicitado.
Deixei de ser inquilino e passei a ser proprietário. Comprei uma casa nova na colina. Comprei carros. Investi em ações, formei uma carteira. Ganhava dinheiro numa quantidade que nunca imaginara. Conheci uma moça de cabelos negros chamada Janine, que conseguiu me amar apesar do meu pique de trabalho e de minhas frequentes ausências. Casamos depois de sete anos de namoro, e uma semana depois voltei ao trabalho. Disse a ela - e a mim mesmo - que um dia começaríamos a formar uma família, o que ela queria demais. Porém esse dia nunca chegou.


Pág. 26:
...
Em entrevista para a TV. Entrevistador chamado Ted.
- Quando isso tudo começou, Ted - disse ele - perguntei-me se ia me retirar do mundo, como faz a maioria das pessoas, ou continuar vivendo. Decidi que continuaria vivendo, ou pelo menos tentaria, do jeito que quero, com dignidade, coragem, bom humor, compostura. Em certas manhãs, choro, choro e lamento por mim. Em certas manhãs. Em outras sinto-me irritado e revoltado. Mas isso não dura. Depois me levanto e digo que quero viver... Até agora tenho conseguido. Conseguirei continuar? Isso não sei. Mas estou apostando que vou conseguir.
...
Ele e o entrevistador falaram do depois da morte. Falaram da crescente dependência de Morrie. Ele já precisava que o ajudassem a comer, sentar-se, ir de um lugar a outro. Ted Koppel perguntou o que Morrie mais temia quanto à sua decadência lenta e implacável.
Morrie refletiu e perguntou se podia dizer uma certa coisa na TV. Ele disse que sim.
Morrie olhou bem nos olhos do mais famoso entrevistador dos Estados Unidos e disse:
- Olhe, Ted, muito em breve alguém vai ter que limpar a minha bunda.
...
O programa foi ao ar numa noite de sexta-feira. Abria com Ted Koppel sentado à sua mesa em Washington, falando com sua voz clara e convincente.
- Quem é Morrie Schwartz e por que, quando a noite acabar, muitos de vocês vão se interessar por ele?
A mil e quinhentos quilômetros de distância, em minha casa na colina, eu mudava de canais casualmente. Ouvi as palavras "Quem é Morrie Schwartz?" depois de duas décadas em que eu desapareci e não mantive o contato que havia prometido. Fiquei paralisado.


Pág. 29:
Criei coragem e fui visitá-lo.
...
- Meu velho amigo - disse ele baixinho - finalmente você veio.
Enconstou a cadeira em mim, não me largava, as mãos subindo por meus braços. Inclinei-me sobre ele. Surpreendeu-me esse afeto depois de tantos anos...


Pág. 31
...
- Sabe, Mitch, agora que estou morrendo, fiquei mais interessante para os outros.
- Você sempre foi interessante.
- Que é isso! Bondade sua.
Não se trata de bondade, pensei.
- A questão é esta Mitch. As pessoas me procuram como quem procura uma ponte. Não estou tão vivo como antes, mas ainda não morri. Estou digamos... no meio.
Morrie tossiu. Recuperou o sorriso.
- Estou fazendo a última grande viagem aqui, e as pessoas querem que eu lhes diga o que devem pôr na bagagem.
...
Não sei dizer por que ele me recebeu com tanto calor humano. Eu não era nem de longe o aluno promissor que se separara dele 16 anos antes. Não fosse o programa na TV, Morrie poderia ter morrido sem me ver de novo. Eu não tinha uma boa desculpa pra isso, a não ser a que todo mundo hoje em dia costuma ter. Eu ficara muito envolvido pelo canto da sereia da minha própria vida. Vivia ocupado.
O que foi que aconteceu comigo, pensei?
...
- Encontrou alguém com quem dividir o coração? - ele perguntou. - Está se dedicando à sua comunidade? Está em paz com o seu ser interior? Tem procurado ser humano ao máximo de sua possibilidade? 
...
Meus dias eram cheios, e no entanto eu vivia insatisfeito a maior parte do tempo.
...
- Estar morrendo é apenas uma circunstância triste, Mitch. Viver infeliz é diferente. Muitas das pessoas que me visitam são infelizes.
- Por quê?
- Porque a cultura que temos não contribui para que as pessoas estejam satisfeitas com elas mesmas. Estamos ensinando coisas erradas. E é preciso ser forte para dizer que, se a cultura não serve, não interessa ficar com ela. Que é melhor criar a sua própria. A maioria das pessoas não consegue fazer isso. São mais infelizes do que eu, mesmo na situação em que estou. Posso estar morrendo, mas estou cercado de almas amorosas e dedicadas. Quantos podem dizer o mesmo?


