2.6.11

53: Livro "Pequenos milagres"



A vida é uma sucessão de
milhares de pequenos milagres


Olá!
Hoje tive outro dia muito bom! Sinto que não precisam ocorrer super eventos para que eu me sinta assim. Basta apenas que eu esteja aberta para ver o aspecto sagrado da vida oculto nas pequenas coisas do cotidiano. Trabalhei, fiz compras, arrumei o apartamento, verifiquei meus emails, falei com meu amor, li, vi TV, pensei na vida, cozinhei, ri, sonhei, fui jantar fora com minha mãe e meu sobrinho num delicioso restaurante italiano... vivi! 



Nada de extraordinário aconteceu para que eu me sentisse tão bem, mas talvez seja justamente isso que me deixa feliz, pois nada de ruim aconteceu e isso é muito bom. Certa vez recebi um texto que dizia para agradecermos à rotina dos dias comuns, pois significa que nenhum parente ou conhecido faleceu naquele dia, nem se acidentou, nem recebeu nenhuma notícia ruim, nem nada de mal ocorreu comigo ou com o mundo em geral (grandes tragédias). 



Hoje, pela primeira vez sinto que isto que escrevi basta. Excepcionalmente eu poderia parar por aqui, mas será que consigo??? Assim que ia colocar um ponto final, um dos meus livros me chamou a atenção. É uma coletânea norte americana de histórias reais de famílias judias, chamada: "Pequenos Milagres - Coincidências extraordinárias do dia-a-dia", das autoras Ytta Halberstam e Juduth Leventhal. 



Apesar de ser um livro "judeu", ganhei da minha irmã no natal do ano retrasado. Num dos momentos mais difíceis da vida da minha mãe e do meu pai eu li algumas histórias para eles, principalmente quando meu pai estava na UTI. Algumas são simples, outras divertidas, algumas tristes, outras inspiradoras, algumas surpreendentes; mas todas tem uma mensagem que vale a pena, um "pequeno milagre".


Milagres ainda acontecem

A coletânea contem umas 30 ou mais histórias. Segue abaixo umas das minhas favoritas. Realmente toca o meu coração e me inspira. Além disso, ela me faz sentir uma imensa gratidão pelos meus pais. Eles sempre me deixaram muito livre para descobrir minha jornada na vida, principalmente em se tratando de meu lado espiritual. Jamais me criticaram, não importa qual era o local ou filosofia eu estivesse seguindo naquele momento, sempre me apoiaram e isso não tem preço.



Para ser sincera, não foi apenas o fato de que me deixaram livre. Eles me encorajaram. Não sei quantos livros, cursos, seminários eu fui em que eles patrocinaram de alguma forma. Também me ouviam e diversas vezes acabaram conhecendo estes locais, livros, ideias. Isso não é fantástico? Eu acho! Me sinto privilegiada! Se eu tiver filhos, espero conseguir agir assim.



Sim, eu repito: meus pais sempre foram muito abertos e especiais. Que pena que nem todos os pais sejam assim. Nascemos livres e cada um tem o direito de fazer as suas escolhas e de respeitar as escolhas alheias, pois há muitos caminhos que levam à Deus. 



Escolha o seu e confie que os demais escolherão o melhor para eles. Todos somos únicos, não nascemos para fazer as coisas da mesma maneira. Deus se manifesta sobre infinitas formas através de cada ser deste planeta. Todas as religiões e filosofias tem seu potencial para ser um caminho até o sagrado. Certas pessoas, em todos estes locais, são fundamentalistas, mas isso não tira o mérito destes locais.



Se puder, leia até o final, a mensagem é belíssima. Apesar de sofrer com esta história, acho que compreendo o que ambos passaram, pois se eu estivesse no lugar deles, talvez agisse exatamente igual, ou até pior, pois minha vida foi muito diferente. Difícil adivinhar... Espero que o "Joey" esteja vivo e muito bem! Vamos lá?



Ele nasceu para levar uma vida privilegiada e - como a época ordenava - rebelou-se violentamente aos 19 anos de idade. Trajando o uniforme de brim desbotado e rasgado da sua geração, Joey Riklis* abandonou a faculdade, largou o emprego de meio expediente e anunciou ao seu pai viúvo que ia viajar para a Índia em busca de "iluminação". 


