30.9.11

168: "A verdadeira paz interior"

"A verdadeira liberdade é um ato puramente interior, como a verdadeira solidão: devemos aprender a sentir-nos livres até num cárcere, e a estar sozinhos até no meio da multidão."
(Massimo Bontempelli)




Olá!
Estou feliz, animada, otimista, harmonizada e em paz. Fiz uns exercícios respiratórios/relaxantes que encontrei num livro, amanhã talvez eu publique aqui, pois senti que me fortaleceu muito.
Estou com desafios como todos, mas com certeza estou em paz. Para ilustrar como me sinto, segue um maravilhoso texto para reflexão:



"A verdadeira paz interior"




Havia um Rei que ofereceu um grande prêmio ao artista que fosse capaz de captar em uma pintura a Paz Profunda.




Muitos artistas apresentaram suas telas.


O Rei observou e admirou todas as pinturas, mas houve apenas duas de que ele realmente gostou e teve de escolher entre ambas.


A primeira era um lago muito tranquilo. 


Este lago era um espelho perfeito onde se refletiam plácidas montanhas que o rodeavam. 


Sobre elas encontrava-se um Paraíso muito azul com tênues nuvens brancas.


Todos os que olharam para esta pintura pensaram que ela refletia a Paz Profunda.


A segunda pintura também tinha montanhas.


Mas estas eram escabrosas e estavam despidas de vegetação.


Sobre elas havia um Paraíso tempestuoso do qual se precipitava um forte aguaceiro com relâmpagos e trovões.


Montanha abaixo parecia retumbar uma espumosa torrente de água. 


Tudo isto se revelava nada pacífico.


Mas, quando o Rei observou mais atentamente, reparou que atrás da cascata havia um arbusto crescendo de uma fenda na rocha.


Neste arbusto encontrava-se um ninho.


Ali, em meio ao ruído da violenta turbulência da água, estava um pássaro placidamente sentado no seu ninho… em profunda paz!


O Rei escolheu a segunda tela e explicou: 


– Paz não significa estar em um lugar sem ruídos, sem problemas, sem trabalho árduo para realizar ou livre das dores e das tentações da vida. 


Paz significa que, apesar de se estar em meio a tudo isso, permanecemos calmos e confiantes no santuário sagrado do nosso coração.


Lá encontraremos a verdadeira paz profunda, em silenciosa meditação.


Autoria desconhecida


E por hoje é só...

Até amanhã!

"Desenvolver força, coragem e paz interior demanda tempo. Não espere resultados rápidos e imediatos, sob o pretexto de que decidiu mudar. Cada ação que você executa permite que essa decisão se torne efetiva dentro de seu coração."
Dalai Lama



29.9.11

167: Ninguém pode salvá-lo a não ser você mesmo

"Nós temos medo da vida porque a vida é um fluxo. A mente quer certeza. Se você realmente quer estar vivo, esteja pronto para ser inseguro. Não há nenhuma segurança e não há modo de se criar segurança!
Há somente um modo: não viva, então, você estará seguro. Assim, aqueles que estão mortos estão absolutamente seguros. Uma pessoa viva é insegura. A insegurança é o próprio núcleo central da vida, mas a mente quer segurança."
Osho, em "O Livro dos Segredos"

Obs.: Meu querido amigo Silvano, muito obrigada! Copiei do seu facebook.

Olá!
Hoje acordei e tomei uma decisão: mandar a melancolia embora. Ela me acompanhou por quase 3 dias. Mas não resisti quando ela apareceu. Deixei que ela viesse e simplesmente me entreguei à ela. 
Meu amor ficou preocupado, tivemos aquelas conversas sobre tudo, inclusive relacionamento. Chorei... Pensei e hoje eu disse: chega! Este sentimento já teve a sua quota de participação por no mínimo 1 mês. Agora, que a alegria se manifeste afinal, ela também quer estar presente em minha vida e... assim foi. 



Ele chegou aqui hoje e me apelidou de trifásica. Eu ria tanto e estava tão feliz que ele em sua mente extremamente lógica e racional, não entendia nada. Disse que eu mudo de humor radicalmente e em pouco tempo. Sei que alguns pscicólogos me classificariam como bipolar. Não gosto de rótulos. Sou apenas uma pessoa que está tentando ser feliz e no processo, tento não apresentar muita resistência ao que a vida me oferece. Se estou triste, e daí? Por que fingir que não estou?



