6.6.11

57: Obesidade mental



Olá!
Este texto abaixo não é meu, mas assino embaixo.  :)
Beijos e até amanhã!



Obesidade Mental - Andrew Oitke 

Por João César das Neves


O prof.  Andrew Oitke publicou o seu polêmico livro «Mental Obesity», que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral. Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna. 


«Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada. Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.» 


Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono.  


As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas .  Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada profundamente.  


Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema.  Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.»   O problema central está na família e na escola.   «Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate. 


Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas. 


Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.» Um dos capítulos mais polêmicos e contundentes da obra, intitulado "Os Abutres", afirma: «O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas.   


A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.» 


O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polêmico, chocante e sensacionalista. «Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.» Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura. 


«O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. 


Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. 


Todos dizem que a Capela Sistina tem teto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve. 


Todos acham que Saddam é mau e Mandela é bom, mas nem desconfiam porquê. 


Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto». 


As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras. 


«Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. 


A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia.  


Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, e com isso a falta de senso social,   o egoísmo e a agressividade.  


Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da civilização, como tantos apregoam. É só uma questão de obesidade.  O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos.  O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos. 


Precisa sobretudo de dieta mental.»  


Vamos fazer a nossa parte?

 “A inteligência especifica do crítico é a capacidade de compreender o que lhe é antipático”
(Otto Maria Carpeaux)
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2 comentários:

  1. Querida Luiza!

    Creio que já estamos fazendo a nossa parte, ne?

    Podemos ser uma minoria ainda, mas tenho fé de que as coisas podem melhorar com a nossa ajuda. :)

    Beijos!

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"Toda reforma foi em algum tempo uma simples opinião particular." (Ralph Waldo Emerson)