Adam Riklis suportou o golpe com tranquilidade e elegância, respeitando o conselho de amigos que recomendaram paciência, tolerância e amor. Joey estava agindo de modo "normal para sua idade", explicaram, confiantes e certos de que a tempestade logo passaria. Portanto, Adam disse ao filho que entendia que ele estava testando as asas e moldando sua própria identidade, e lhe garantiu que aceitava sua decisão. No entanto, quando Joey revelou um dia que havia rompido os laços com sua religião, o pai perdeu o controle.


Adam Riklis era sobrevivente do Holocausto. Toda a sua família havia sido assassinada pelos nazistas, e ele sozinho havia suportado as provações atrozes dos três campos de concentração. Ao saber que era o único sobrevivente da família, havia feito em silêncio o voto de que a religião pela qual seus parentes haviam morrido não morreria com ele. 


Embora muitos sobreviventes houvessem assumido a atitude oposta, abandonando a religião da sua juventude cheios de raiva e dor, a perspectiva de Adam havia sido totalmente diferente. Abandonar a religião de seus parentes exterminados seria uma traição às suas vidas... e às suas mortes.


Em Cleveland, Adam se havia aferrado às tradições e rituais religiosos judaicos, incorporando-os meticulosamente à rotina da família. Mandou os filhos para a escola hebraica, costumava levá-los com regularidade à sinagoga e se certificou de que eles cumprissem estritamente a lei religiosa. 


Sentia orgulho por ter criado filhos religiosos que levariam adiante a herança cultural da família. Agora, porém, seu próprio filho estava anunciando que desprezava esse legado, que desdenhava as perdas sofridas pela família. Adam conseguia suportar qualquer coisa, menos isso.


- Saia da minha frente! - berrou para Joey. - Saia da minha casa e não volte nunca mais! Você não é meu filho. Eu o renego do meu coração, da minha alma, da minha vida. Não quero vê-lo nunca mais na vida!
- Ótimo, por mim tudo bem - respondeu Joey aos gritos - porque eu também não quero vê-lo nunca mais!


Na Índia, Joey viajou de um guru para outro, procurando a sabedoria, a espiritualidade, respostas concretas para os mistérios insondáveis da vida. Durante suas viagens ele se uniu a Sarah, seu equivalente feminino sob muitos aspectos. 


Ela também havia saído de um lar de judeus religiosos e estava à procura de outro caminho espiritual. Os dois tinham certeza de serem "almas gêmeas". Já estavam juntos havia seis anos quando Joey se encontrou por acaso com um antigo colega de escola de Cleveland numa esquina de Bombaim.


Joey e Sammy abraçavam-se, felizes. "Isto é incrível!", disseram um ao outro. Estavam trocando avidamente histórias das suas respectivas aventuras quando Sammy falou em tom sombrio:
- É Joey, senti muito mesmo quando soube do sue pai.
- Meu pai? - repetiu Joey, sem entender. - O que está querendo dizer?
- Ai, meu Deus, desculpe. Então você não sabe...
- Não sei o quê? - perguntou Joey, agora tenso de pavor. 
- Bem, Joey, seu pai morreu há uns dois meses. Ninguém lhe escreveu?


- Ninguém sabia onde eu estava - respondeu Joey, devagar, estarrecido com a notícia. - De que ele morreu?
- De um ataque do coração.
- Não foi de um ataque - disse Joey, com os olhos cheios de lágrimas. - Foi mais de coração partido, tenho certeza. E eu sou a causa. Eu o matei. Matei meu próprio pai.
- Joey, não seja ridículo. - murmurou Sarah, tocando seu ombro, compadecida. - Você não teve nada a ver com a morte de seu pai!
- Sarah, você está enganada! - respondeu Joey. - Eu tive tudo a ver com a morte de meu pai!


Durante alguns dias, Joey viveu como que entorpecido, desnorteado de dor e remorso. Tinha a certeza avassaladora de que o sofrimento que havia causado ao pai lhe tirara a vida. No fundo, sempre havia esperado por uma reconciliação. Agora, ele nunca mais poderia pedir perdão ao pai ou voltar para o caloroso abraço do seu amor.
- Sarah - disse ele, abanando a cabeça, entristecido - não dá mais para eu continuar desse jeito. A Índia não tem mais graça para mim. Sei que você vai me achar estranho, mas preciso ir... a Israel.