Sei que vai passar e que é normal. Creio que eu já escrevi uma vez aqui, mas repito: ninguém pode estar alegre sempre. Quem disser que o é, estará com certeza mentindo. Ser feliz sim, é possível até mesmo na dor, porque ser feliz é uma decisão (uma filosofia de vida, uma escolha) e não depende de fatores externos. Mas estar alegre, sorrindo sinceramente, ah... este é o maior desafio, não é?!



Bem, já estou me tornando repetitiva com esta história de colar textos alheios. Mas o que fazer quando tantos tem algo a dizer muito mais interessante e poderoso do que eu? Que tal este para exemplificar? Mas cuidado, se você segue muito uma religião ou filosofia, provavelmente não gostará do texto abaixo. 



Ninguém pode salvá-lo a não ser você mesmo



Eu não posso lhe dar a verdade, mas posso lhe mostrar a lua... Por favor, não se apegue ao meu dedo que está lhe mostrando a lua. Este dedo desaparecerá. A lua permanecerá e a busca continuará. Enquanto houver um simples ser humano sobre a terra, as flores do sannyas continuarão desabrochando.

Primeiro, eu sou o único homem em toda a história que lhe deu individualidade. Os chamados gurus estiveram fazendo exatamente o oposto: eles estiveram tirando a sua individualidade. Todo o esforço deles era para que você se entregasse a eles. A sua função era apenas tocar-lhes os pés e receber as suas bênçãos.

Meu esforço é totalmente diferente. Você não consegue receber qualquer bênção só por tocar os pés de alguém. Ao contrário, você está tornando aquele homem mais doente e egoísta.

O ego é o câncer da sua alma. Não torne ninguém doente. Tenha compaixão. Nunca toque os pés de ninguém...

Meu esforço é para tirar todas as tradições, ortodoxias, superstições e crenças de sua mente de modo que você possa alcançar um estado de não-mente, o estado supremo de silêncio, onde nem mesmo um pensamento se move. Nem mesmo uma ondulação no lago de sua consciência.

E a coisa toda tem que ser feita por você. Eu não estou dizendo, ‘Simplesmente siga-me, eu sou o salvador. Eu salvarei você.’ Tudo isso é repulsivo. Ninguém pode salvá-lo, a não ser você mesmo.

E a independência espiritual é a única independência que merece ser chamada de independência.


Osho, em Last Testament
Fonte: Osho Neo Sannyas




"Sempre que houver alternativas tenha cuidado. Não opte pelo conveniente, pelo confortável, pelo respeitável, pelo socialmente aceitável, pelo honroso. 

Opte pelo que faz o seu coração vibrar. Opte pelo que gostaria de fazer, apesar de todas as consequências."

Osho

Até amanhã!

...


28.9.11

166: Eu e Jorge Luís Borges


“Não odeies teu inimigo, porque se o fazes, és de algum modo seu escravo. 
O teu ódio nunca será melhor que tua paz.”
(Jorge Luís Borges)


Olá!
Recebi este texto e gostei bastante porque me fez pensar no quanto também amo meus livros. Percebi que tenho diversas coisas em comum com o polêmico Jorge Luís Borges. 
Admiro as pessoas únicas, que não tem medo de dizer nem fazer o que sentem vontade. 
Muitos crêem que levam uma vida normal ou livre, mas estão presos a uma realidade que criaram para si mesmos e na qual pensam não ter outra opção. 
Quando vejo um líder como este, agindo com sua mente e coração, sendo o seu próprio mentor, admiro mesmo e aplaudo. É algo que gostaria de aprender, espero que um dia eu consiga escrever (e fazer) tudo o que penso e sinto com liberdade e segurança!


Obs.: Se já conhece a história dele e apenas quiser apenas rever alguns de seus pensamentos, vá até o final.


Borges, o Sábio Cego na Biblioteca
A Dimensão Filosófica de Jorge Luís Borges
Por Carlos Cardoso Aveline

Jorge Luis Borges (1899-1986)


Em outubro de 1977 eu morava na Argentina. Um jornalista peruano que visitava a cidade conseguiu, graças à minha ajuda indireta, uma entrevista com o escritor Jorge Luis Borges. A amiga que obteve a conversa privada insistiu em convidar-me: eu deveria ir junto.

