16.10.11

184: Curar a ferida em primeiro lugar

"A mais divina das vitórias é o perdão."
(Friedrich Schiller)


Olá!
Na 24ª publicação deste blog comentei sobre um amor que de certo modo, mexeu muito comigo, deixou as suas marcas positivas e negativas. Talvez um dos maiores desafios que já enfrentei até hoje foi perdoá-lo. Na época imaginei que me dediquei de corpo e alma e que o resultado foi "catastrófico". 




Quando aquela história acabou, decidi perdoá-lo e durante muito tempo fiz as mentalizações das orações de perdão para perdoar o próximo (45ª publicação) e para perdoar a mim mesma (46ª publicação) e deletei tudo o que me lembrava dele, eliminei tudo, deixando apenas as memórias.


Tenho 3 emails. Esta tarde resolvi fazer uma limpeza num email antigo e por uma falha de recuperação de agenda o nome dele que eu já havia deletado, voltou. Mas fiquei tão feliz pois foi a primeira vez desde 2007 que vejo algo relacionado à ele e não sinto uma dor no coração. Não senti nada negativo, apenas um leve carinho, pois posso dizer que foi o primeiro homem que me ensinou que eu podia amar incondicionalmente. Pelo menos por alguns anos eu consegui esta tarefa tão aparentemente impossível. 



Só sei que depois dele, fiquei um tempo sem imaginar que confiaria novamente no amor e aconteceu. Hoje fico feliz por perceber que as coisas sempre podem melhorar.
Se alguém está começando a seguir por aqui, indico também a leitura sobre HO'OPONOPONO, que está na 120ª publicação.
E seguindo o mesmo tema, aqui vai um belo texto.
Boas leituras...


Curar a ferida em primeiro lugar

:: Bel Cesar :: 


Quando somos atingidos por uma flecha, não devemos perder tempo buscando saber quem e por que nos feriu. Mas, sim, arrancar a flecha fora e cuidar, o quanto antes, da ferida. Este é o modo budista de lidar com os problemas: focamos a cura ao invés de cultivar a indignação que gera ainda mais dor.

Em vez de responder aos inúmeros porquês, focamo-nos em lidar com a situação de modo a assumir o autocontrole diante de nossos problemas. Afinal, quando não podemos mudar uma situação externa, ainda assim, podemos transformar o nosso modo de encará-la.

Enquanto estivermos contaminados pelo cansaço, pela raiva ou pela indignação, nossas atitudes serão tendencialmente unilaterais ou vingativas. O que o budismo nos alerta é que a primeira coisa a fazer quando recebemos qualquer tipo de agressão é nos interiorizarmos para recuperar o espaço interior.

Mais do que uma percepção mental dos fatos, devemos buscar o equilíbrio interior para que nosso pensamento volte a ser claro e amplo.

Na medida em que nos concentramos em curar a ferida, ao invés de indagar o porquê ela ocorreu, cultivamos o hábito mental de buscar soluções práticas que nos ajudam a nos desvencilhar dos problemas. Deste modo, não ficamos presos ao discurso ele não podia ter feito isso comigo que nos leva apenas à paralisia, mas passamos a nos mover em direção à solução interior, o que nos leva a um senso profundo de liberdade de podermos ser quem somos.

O mundo à nossa volta está repleto de informações conflitantes e confusas. Tornamo-nos reféns dos outros enquanto nos deixamos enganchar por seus conflitos.

Para nos desvencilharmos das confusões alheias, precisamos antes de tudo recuperar nosso espaço interior. Esta é a diferença entre gritar para o outro: Me solta e dizer internamente: Eu me solto.
Desta maneira, ganhamos autonomia interior, isto é, recuperamos o prazer e a habilidade de exercitar a nossa própria vontade de nos acalmar. Lama Gangchen nos encoraja a praticar a Autocura quando nos fala: Basta reconhecermos nossa própria capacidade e ousarmos aceitá-la.

Em seu livro Autocura Tântrica III (Ed. Gaia) ele esclarece: Para começarmos a vivenciar os níveis mais profundos da Autocura, nossa mente precisa começar a aceitar e usar o espaço interior da forma correta. Temos que compreender que há mais espaço em nossa mente muito sutil do que no mundo externo. Além disso, também precisamos entender que as situações perigosas que hoje vivenciamos são o resultado de causas e condições negativas criadas por nós no passado. É muito importante praticarmos a Autocura, pois se continuarmos a gravar negatividades em nosso espaço interior, embora nosso coração não possa explodir, uma terrível explosão global de negatividade pode acontecer, causando nosso Armagedão individual e planetário.
Para parar de gravar negatividades em nosso espaço interior, precisamos cultivar o hábito de nos interiorizarmos, de ampliarmos nosso espaço interior. Mas a capacidade de nos autossustentar surge à medida em que nos sentimos disponíveis para nós mesmos.

Se não nos sentimos capazes de lidar com certas emoções, devemos buscar pessoas que nos incentivem a lidar positivamente com elas. A solidariedade alheia nos ajuda a sentir e aceitar o que nem mesmo somos capazes de entender.

O importante é buscar coerência entre nosso mundo interior e a realidade exterior. Viver bem pressupõe considerar a realidade acima de qualquer coisa.

Ao recuperar o espaço interior, ganhamos uma nova disponibilidade para agir. 





E você?
Lembrou de alguém que gostaria de perdoar?


"Ressentimento é como tomar veneno e esperar que o OUTRO morra!"
William Shakespeare



Até amanhã!

...


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"Toda reforma foi em algum tempo uma simples opinião particular." (Ralph Waldo Emerson)