- Israel?! - exclamou Sarah, surpresa, franzindo o nariz com repugnância como só um rebelde religioso inveretado conseguiria.
- Por que você quer ir a Israel?
- Só estou sentindo esse impulso, Sarah. Não dá para explicar, mas preciso ir.
- Está bem, está bem, então vamos - concordou Sarah, insatisfeita.


Quando o avião aterrisou, Joey voltou-se para Sarah e disse que queria ir rezar.
- Você está querendo me apavorar, Joey? - perguntou ela.
- Sarah, por favor! Quero ir ao Muro. É a única estrutura que resta do Primeiro e do Segundo Templo, considerado o local mais sagrado de Jerusalém. Acredita-se que a presença de Deus seja mais forte ali do que em qualquer outro ponto de Israel. É aonde pessoas do mundo inteiro vão para orar, implorar a Deus, pedir milagres. O que eu quero fazer é implorar o perdão do meu pai. Você me entende?


- Estou entendendo muito bem, Joey. Vejo que você não é o mesmo Joey que conheci todos esses anos. Você costumava rir comigo de toda essa bobagem. E agora quer ir orar diante de um muro.
- Olhe, Sarah, estou sofrendo. Eu amava meu pai. Ele morreu. Minha impressão é a de que eu o matei. Por que você está dificultando tanto as coisas pra mim?


Os dois discutiram por uma hora e acabaram decidindo se separar.
- Sarah, não sei por que isso está acontecendo - disse Joey, estristecido. - Eu achava que você era a minha alma gêmea.
- E sou - disse ela baixinho, dando-lhe um beijo terno e pesaroso. - Mas nossas almas simplesmente não estão mais em sintonia. Adeus, Joey.


Aproximando-se do Muro a pé, Joey de longe observou os grupos de pessoas que deixavam a praça apinhada. Etíopes com barretes africanos, iemenitas nas tradicionais túnicas brancas, americanos usando camisetas e pequenos solidéus. Todos vinham tocar as pedras frias com os lábios, chorar lágrimas mornas e, fervorosos, rogar a Deus que atendesse a seus pedidos pessoais.


Joey abordou um segurança, um dos muitos que examinavam, tensos, a multidão.
- Por favor, existe algum lugar por aqui onde eu possa conseguir um livro de orações?
E silêncio, o segurança apontou na direção de um rabino barbudo, que estava distribuindo artigos religiosos (solidéus, livros de orações, véus para as mulheres) aos não-iniciados.


Com um solidéu emprestado e segurando um livro de orações, Joey encaminhou-se para um trecho do Muro. Observando os outros e imitando seus movimentos, ele encostou a cabeça na pedra lisa, procurou encobri-la com o braço para criar uma aura de privacidade e começou a orar em silêncio. 


Achava que as palavras lhe pareceriam estranhas depois de todos esses anos, mas, em vez disso, elas fluíam dele numa sucessão familiar e reconfortante. Joey fechou os olhos e recordou a entoação que seu pai dava àquelas mesmas palavras, à medida que ia sendo transportado de volta na lembrança a territórios diferentes, ao mundo da sua juventude.


- Ai, papai - disse aos soluções. - Como eu queria poder pedir seu perdão! Como queria poder lhe dizer como o amo! Como me arrependo de toda a dor que lhe causei! Eu não pretendia feri-lo, estava só tentando encontrar meu caminho. Você era tudo para mim. Queria poder lhe dizer isso.


Quando Joey terminou sua oração, ele se voltou, sem saber o que fazer em seguida. Notou, então, que as pessoas ao seu redor escreviam bilhetes e o inseriam nas fendas do Muro. Curioso para saber o que significava esse comportamento, ele abordou um rapaz.


- Com licença, por que tantas pessoas estão enfiando pedacinhos de papel nas fendas do Muro?
- Ah, são seus pedidos - respondeu o jovem - suas orações. Acredita-se que as pedras sejam tão sagradas que pedidos colocados dentro delas recebam uma bênção especial.
- Eu posso fazer isso também? - Perguntou Joey, intrigado.
- Claro! Mas saiba que não é fácil encontrar uma fenda vazia! - disse o rapaz, rindo. - É que os judeus vêm aqui há séculos para importunar Deus com suas orações!


Joey escreveu: "Querido pai, imploro-lhe que me perdoe pela dor que lhe causei. Eu o amava muito e nunca me esquecerei de você. E, por favor, saiba que nada do que me ensinou foi em vão. Não trairei os mortos da sua família. Eu prometo."


