15.6.11

66: Livre para ser

"Necessitamos sempre de ambicionar alguma coisa que, alcançada, não nos torna sem ambição."
( Carlos Drummond de Andrade ) 


Olá!
Pergunta de hoje:
Você consegue dizer ao universo e a todas as pessoas o que você realmente quer/sente/pensa ou você se reprime?



Esses dias estava no salão fazendo as unhas e percebi que a minha querida manicure havia levado seu filho para o trabalho. Era um sábado a tarde e lá estava aquele menino alegre e ativo tentando achar algo para fazer. Dizia estar com desejo de comer um doce, porém sua mãe comentou que estava sem dinheiro naquele dia e que ele teria que esperar. Fiquei com pena e disse a ela que se concordasse eu o levaria nas Lojas Americanas para ele escolher um doce assim que terminássemos. Ela ficou muito feliz e assim eu o fiz. Fomos conversando alegremente (eu e ele apenas). Aquelas 6 quadras passaram muito rápido. 



Ao chegarmos lá, ele pediu para subir e foi direto na área de brinquedos. Também dei uma olhada pois tenho um afilhadinho/sobrinho lindo. Tudo ia muito bem até que ele encontrou uma sessão com uns brinquedos de R$ 150,00 e acima, eram super avançados. Ele olhou para mim e disse: - Tia, eu quero um desses! Pensei que ele estava brincando e ri, mas ele não estava. Fui bastante assertiva e disse a ele que havia prometido que compraria um doce, não um brinquedo. É claro que eu não ia pedir que ele pegasse apenas um sonho de valsa, por exemplo; mas daí a escolher brinquedos de mais de R$ 100,00, fiquei muito surpresa. 



Meus pais me educaram de maneira praticamente oposta. Eu não interagia muito com adultos e nem tinha muita "voz ativa". Pelo menos na minha família, crianças e adultos não se misturavam, ainda mais com "estranhos". Acho que eu era muito tímida. Mas este menino não era. Ele insistia nos brinquedos e embora soubesse ler, foi diminuindo para brinquedos levemente abaixo dos R$ 100,00 e perguntava: - E este? E este? E este? Permaneci irredutível, respondendo a mesma frase: - Combinamos que eu compraria um doce apenas. 



Realmente, não mudei de ideia. Continuei com a minha atitude e ele pareceu ficar meio bravo, me disse que se soubesse que tínhamos ido para lá para comprar apenas um doce, teria dito não. Disse ainda que não estava mais com vontade de comer doce. Acho que naquela hora ambos ficamos zangados. Acabei dizendo a ele que daria R$ 10,00 e que ele poderia escolher o que desejasse. Haviam uns "baralhos" infantis diferentes que estavam em oferta por R$ 9,90 e achei que ele poderia querer comprar. Ele disse que não e acabou levando uma caixa de bombom e mais 10 chocolates Twix avulsos. 



As 6 quadras de volta pareceram infinitas. Nossa conversa já não era mais tão animada. Eu me pergunto: - Será que ele agiu errado? Sinceramente, talvez não. Só estava agindo de modo natural, sem barreiras, sem frescuras. Apenas se sentiu à vontade comigo e acho que isso foi interessante e novo pra mim. Eu nem sempre sou sincera. Nem adianta me perguntarem se gostei ou não de um corte de cabelo, roupa ou receita, sempre responderei: SIM! Acho que falta personalidade em mim talvez, ou receio de magoar. Em público, geralmente me policio e na dúvida, nem sempre manifesto a minha opinião sincera e as minhas vontades. Quantas vezes me calo e aceito coisas que não gosto só por receio de não falar o que realmente penso/sinto/desejo?



Sabe o que me fez lembrar do caso acima justamente agora? Esta tarde estava passando na "Praça do homem nu" aqui em Curitiba, e um homem de uns 45 anos se aproximou e falou comigo. Era um morador "de rua", não tomava banho provavelmente há muito tempo, estava sujo e cheirando mal. Mas olhou para mim com um sorriso enorme e "embriagado" e perguntou: - Moça, você tem 50 centavos para eu comprar uma pinga?



Eu dei uma enorme gargalhada, quase o abracei e disse: - Pelo menos você foi sincero! Acabamos conversando por alguns minutos, ele não parava de rir. Tive vontade de permanecer ali, rindo com ele. Mas acabei não dando a ele uns trocados, estava com notas maiores e tinha um compromisso, então prometi que depois trocaria o dinheiro e que voltaria, mas acabei esquecendo. A verdade é que eu realmente pretendia dar dinheiro a ele. Acho que preciso aprender com estas pessoas a dizer ao universo o que espero. No máximo, receberei um não, mas e se o universo resolver dizer sim???



É isso aí! Precisamos ousar, ser assertivos, pedir ao universo, pois conforme eu já disse, merecemos tudo o que desejamos e uma hora, receberemos um belo SIM!!!
Este será meu novo objetivo, agir mais naturalmente, manifestar meu eu natural, espontâneo, sincero, sem me preocupar com a opinião alheia. 
Vou procurar apenas manifestar mais a minha opinião e procurar SER eu mesma!
Este texto abaixo é de uma ex colega de pós. Espero que goste!

Livre para ser


Respira fundo.
Respira fundo e imagine hoje é um dia que você pode deixar as máscaras caírem.
Não tem nenhum papel pra interpretar.

Não tem que parecer nada.

Não tem que ser super filho(a), super mãe ou super pai.
Não precisa ser chefe dedicado ou funcionário eficiente.
Não precisa parecer inteligente, bonito(a), sensual, simpático(a), amigão/amigona, responsável, habilidoso(a), carismático(a) ...
Hoje não precisa parecer nada.
Nem perfeito, nem imperfeito.

O que sobra?
Acho que uma sensação de liberdade.

Acho que isso deve ser “ser”.

Eu quero 
ser quando eu crescer. E só.


Iria Sebastiao


"Quando você está satisfeito por ser simplesmente você mesmo e não se compara ou compete, todo mundo te respeitará."
(Lao Tsé)

...

3 comentários:

  1. Caiu como uma luva este texto hoje! :-) Obrigada Marcia querida!

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  2. Marcia, o que tu falou sobre a criança me fez relacionar com o ótimo livro que estou lendo "A sabedoria do não", muitos pais hoje em dia não sabem dizer não para os filhos ( e para nada na vida também) e acabam inflando o ego da criança, o ego quer que todos seus desejos sejam atendidos, e agora, por isso a vida muitas vezes nos traz um grande NÃO para os desejos infantis que o ego nos impões... ótimo artigo

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  3. Queridos,

    Obrigada pelos comentários.

    Metal: acho que devemos ensinar as crianças a anulares o ego sim, não devem pensar que são superiores e que devem ter todos os seus desejos realizados porque são especiais ou melhores. Creio que devemos amar as crianças e ensiná-las que ela posem sim, conquistar tudo o que desejarem, que são especiais e únicas, assim como todos os demais seres humanos, pois somos todos irmãos e ninguém é melhor nem pior, nem mais importante. Acho que o primordial é focar em conquistas e sonhos e não em coisas materiais.

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"Toda reforma foi em algum tempo uma simples opinião particular." (Ralph Waldo Emerson)