“Será um prazer”, respondi.


...

A espera não durou muito. Dez minutos mais tarde um Galaxie estacionou junto à calçada oposta, e o motorista ajudou o escritor de 78 anos, cego e trôpego, enquanto ele começava a atravessar a rua movimentada e em obras. O trânsito parou, reverentemente. Borges era um símbolo nacional, um sábio, quase um santo. Todos queriam escutá-lo, e nas ruas não havia quem não o reconhecesse. Embora as suas opiniões políticas paradoxais desagradassem a muitos, ele brilhava como um raio de sol em meio à noite negra da ditadura militar e da violência autoritária.O escritor avançou passo a passo e com ajuda de uma bengala, experimentando o terreno incerto sob os pés, enquanto mantinha o olhar sempre fixo no alto. 

Estava ali a personalidade mais polêmica da Argentina. O seu apoio ao general chileno Augusto Pinochet e a sua opinião cética em relação à realização de eleições no seu próprio país mereciam destaque no jornalismo de Buenos Aires, onde tantas coisas não podiam ser ditas. Mas por detrás das aparências, como eu saberia mais tarde, o velho e sábio escritor estava, misteriosamente, emitindo sinais que preparavam um renascimento da paz. Trazia à tona energia positiva do inconsciente coletivo, e plantava sementes para uma cultura baseada na ética.

Através de incontáveis palestras e entrevistas, Borges recriava a sua própria pessoa. Construía-se a si mesmo em público como um grande personagem saído das páginas de algum livro mágico, que fascinava com os seus paradoxos, as suas tiradas de humor e ironia profunda em relação aos diversos aspectos da vida: política, literatura, turfe ou futebol. Na sua atitude, colocava sempre em primeiro lugar o assombro diante da vida e, em distante segundo plano, os fatos, opiniões e circunstâncias que rodeiam cada ser humano.

A fala de Borges era entremeada por longos silêncios em que ele fitava o vazio com uma expressão de profundo esforço estampada no rosto, enquanto parecia buscar a melhor palavra ou modo de dizer. Mas era uma fala tão abundante e encantadora que aceitava facilmente as interrupções e até algumas mudanças aparentes de tema. No fundo, porém, Borges estava sempre falando de si mesmo, isto é, do seu mundo, do universo segundo a sua sensibilidade.

Durante nossa conversa, chocou-me a inutilidade das palavras. O silêncio parecia mais eloqüente. A percepção da minha própria ignorância limitava o diálogo verbal da minha parte. A presença de Borges parecia esmagadora, porque impunha a seus interlocutores uma atenção total e profunda diante de qualquer tema que fosse abordado. Eu estava impressionado pela sensação de que as palavras faziam mais ruído do que comunicavam, e de que Borges dominava a arte de conversar em silêncio.

“Quais foram as suas primeiras leituras?”

“Não me lembro de uma época em que não soubesse ler e escrever. Se me dissessem que essas são condições inatas, inerentes ao homem desde o seu nascimento, eu acreditaria, baseado na minha experiência pessoal. Criei-me na biblioteca do meu pai, composta em grande parte por livros ingleses. Li os contos dos irmãos Grimm, li Kipling e mais tarde os contos de Andersen. Me criei lendo.”

Borges elogiou o poeta norte-americano Walt Whitman. Disse que George Orwell, autor do romance futurista “1984” (publicado em 1948) e da parábola sobre a revolução russa “A Revolução dos Bichos”, havia sido um tanto pretensioso, e acusou-o de ter pouca imaginação. Para bom entendedor, Borges - um habitante do mundo dos sonhos - criticava Orwell por não ter ido além de denunciar, com realismo e amargura certeira, as ideologias opressoras da primeira metade do século 20.

Não conhecia Khalil Gibran, e tampouco Krishnamurti, uma influência da minha juventude. Borges lamentou: desde os anos 1950, já não podia ler, devido à gradual cegueira que lhe havia trazido para os olhos as sombras da noite.

