10.12.11

233: Hoje é dia de... Clarice Lispector



Olá!

Hoje foi um dia novamente agradável, este sentimento é muito bom.
Isso acontece porque sempre que possível procuro me cercar de "boas companhias", 
conforme já comentei diversas vezes. Sinto muito se sou repetitiva, mas é que acredito muito que a energia seja "contagiante". 
Minhas companhias podem ser pessoas "positivas" ou então bons livros, filmes, músicas, documentários, etc. 



Ontem assisti ao filme "O concerto". Indico! 
E hoje vi "Cartas para Deus", também indico! 
Mas mudando de assunto, nesta data gostaria de homenagear uma aniversariante que é um exemplo de muher maravilhosa... Adivinhe quem é?!
...
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Clarice Lispector!
Qual dos pensamentos dela você gosta mais?
Difícil dizer, não?! Que tal estes abaixo?









Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.



Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.



Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.



Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar.



Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.



Liberdade é pouco.
O que eu desejo ainda não tem nome.



Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.



Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... 
Ou toca, ou não toca.



É curioso como não sei dizer quem sou.
Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. 
Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo.



Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós.



E se me achar esquisita,
respeite também.
até eu fui obrigada a me respeitar.



Ela acreditava em anjo e,
porque acreditava, eles existiam.



Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito.



Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.



Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação.



Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar.



...Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.



...Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.



Tenho várias caras. Uma é quase bonita, outra é quase feia. Sou um o quê? Um quase tudo.




Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas... continuarei a escrever.




E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço.




Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.




Escuta: eu te deixo ser,
deixa-me ser então.



Clarice Lispector
(10 de dezembro de 1920 — 9 de dezembro de 1977)







Foi uma escritora e jornalista brasileira, nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira.
Durante toda sua vida Clarice teve diversos amigos de destaque como Fernando Sabino, Lúcio Cardoso, Rubem Braga, San Tiago Dantas eSamuel Wainer, entre diversos outros literários e personalidades.
A obra de Clarice ultrapassa qualquer tentativa de classificação. A escritora e filósofa francesa Hélène Cixous vai ao ponto de dizer que há uma literatura brasileira A.C. (Antes da Clarice) e D.C. (Depois da Clarice).
Em artigo publicado no jornal The New York Times, no dia 11/03/2005, a escritora foi descrita como o equivalente de Kafka na literatura latino-americana. A afirmação foi feita por Gregory Rabassa, tradutor para o inglês de Jorge Amado, Gabriel García Márquez, Mario Vargas Llosa e de Clarice.


E... Que tal a mensagem dela neste vídeo?
Texto de Clarice e narração da atriz Aracy Balabanian.
Espero "orgulhosamente" ser uma grande BOBA!








Até amanhã!

...


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"Toda reforma foi em algum tempo uma simples opinião particular." (Ralph Waldo Emerson)