6.10.11

174: Estamos com fome de Amor?




Olá!
Dia muito bom.
Fiz uma enorme faxina em todo o apartamento e também internamente, mandando pensamentos negativos embora. Não ficou um cantinho sem cuidado. Arejei, deixei toda a luz solar entrar, fiquei em silêncio, meditei... Quando terminei, senti uma incrível sensação de purificação e bem estar! Feng Shui funciona, mesmo! Esta sensação ainda está em mim. Isso é maravilhoso!


Segundo esta corrente de pensamento, estabelecendo uma relação yin/yang, os ideogramas Feng e Shui
(Vento - yang  e Água - yin)
representariam o conhecimento das forças necessárias para conservar as influências positivas que supostamente estariam presentes em um espaço e redirecionar as negativas de modo a beneficiar seus usuários.


Depois fui na feira de natal que está acontecendo aqui próximo ao meu apartamento na Praça Osório. Eu me deliciei com algumas comidinhas bem caseiras e saborosas. Estava um belíssimo e bastante quente dia de primavera. Passei pelo calçadão da rua XV e me diverti, tinha um repentista, umas modelos com vestidos feitos aparentemente de metal sendo entrevistadas pela TV, os sempre presentes homens na famosa "boca maldita" conversando sobre política, além de muita gente tomando sorvete (inclusive eu). 


Então decidi visitar a minha vozinha. Ela já tem 90 anos e mora com a minha mãe. Estava tão carente. Fiquei pensando em como deve ser viver a vida dela, nenhum grande plano ou projeto de vida, apenas a felicidade de ver a realização das pessoas próximas e aquela "espera". Não deve ser fácil, porém nem sempre paro para pensar sobre isso.
Vou confessar algumas histórias pessoais, estou me abrindo mais e confesso que esta abaixo é uma que NÃO me alegra, mas aqui vai...



Esta tarde tive um raro momento com minha vozinha em que ela começou a chorar e eu fiz umas orações e realmente desejei que ela sentisse meu amor e o amor de Deus por ela. Alguns minutos depois ela estava melhor. Mas...
Confesso que nem sempre agi assim. Ela tem uma saúde fantástica para a idade dela, mas é hipocondríaca e muitos da família, incluindo eu, não tivemos paciência para todas as vezes em que ela achou que estava morrendo. 




Já fui com ela diversas vezes ao médico e na saída eu sempre brincava: A Senhora é a única pessoa que fica insatisfeita com um resultado negativo de um exame, achando que foi mal feito, pois tem que ter algo errado e grave. 
Às vezes ficamos insensíveis aos mais próximos. 
Lembrei de certa vez que programei uma gincana de 2 dias para um grupo de idosos. Era parte de uma atividade escoteira. Foi maravilhoso! No final alguns velhinhos me disseram que foi o melhor dia da vida deles. Como é fácil dar amor a estranhos, não é mesmo???



Hoje aconteceu outro ataque de pânico exatamente quando entrei para ficar um pouco com ela, parece algo que a pessoa faz para chamar a atenção, mas só a pessoa sabe porque faz isso, não é?! 
Ela me disse: Estou morrendo, estou morrendo, desta vez é sério... 
Para quem a vê pela primeira vez neste estado se assusta, acha que realmente isso pode estar ocorrendo, só que ela faz isso há mais de 60 anos e os familiares e amigos próximos já sabem que é psicológico, depois de centenas de vezes a gente acaba não reagindo mais. 



Eu ficava sempre na dúvida. Pensava: O dia que for verdade, como saberemos a diferença? Só depois, quando for tarde demais...
Certa vez até chamei a família inteira para se despedir, pois dava a impressão que era realmente uma despedida, mas isso já aconteceu há alguns anos e depois disso decidi não fazer mais e soltar para o universo.
O motivo por eu estar feliz hoje é que no passado eu ficava chateada quando ela começava a ter estas crises. Dizia para ela que teria o meu amor sempre e que não precisava fazer isso para chamar a atenção e que a saúde dela é ótima como mostra todos os exames feitos todos os meses, há décadas.



Sei que agia de modo muito duro, aliás é o que muitos fazem, mas hoje excepcionalmente quis ficar com ela, ter mais paciência e amor incondicional, então não me afastei quando isso aconteceu. Ela até estranhou porque eu fiquei ali e fiz umas orações em silêncio, acariciando o braço dela por vários minutos e não falei nada, nenhum discurso questionando a veracidade do fato, apenas pedi para Deus tocar o coração dela, acalmá-la, trazendo paz de espírito. 



Nem senti o tempo passar...
E ela não foi tomar seus calmantes, muito pelo contrário, em poucos minutos ela estava na cozinha tomando café e sorrindo. Pediu para eu ficar mais e eu fiquei, depois me perguntou se eu voltaria amanhã, disse que sim. Voltarei com uns quitutes que quero fazer pra ela e para umas visitas que estão chegando para passar o final de semana aqui em Curitiba. 



Algo que percebo é que a nossa geração não valoriza os mais velhos. No Oriente as coisas são muito diferentes. Conversando com as chinesas que estiveram aqui em agosto, senti uma diferença brutal. Talvez algo tenha repercutido em mim, o tratamento que damos aos idosos aqui no Ocidente é geralmente o oposto. Perguntei a elas o motivo da preferência por filhos homens e elas responderam que os filhos homens levam seus pais para morar com eles quando se casam e tomam conta deles com muito amor e carinho até o fim. Lindo, não? Ambas são casadas e moram com sogros e sogras e acham isso um ato de amor.




Ou talvez eu mudei porque apesar dos desafios, estou bem, em paz, feliz... Só sei que sinceramente doei amor hoje e estive presente por mais tempo, mesmo achando que tinha outras coisas para fazer e isso me fez muito bem. 
A filosofia da Seicho no ie prega muito o amor e a reverência aos antepassados, presentes e os que já estão no plano espiritual.



Mas...
A carência da minha vovozinha não é só dela. Porém só podemos doar aquilo que temos, então na minha opinião precisamos acima de tudo aprender a amar a nós mesmos, tratar a gente bem, com carinho, amor e respeito incondicionais, para podermos compartilhar este amor com outras pessoas. Este texto abaixo parece ser bem verdadeiro. Afinal, será que apenas os mais velhos sentem carência?


"Alguém escreveu, 'O amor é um verbo'. Ele requer ação - não apenas palavras e pensamentos. O teste está no que se faz, e como se age, pois o amor é transmitido em palavra e atos."
(David B. Haight)









Estamos Com Fome de Amor

Arnaldo Jabor


Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.

Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas. E saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.

Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?

Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.

Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.

Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número que comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!".

Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.

Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.

Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta.

Mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois.

Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".

Antes idiota que infeliz!

"Amar profundamente em uma direção nos torna mais amáveis em todas as outras."
(Madame Swetchine) 




Até amanhã...


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"Toda reforma foi em algum tempo uma simples opinião particular." (Ralph Waldo Emerson)