A conversa deveria durar sessenta minutos, mas prolongou-se durante mais de quatro horas. Por coincidência, um compromisso do escritor foi desmarcado e ele convidou-nos a jantar em um restaurante simples, a um quarteirão de distância.

O seu jantar consistiu de arroz puro com queijo ralado, e uma banana como sobremesa. Foi interrompido várias vezes por pessoas pedindo autógrafos. Escrevia seu nome por extenso, a mão trêmula fazendo uma letra de pessoa semi-alfabetizada.

Borges escreveu um livro sobre Buda, em co-autoria com Alicia Jurado. Entre seus autores preferidos estava William James, respeitado pelos estudiosos de ocultismo. Pesquisou e escreveu sobre a Cabala. Foi admirador de Emanuel Swedenborg, o grande místico sueco do século XVIII. Um dos seus livros mais interessantes é “História da Eternidade”, em que discute a teoria oriental dos ciclos e a idéia do tempo circular. Numa palestra sobre imortalidade, Borges citou repetidamente Pitágoras, fazendo um elogio da sua doutrina sobre a transmigração da alma (reencarnação), e investigando a sabedoria de Sócrates e Platão.A dimensão transcendente de Borges ficou mais clara nos últimos anos de sua vida.

“Perguntaram um dia a Bernard Shaw se ele acreditava que o Espírito Santo havia escrito a Bíblia”, contou Borges em uma palestra pública certa vez. “E Bernard Shaw respondeu: ‘Todo livro que valha a pena ser lido foi escrito pelo Espírito’.”

De fato, Borges percebia o livro como algo quase mágico. Mesmo cego - podia distinguir apenas o vulto de alguém à sua frente - ele seguia comprando livros.

“Eu tenho esse culto ao livro. Posso dizê-lo de um modo que talvez pareça patético e não quero que seja patético; quero que seja como uma confidência que faço a cada um de vocês; não a todos, mas a cada um de vocês, porque todos é uma abstração e cada um é verdadeiro. Eu sigo brincando de não ser cego, sigo comprando livros, sigo enchendo minha casa de livros. Outro dia deram-me a Enciclopédia de Brockhause. Senti a presença desse livro em casa, senti-a como uma espécie de felicidade. Aí estavam vinte e tantos volumes com uma letra gótica que não posso ler, com os mapas e gravuras que não posso ver e, no entanto, o livro estava ali. Sentia como que uma gravitação amistosa vinda do livro. Penso que o livro é uma das formas de felicidade que temos, os homens.” 

Borges escreveu:

“Dos diversos instrumentos do homem, o mais assombroso é, sem dúvida, o livro. Os outros são extensões do seu corpo. O microscópio, o telescópio, são extensões da sua vista; o telefone é extensão da sua voz; em seguida temos o arado e a espada, extensões de seu braço. Mas o livro é outra coisa: o livro é uma extensão da memória e da imaginação.” 

E afirmou a outro jornalista, após a derrota na guerra das Malvinas e reforma das forças armadas argentinas:

“Quero insistir no fato de que sou pacifista. Neste país havia 82 generais, que foram reduzidos a quarenta: agora há, pois, um excesso de quarenta generais. Não há nenhuma razão para que os militares governem um país, é algo tão absurdo quanto que o façam os escritores ou os dentistas.” 

Sobre a rotina das crenças religiosas e partidos políticos, Borges afirmou:

“O homem, em geral, é muito acomodado e prefere que outros assumam a responsabilidade por seus atos. Professar uma religião ou afiliar-se a um partido político é um bom pretexto para não pensar”.

O cineasta Ruy Guerra contou que Borges, já quase com 80 anos, passou certa vez três dias intensos dando palestras, participando de almoços e recebendo homenagens na capital do México. Depois disso tudo, havia apenas um dia livre antes de voltar a Buenos Aires. Borges pediu a um amigo argentino que morava na capital do México que o levasse às pirâmides aztecas em Yucatán. O amigo explicou ao velho escritor cego que se tratava de uma viagem extremamente cansativa, entre táxis e aviões. Teriam de viajar o dia inteiro, e só poderiam ficar uma hora no local das pirâmides. Mas Borges não mudou de idéia, e foram até Uxmal. Frente à pirâmide azteca do século 10, o escritor sentou-se sobre uma pedra, com o queixo apoiado sobre a velha bengala, os olhos fixos em algum lugar desconhecido. Levantou-se exatamente uma hora mais tarde. Ao final do passeio qualificou a visita à pirâmide como “inesquecível”. Os seus olhos vazios brilhavam, mas ninguém sabe o que ele viu ou percebeu por lá.

