14.12.11

237: EM CASO DE DESPRESSURIZAÇÃO



Olá!
Que dia produtivo! Fiz tantas coisas profissionalmente, estou me sentindo uma grande profissional. Foi um dia bastante raro, pois ao invés de sentir uma certa preocupação por esta nova área e um certo peso de responsabilidade, senti muito prazer. É indescritível a sensação que passamos a sentir quando paramos de resistir e deixamos o Universo "se desenrolar" naturalmente... tudo deu certo. Maravilha! 


Mas outra coisa que me chamou a atenção é que no final do dia acabei entrando em contato com uma velha amiga. Comentei que deveríamos marcar um almoço na semana que vem e ela respondeu:
- Estou de dieta! 
Como sou contra dietas, imediatamente comentei sobre o livro que amo nessa área: "Mulheres, comida e Deus" e ela perguntou logo em seguida: 
- E... Como está seu peso?


Encontrei alguém exatamente como eu, jamais aceito conselhos de quem não está e condições de comprovar as suas teorias. Nenhuma pessoa "muito fofinha" terá minha atenção sobre dicas de regime, e assim por diante, pois precisamos primeiro ser exemplo daquilo que queremos demonstrar. Pensando isso, achei este texto da minha "amiga" Martha Medeiros. Espero que goste, pois concordo plenamente com ela!



EM CASO DE DESPRESSURIZAÇÃO


Eu estava dentro de um avião, prestes a decolar, e pela milionésima vez na vida escutava a orientação da comissária: 

- Em caso de despressurização da cabine, máscaras cairão automaticamente à sua frente. Coloque primeiro a sua e só então auxilie quem estiver ao seu lado.

E a imagem no monitor mostrava justamente isso, uma mãe colocando a máscara no filho pequeno, estando ela já com a dela.

É uma imagem um pouco aflitiva, porque a tendência de todas as mães é primeiro salvar o filho e depois pensar em si mesma. Um instinto natural da fêmea que há em nós. 

Mas a orientação dentro dos aviões tem lógica: como poderíamos ajudar quem quer que seja estando desmaiadas, sufocadas, despressurizadas?

Isso vem ao encontro de algo que sempre defendi, por mais que pareça egoísmo: se quer colaborar com o mundo, comece por você.

Tem gente à beça fazendo discurso pela ordem e reclamando em nome dos outros, mas mantém a própria vida desarrumada. 

Trabalham naquilo que não gostam, não se esforçam para manter uma relação de amor prazerosa, não cuidam da própria saúde, não se interessam por cultura e informação e estão mais propensos a rosnar do que a aprender. 

Com a cabeça assim minada, vão passar que tipo de tranqüilidade adiante? Que espécie de exemplo? E vão reivindicar o quê?

Quer uma cidade mais limpa, comece pelo seu quarto, seu banheiro e seu jardim.

Quer mais justiça social, respeite os direitos da empregada que trabalha na sua casa.

Um trânsito menos violento, é simples: avalie como você mesmo dirige.

E uma vida melhor para todos? Pô, ajudaria bastante pôr um sorriso nesse rosto, encontrar soluções viáveis para seus problemas, dar uma melhorada em você mesmo.

Parece simplório, mas é apenas simples. 

Não sei se esse é o tal "segredo" que andou circulando pelos cinemas e sendo publicado em livro, mas o fato é que dar um jeito em si mesmo já é uma boa contribuição para salvar o mundo, essa missão heróica e tão bem intencionada.

Claro que não é preciso estar com a vida ganha para ser solidário. A experiência mostra que as pessoas que mais se sensibilizam com os dilemas alheios são aquelas que ainda têm muito a resolver na sua vida pessoal. 

Por outro lado, elas não praguejam, não gastam seu latim à toa: agem. A generosidade é seu oxigênio.

Tudo o que nos acontece é responsabilidade nossa, tanto a parte boa quanto a parte ruim da nossa história, salvo fatalidades do destino e abandonos sociais. 

E, mesmo entre os menos afortunados, há os que viram o jogo, ao contrário daqueles que apenas viram uns chatos. Portanto, fazer nossa parte é o mínimo que se espera.

Antes de falar mal da "Caras", pense se você mesmo não anda fazendo muita fofoca. Coloque sua camiseta pró-ecologia, mas antes lembre-se de não jogar lixo na rua e nem de usar o carro desnecessariamente. Reduza o desperdício na sua casa.

Uma coisa está relacionada com a outra: você e o universo. Quer mesmo salvá-lo? Analise seu próprio comportamento. 

Não se sinta culpado por pensar em si próprio. Cuide do seu espírito, do seu humor. Arrume seu cotidiano. Agora sim, estando quite consigo mesmo, vá em frente e mostre aos outros como se faz.


Martha Medeiros
O Globo: 07/10/2007



Até amanhã!

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"Toda reforma foi em algum tempo uma simples opinião particular." (Ralph Waldo Emerson)