Quando terminou de escrever o bilhete, Joey procurou uma fenda vazia. O rapaz não havia exagerado. Todas as fissuras da parede estavam cheias, entulhadas, repletas de bilhetes de suplicantes, e ele levou quase uma hora para encontrar um canto que lhe pareceu vazio. 


Mas, quando Joey enfiou seu próprio papelzinho na fenda, acidentalmente fez cair no chão outro que já estava lá. "Ai, não! Tirei do lugar o papel de outra pessoa!", pensou Joey, com um pouco de pânico, perguntando-se o que deveria fazer. 


Abaixou-se para recuperá-lo e, segurando o papel enrolado na palma da mão, começou a procurar por outro espaço no qual pudesse enfiá-lo. De repente, porém, dominado por uma  curiosidade tremenda, Joey desenrolou a nota para examinar seu teor. E leu o seguinte:


"Meu querido filho Joey, se algum dia você vier a Israel e por algum milagre encontrar este bilhete, eis o que quero que você saiba: eu sempre o amei, mesmo quando você me magoou, e nunca vou deixar de amá-lo. Você é e sempre será meu filho amado. E, Joey, por favor, saiba que eu o perdôo por tudo, e só espero que você, por sua vez, perdoe um velho bobo." O bilhete estava assinado "Adam Riklis, Cleveland, Ohio."


- O senhor está passando bem? Senhor... senhor? - A voz incorpórea vinha de longe, rompendo os devaneios de Joey. Ele não sabia quanto tempo ficara em pé ali, entorpecido, paralisado de choque, segurando o bilhete do pai na mão trêmula, com as lágrimas escorrendo o rosto. Desnorteado, ele se voltou para encarar o rapaz que momentos antes lhe dera informações sobre a redação de pedidos.


- Ouça - disse o rapaz afetuosamente, passando o braço com compaixão em volta do ombro de Joey. - Você não precisa me contar. Já vai começar o Sabá. O sol está quase se pondo. Gostaria de passá-lo comigo?


Três anos depois, Joey havia voltado para sua religião e dedicava todo seu tempo aos estudos rabínicos.
- Acho que está na hora de você casar - disse-lhe o rabino-chefe um dia. - Minha mulher gosta de se fazer de casamenteira e diz que conhece uma moça perfeita para você, sua verdadeira alma gêmea. É alguém como você, que voltou ao judaísmo e estuda na escola feminina da minha mulher. Venha jantar em nossa casa hoje à noite; ela estará lá.


Naquela noite, Joey entrou na casa do rabino e foi encaminhado à sala de estar. Ali, sentada no sofá, estava nada mais, nada menos do que seu antigo amor, Sarah. Os dois se encararam com surpresa e assombro.


- Como... como isso aconteceu Sarah? - perguntou Joey perplexo.
- Bem, depois que nos separamos, comecei a vagar pro Israel. Pensei que, já que estava lá, era melhor conhecer o país antes de voltar para a Índia. Por isso, comecei a fazer caminhadas e, a contragosto, me apaixonei pelo país, pelas pessoas e... pela religião. Um dia alguém me falou de uma maravilhosa escola feminina, e aqui estou!


- Sarah, pensei tanto em você todos esses anos...
- Bem, acho que nossas almas estão em sintonia agora - disse ela baixinho, quando se voltou para ele com um sorriso acolhedor.



...

The end

3 comentários:

  1. Essa história do Joey é verdadeira? nossa, que história incrível... muitas vezes as separações são só questão de sintonia mesmo, me emocionei aqui.

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  2. Querido amigo,

    Segundo o livro, são histórias reais.

    Se for, é incrível, não?!

    Bjs

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  3. Olá Marcia bom dia fique muito feliz em ver você comentando sobre esse livro PEQUENOS MILAGRES o Senhor falou muito por meio desse livro o compartilhei também com os leitores do nosso blog. E fica a qui o convite para que você nos visite http://www.conexaoadoremos.blogspot.com e se possível adoraria que fizéssemos uma parceria, meu intuito é levar a palavra do Senhor para todos e quanto mais nos unirmos isso ficará mais fácil.

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"Toda reforma foi em algum tempo uma simples opinião particular." (Ralph Waldo Emerson)