“O que é o tempo?”, perguntou Borges durante uma palestra pública em Buenos Aires. “Não sei se, mesmo depois de 20 ou 30 séculos de meditação, já avançamos muito na questão do tempo. Eu diria que sempre sentimos esta antiga perplexidade, esta que Heráclito sentiu, mortalmente, naquele exemplo a que eu volto sempre: ninguém se banha duas vezes no mesmo rio. Porque é que ninguém se banha duas vezes no mesmo rio? Em primeiro lugar, porque as águas do rio fluem. Em segundo lugar - e isto é algo que nos toca metafisicamente, que nos dá uma espécie de horror sagrado - porque nós mesmos somos também um rio, nós também somos flutuantes. O problema do tempo é este. É o problema da fugacidade: o tempo passa.” 

Pouco depois, nesta palestra, Borges retomou o tema da transmigração ou reencarnação. E acrescentou:

“Talvez sejamos ao mesmo tempo, como crêem os panteístas, todos os minerais, todas as plantas, todos os animais, todos os homens. Mas felizmente não o sabemos. Felizmente acreditamos na existência de indivíduos. Porque senão seríamos esmagados, aniquilados por essa plenitude.”

Para Borges, o tempo é a imagem móvel da eternidade. “O tempo é sucessivo porque, tendo saído do eterno, quer voltar ao eterno. Quer dizer, a idéia de futuro corresponde ao nosso desejo de voltar ao princípio. Deus criou o mundo. E todo o mundo, todo o universo das criaturas, quer voltar a esse manancial eterno que é intemporal, não anterior nem posterior ao tempo, mas que está fora do tempo.”

No final da sua vida, de certo modo, Borges tinha a sensação de que o tempo não havia transcorrido. Dois anos antes de morrer, ele, que havia nascido entre os livros, visitou a capital de São Paulo e, entre uma palestra e outra, confessou:

“Apesar de ter percorrido o mundo todo, tenho a impressão de nunca haver saído da biblioteca do meu pai.” A figura de pai, para ele, tinha algo de arquetípico. Seu pai era também seu mestre.

Uma vez perguntaram-lhe se acreditava em Deus. “Não acredito em Deus, não consigo”, respondeu. “Mas um dia meu pai disse que este universo é tão estranho que pode ser, subitamente, que a Santíssima Trindade exista. Não posso acreditar na pessoa de Deus, mas consigo acreditar em um Deus que está em transformação, como Bernard Shaw disse, um Deus que trabalha através de nós, através das plantas e dos animais.” 

Quando lhe perguntaram se aceitava ser chamado de gênio, defendeu-se:

“É uma injúria. Eu sou apenas um homem lúcido, que não tem valor e com pouca esperança. Não há muito o que esperar na minha idade. Eu só gostaria de poder ver mais moralidade, mais ética ao meu redor. Em outros planos e esferas, a economia sempre encontrará alguma solução.” 


Mais pensamentos do autor:




"O dever de todas as coisas é ser uma felicidade."


"O livro é uma extensão da memória e da imaginação."


"A memória é o essencial, visto que a literatura está feita de sonhos e os sonhos fazem-se combinando recordações."


"O tempo é a substância com a qual estou acostumado."


"Esporte: eu creio que teria que inventar um jogo no que ninguém ganhasse." 


"Sem leitura não se pode escrever. Tampouco sem emoção, pois a literatura não é, certamente, um jogo de palavras. É muito mais. Eu diria que a literatura existe através da linguagem, ou melhor, apesar da linguagem."


"No passado cometi o maior pecado que um homem pode cometer: não fui feliz."


"Não há prazer mais complexo que o do pensamento."


"O tempo não existe. É apenas uma convenção."


"Eu não bebo, não fumo, não escuto rádio, não me drogo, como pouco. Eu diria que meus únicos vícios são Dom Quixote, A Divina Comédia e não incorrer na leitura de Enrique Larreta nem de Benavente."