Pág. 38:
...
- Tanta gente anda de um lado para outro levando uma vida sem sentido. Parecem semiadormecidas, mesmo quando ocupadas em coisas que julgam importantes. Isso acontece porque estão correndo atrás do objetivo errado. Só podemos dar sentido á vida dedicando-nos a nossos semelhantes e à comunidade e nos empenhando na criação de alguma coisa que tenha alcance e sentido.


Pág. 41:
...
- Lembra-se de quando eu disse a Ted Koppel que muito em breve alguém teria que limpar a minha bunda? - disse ele.
- Ninguém esquece um momento desses - respondi rindo.
- Pois eu acho que este dia está chegando. E isso me aborrece.
- Por quê?
- Porque é a prova suprema da dependência. Outra pessoa limpando a bunda da gente. Mas já estou pensando no assunto. Estou me ensinando a gostar de ser limpado.
- Gostar?
- É. É uma maneira de voltar a ser bebê.
- É uma maneira especial de encarar o assunto.
- Agora preciso encarar a vida de maneira especial. Veja só. Não posso fazer tantas coisas, mas posso ficar aqui identificando o que julgo importante na vida. Tenho os dois requisitos para isso: o tempo e o motivo.


Pág. 42:
...
Perguntei se ele ainda se interessava pelo noticiário.
- Claro. Acha isso estranho? Acha que por estar perto da morte eu deva me desinteressar pelo que passa no mundo?
- Quem sabe.
- Você pode ter razão. Talvez não devesse me interessar. Afinal, não estarei mais aqui para ver os desfechos. Mas é difícil explicar, Mitch. Agora que estou sofrendo, sinto-me mais perto das pessoas que sofrem do que antes. Outra noite, vi na televisão pessoas na Bósnia correndo nas ruas, levando tiros, morrendo, vítimas inocentes, e chorei. Sinto a angústia delas como se fosse minha. Não conheço nenhuma delas, mas... como dizer, sou quase atraído para elas.
...
- Hoje em dia choro muito, não ligue.
Morrie assoou forte no lenço de papel.
- Isso não incomoda você, incomoda? Ver homem chorar?
- Claro que não - respondi sem pensar.
Ele sorriu.
- Ah, Mitch. Vou afrouxar você. Um dia vou lhe mostrar que chorar é natural.


Pág. 43:
...
- Mitch, você perguntou por que me preocupo com pessoas que nem conheço. Posso lhe dizer o que é que estou aprendendo mais com esta doença?
- Diga.
- O mais importante na vida é aprender a dar amor e recebê-lo. Deixe o amor vir. Pensamos que não merecemos amor, pensamos que, se nos abrirmos a ele, nos enfraqueceremos. Mas um sábio chamado Levine disse a palavra certa: "O amor é o único ato racional."
...
E o livro continua... 



Outro dia, quem sabe, escrevo mais sobre ele...
Agora vou aproveitar e deixar aqui uma bela poesia como prova de amor à todas as pessoas que fazem parte da minha vida.
Vocês, meus amados terão que traduzir, mas acho que dá para entender facilmente o que quero dizer. Não quero jamais deixar passar a oportunidade de dizer o quanto amo vocês.







I carry your heart with me
E. E. Cummings

I carry your heart with me
I carry it in 
my heart
I am never without it
anywhere 
I go you go, my dear; 
and whatever is done 
by only me
is your doing, my darling

I fear

no fate
for you are my fate, my sweet
I want
no world
for beautiful you are my world, my true
and it’s you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you

here is the deepest secret nobody knows
here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life; 
which grows

higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that’s keeping the stars apart

I carry your heart
I carry it in my heart




...

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"Toda reforma foi em algum tempo uma simples opinião particular." (Ralph Waldo Emerson)