9.12.11

232: INDIVIDUALISMO – Ilusão ou Opção



Olá!
Minha 232ª publicação desde abril deste ano, incrível! Só faltam 133. 
Nem sempre me considerei uma pessoa muito disciplinada, então vejo esta pequena transformação como algo muito positivo. É um compromisso de registrar o mais fielmente possível uma jornada de 1 ano em busca da verdadeira "felicidade".


Estou tendo mais um dia muito agradável. 
Nada como a sensação de paz (mesmo no meio de alguns desafios) para percebermos que viver é isso mesmo; saborear os pequenos momentos no meio de tantas outras coisas nem sempre agradáveis. Mais uma vez, parafraseando Roberto Shinyashiki estou dizendo à mim mesma: "Coma os morangos". Ver a publicação 84. 




 INDIVIDUALISMO – Ilusão ou Opção

HIGINO T. ALMEIDA LEITE

Solidão...
Quantas vezes eu pensei: “Triste aquele que está só!” A solidão que me assusta, é para mim muitas vezes como o medo da morte, eu não sei como será quando chegar... Não ter alguém para conversar, conviver, compartilhar, trocar idéias e sonhos, experiências e sentimentos – tudo isso me parece muito triste. Sinceramente não consigo imaginar-me só – tenho a impressão que vou à loucura, ou pelo menos vou procurar ocupar totalmente o meu tempo para distrair minha mente...

Talvez a pior solidão entretanto, não seja esta a que acabei de me referir, e sim aquela a que todos nós conhecemos, e muitas vezes pouco percebemos. Aquela solidão que nos acompanha durante o dia, onde estamos sós, mesmo convivendo com outras pessoas. Conversar, compartilhar, trocar idéias e sonhos, experiências e sentimentos soa algo como: incômodo, perda de tempo, fora de moda. É verdade, a moda agora é o “vazio”. É o “vazio” à busca de preencher-se. É a ansiedade, para que o tempo “passe mais um dia”. É a fome devoradora do consumo de si mesmo.

Pessoas aflitas, mudas, arredias, insensíveis, grupais pela necessidade de serem aceitas, individuais como forma de “proteção”. Olhares “interessados”, sorrisos maliciosos onde a intenção esconde a verdadeira razão. Véu da ilusão transformada em máscara, cuja personalidade corrompida conduz ao isolamento, ao individualismo.

Perceba ao seu redor. Quantas pessoas conhecemos, sem conhecermos verdadeiramente. São histórias, idéias, expectativas, percepções, intenções, experiências, valores, escondidos pela máscara corrompida da personalidade, que limita-nos à imagem, ao aparente, ao superficial. Converse com seus pais, e conheça suas histórias, medos, fantasias, como era o seu mundo e como é agora – troquem seus pontos de vista. Converse com sua companheira(o) sobre o modo como vê a vida, sobre seus sonhos. Converse com seus filhos, sobre o que é importante, sobre felicidade. Converse com seus funcionários, com seus subordinados, chefes, clientes, fornecedores, amigos. É isso mesmo, amigos... Ao conversar, preocupe-se mais em ouvir do que falar. Mesmo que não ouça, pergunte. Parecerá estranho, não importa.

Estamos cada vez mais sós. O noticiário e os “problemas” do dia-a-dia ocupam quase que plenamente nossas mentes. O máximo que fazemos muitas vezes écompartilharmos com outras pessoas, e chamamos isto de mundo real. Quão real são as imagens, as nossas máscaras?

É possível estar só e não sentir solidão. Estar só, muitas vezes nos aproxima de nós mesmos. Muitas vezes nos faz exercitar a reflexão, elevando sobremaneira o conhecimento à respeito de nós mesmos. O auto-conhecimento por sua vez serve de instrumento para a lapidação da nossa personalidade, favorecendo em muito, os nossos relacionamentos. Exercite pelo menos uma vez por semana. Destine um período razoável de tempo para estar com você mesmo. É você e você. Com o tempo você observará que as suas atitudes estarão mudando, simplesmente porque sua percepção à respeito de si estará mais ampliada, e a lucidez, a auto-estima e autoconfiança começaram aos poucos a ocupar aquele vazio interior.

Não espere que o mundo ao seu redor mude, para você agir. Não espere um acidente, um enfarto, uma perda, uma dor profunda, para despertar. Analise com profundidade a sua vida: sem culpas ou culpados, sem cobranças de si ou de outrém. O tempo que temos é para aprender, para não ter vergonha de dizer: “eu não sei!”, para experimentar o “novo”, tentar, errar e refletir, para questionar nossos condicionamentos, para viver.

Quando procuramos compreender nossas máscaras e nossos papéis, desenvolvemos uma visão mais nítida a respeito de nós mesmos. Começamos a nos tornar mais “verdadeiros” nas relações. Começamos a nos importar mais com as outras pessoas. Procuramos saber suas opiniões, suas razões, seus gostos, seus sonhos, suas experiências, suas crenças... A noção do “eu” dá lugar ao “nós”. Os egos se aproximam como que buscando referências e afinidades, ao mesmo tempo respeitando limitações e diferenças, abrindo a possibilidade do aprendizado mútuo. E nesta interação, percebemos intimamente que todos somos mestres e aprendizes. Cabe a cada um ”abrir” as portas da compreensão.

Solidão é uma questão de opção...




Até amanhã!

...


Nenhum comentário:

Postar um comentário

"Toda reforma foi em algum tempo uma simples opinião particular." (Ralph Waldo Emerson)