"Suspeitei uma vez que a única coisa sem mistério é a felicidade, porque se justifica por si só."


"Eu não falo de vinganças nem perdões, o esquecimento é a única vingança e o único perdão."


"Há derrotas que têm mais dignidade do que a vitória."


"Alguém está apaixonado quando se dá conta de que outra pessoa é única." 


"Que outros se gabem das páginas que escreveram; eu me orgulho das que li." 


"Tome cuidado ao eleger seus inimigos pois pode terminar parecendo-se com eles."


"Quiçá porque já não vejo a felicidade como algo inatingível; agora sei que a felicidade pode ocorrer em qualquer momento e que não se deve a perseguir." 







Até amanhã...


27.9.11

165: A minha fé


“Não mais considero a felicidade inatingível como há muito tempo eu a considerava. Agora sei que ela pode acontecer a qualquer momento, mas que nunca deveria ser buscada. Quanto ao fracasso ou à fama, são muito irrelevantes e nunca me preocupei com eles. O que estou procurando agora é a paz, a alegria de pensar e da amizade, e, embora possa parecer demasiada ambição, uma sensação de amar e de ser amado.” (Jorge Luís Borges)

Olá!

Hoje acordei melancólica e este sentimento me acompanhou quase o dia todo. Não havia nenhuma razão externa, como sempre estava tudo apenas "dentro de mim". 
Achei que não seria uma boa companhia, então... Liguei pra minha mãe, cancelando o meu compromisso de levar a minha vozinha ao médico, pedi que ela me substituísse e ela como sempre, aceitou. Pensei que este sentimento duraria alguns dias, parecia maior do que eu. Procuro não resistir aos dias aparentemente "ruins", eles são necessários, trazem o equilíbrio e nos fazem pensar. 


Além do mais, citarei novamente o clichê: São esses dias que fazem a gente perceber o que é um dia bom, quando algo maravilhoso acontece, não é mesmo?!
Mas meu amor veio aqui e aos poucos, naturalmente tudo melhorou. 
Talvez o pequeno gesto dele ter feito um bolo e trazido para mim tenha feito um efeito maior do que ele esperava, pois realmente me animou e ele nem sabia que eu estava assim. Acho que os verdadeiros gestos de amor são assim, espontâneos e sutis, mas transformadores, não é mesmo?! E... Estava uma delícia! 




Ontem deixei no ar o seguinte assunto: É possível mantermos sempre a nossa fé?
Então preciso voltar no tempo para descrever algo que ocorreu comigo. Agosto de 1999, fui embora para os Estados Unidos, estava noiva de um americano e fui fazer pós. Na época eu tinha uma companheira inseparável: a rinite alérgica. Já havia feito diversos tratamentos: acupuntura, vacinas, homeopatia e outros e... nada funcionou, nem ao menos diminuiu. Eu espirrava muito ao contato com pó, cigarro, pelo de animais, pólen, etc... 


Sentia uma enorme coceira nos olhos e nos ouvidos, além de dor de cabeça. Meu nariz ficava muito congestionado e eu usava Sorine (descongestionante nasal) sem parar havia 7 anos. Cheguei a usar quase um frasco por dia neste período. Não conseguia ficar sem, quando via que ia acabar já comprava vários, pois era dependente dele pra "funcionar". Porém mesmo com ele, sentia sempre um desconforto e espirrava muito. Os médicos diziam: não existe cura, você viverá assim pra sempre.



Então... comprei uns 12 frascos e fui para os Estados Unidos. Pensei em encontrar o mesmo remédio lá quando precisasse ou outro similar. Só que aconteceu algo desagradável, devido ao fato de eu usar muito este medicamento, toda a minha camada de pele interna do nariz até a garganta estava em carne viva, tentei pingar outros remédios, mas queimava como se eu tivesse colocando álcool numa ferida aberta. Doía demais e não havia nenhum com a mesma fórmula do Sorine, o único que eu conseguia usar.


Até que certa noite, fui dormir e... Levei um susto! Percebi que só tinham algumas gotas, procurei e vi que era o último frasco. Fiquei desesperada, como se a minha vida dependesse daquilo. Só quem já passou por isso pode imaginar como é ruim. O nariz começava a congestionar e a impressão que eu sentia era que não conseguiria respirar, como se fosse faltar ar. Além da enorme dor de cabeça e outros efeitos.



No Brasil quando acabava mesmo de madrugada eu ligava para a farmácia 24 horas para virem entregar aqui em casa. 
Mas lá nos Estados Unidos, o que eu poderia fazer se já havia tentado e nada havia dado certo?
Mesmo que minha família enviasse por Sedex, levaria vários dias para chegar uma encomenda. 
O que você teria feito no meu lugar?


Estava noutro país, sem a família e os amigos, além do mais lá havia um controle mais rígido sobre remédios, teria que marcar uma consulta, esperar... Mas estava cheia de aulas no dia seguinte e não sabia o que fazer. Chorei desesperadamente. 
Aí meu ex noivo se aproximou e disse: Calma, vamos fazer uma oração, você vai dormir e amanhã nós encontraremos uma solução, ok?
Sabe aqueles momentos em que você quer uma solução mais rápida e prática? Não queria rezar, queria mais Sorine só isso; mas como não era possível, aceitei meio relutante a proposta dele.


Antes que eu continue, aqui vai um belo parênteses:
O Marc (meu ex noivo) havia sido criado numa família de Mórmons, mas não havia se convertido, de modo que me dizia não acreditar em nada. Ele algumas vezes demonstrou curiosidade sobre alguns livros espiritualistas quando nos conhecemos, mas eu procurei sempre respeitar a individualidade dele e nunca impus as minhas crenças. Ele era praticamente um ateu, então não entendi quando ele propôs uma oração, talvez ele sentisse que me acalmaria, que seria um paliativo, sei lá...


Continuando...
Ele deitou na beirada da cama, colocou a mão na minha cabeça e disse algo mais ou menos assim: 
"Deus, a Marcia é uma boa pessoa, cuida bem dela, ela está sofrendo, com medo e merece ficar bem. Se existir alguma razão pela qual ela está assim, que vá embora. Se for algum espírito ruim ou energia negativa, que tudo isso desapareça agora e que ela consiga dormir bem e ter um bom dia amanhã." 
O tom de voz dele era tão angelical, ele realmente emanava um carinho, um desejo sincero de que eu melhorasse e eu me acalmei e em poucos minutos... dormi.



Pela primeira vez em anos, não acordei de madrugada para pingar mais remédio e quando finalmente acordei pela manhã: não precisei mais do Sorine. Milagre?! De certa maneira sim, mas eu te digo que o que existiu foi apenas uma oração simples, mas de coração e uma entrega total, pois não parecia haver outra saída. Talvez isso seja orar mesmo, quando a gente abre o coração e depois desapega.





Em nenhum momento o Marc pediu a minha "cura", mas ela ocorreu. Fiquei anos guardando o restinho do último frasco, só para eu me lembrar do quanto Deus é poderoso. Nosso poder de cura é infinito e está sempre ao nosso alcance, precisamos apenas nos entregar e confiar.



A sensação de não ter mais rinite crônica é mágica! Como é bom respirar livremente... Tudo bem, eu confesso que o cheiro da fumaça de cigarro me incomoda, mas não como antes, apenas acho desagradável. Também sinto uma leve coceira no nariz e nos olhos quando estou num local com muitos pelos de animais, mas nada se compara a liberdade de não depender do Sorine 24h/dia. Sou muito grata por isso, tenho uma saúde maravilhosa. 



Mas antes de ir para a cama gostaria de dizer algo tão ou mais importante que a mensagem acima. Houveram outras vezes em que minhas orações não surtiram resultado algum. Me senti ainda mais triste, desamparada ou desesperada. Portanto, saiba que não tenho as respostas. Apenas experiências que gosto de compartilhar.



Sei que a saúde é reflexo de meu estado mental e emocional, então procuro estar bem para eliminar a causa principal, só isso. Mas gostaria de dizer que humildemente eu admito: certas vezes sinto Deus tão forte dentro de mim (pois somos seres divinos, na verdade somos Deus). Esta sensação é tão espetacular e é difícil explicá-la em palavras, de tão sublime... Outras vezes sinto exatamente o contrário. 



Mas se até Cristo, nos momentos em que mais precisava dEle se sentiu abandonado, então posso me considerar uma pessoa normal, não é mesmo?! Talvez o equilíbrio na vida seja este, certos dias estaremos muito bem, outros mais ou menos e em alguns, desconectados desta "Fonte" divina.



Agradeço sinceramente aos "anjos" que estiveram ao meu lado, nos momentos em que mais precisei. Acho que eles sabem quem são. Só posso desejar que suas vidas sejam cada vez mais felizes! 

Amigos são anjos de uma asa só


Existe uma história de uma simplicidade linda, que eu gostaria de contar. Uma lenda, um acalanto. Não sei se é verdade. e não importo-me com isso. Não precisa ser.

Foi há muito tempo atrás, depois do mundo ser criado e da vida completá-lo. Num dia, numa tarde de céu azul e calor ameno. Um encontro entre Deus e um de seus incontáveis anjos. Acredita em anjos?

Deus estava sentado, calado. Sob a sombra de um pé dejabuticaba. Lentamente, Deus erguia suas mãos então colhia uma ou outra fruta.

Saboreava sua criação negra e adocicada. Fechava os olhos e pensava. Permitia-se um sorriso piedoso. Mantinha seu olhar complacente.

Foi então que das nuvens um de seus muitos arcanjos desceu e veio em sua direção.

Já ouviu a voz de um anjo? É como o canto de mil baleias. É como o pranto de todas as crianças do mundo. É como o sussurro da brisa.

Ele tinha asas lindas... brancas, imaculadas. Ajoelhou-se aos pés de Deus e falou:

"Senhor... visitei sua criação como pediu. Fui a todos os cantos. Estive no sul, no norte. No leste e oeste. Vi e fiz parte de todas as coisas. Observei cada uma de suas crianças humanas. E por ter visto vim até o Senhor... para tentar entender. Por quê? Porque cada uma das pessoas sobre a terra tem apenas uma asa? Nós anjos temos duas... podemos ir até o amor que o Senhor representa sempre que desejarmos. Podemos voar para a liberdade sempre que quisermos. Mas os humanos com sua única asa não podem voar. Não podem voar com apenas uma asa..."

Deus na brandura dos gestos, respondeu pacientemente ao seu anjo. 

"Sim... eu sei disso. Sei que fiz os humanos com apenas uma asa..." 

Intrigado, com a consciência absoluta de seu Senhor o anjo queria entender e perguntou:

"Mas por que o Senhor deu aos homens apenas uma asa quando são necessárias duas asas para poder-se voar... para poder ser livre?"

Conhecedor que era de todas as respostas Deus não teve pressa para falar. Comeu outra jabuticaba, obscura e suavemente. Então respondeu...

"Eles podem voar sim meu anjo. Dei aos humanos apenas uma asa para que eles pudessem voar mais e melhor que Eu ou vocês meus arcanjos... Para voar, meu amigo, você precisa de suas duas asas... Embora livre, sempre estará sozinho. Talvez da mesma maneira que Eu. Mas os humanos... os humanos com sua única asa precisarão sempre dar as mãos para alguém a fim de terem suas duas asas. Cada um deles tem na verdade um par de asas... uma outra asa em algum lugar do mundo que completa o par. Assim eles aprenderão a respeitarem-se pois ao quebrar a única asa de outra pessoa podem estar acabando com as suas próprias chances de voar.
Assim meu anjo, eles aprenderão a amar verdadeiramente outra pessoa... aprenderão que somente permitindo-se amar eles poderão voar. Tocando a mão de outra pessoa em um abraço correto e afetuoso eles poderão encontrar a asa que lhes falta... e poderão finalmente voar. Somente através do amor irão chegar até onde estou... assim como você meu anjo. E eles nunca... nunca estarão sozinhos quando forem voar."

Deus silenciou em seu sorriso. O anjo compreendeu o que não precisava ser dito.

E assim sendo, no fim desse conto, espero que você já tenha encontrado a sua outra asa, ou a encontre logo para finalmente poder voar.
(Autor desconhecido)



Até amanhã!


"Nenhuma grande vitória é possível sem que tenha sido precedida de pequenas vitórias sobre nós mesmos."
(L. M. Leonov)