15.1.12

252: Intimidade



(Deixarei excepcionalmente "sem" nenhum pensamento. Que cada um crie o seu baseado na imagem.
Só sei que é linda e me inspira)

Olá!
Dia delicioso!
Comecei com de banho de sol, meditação e leitura.
Depois almocei na minha mãe. Ela fez um dos meus pratos favoritos. 
Conversei com a minha vozinha que talvez complete 93 anos no mês que vem e fiquei pensando como deve ser difícil para ela continuar vivendo. 
O que me tira da cama geralmente é uma "gana" de experimentar a vida, de saborear cada momento, de ter sonhos, planos, metas, mas procurar curtir ao máximo o agora.
Há tanta coisa que quero viver que esta vida será curta.
Mas e ela? Que já viveu e já sofreu tanto e que não sonha mais nada? 
Segundo a última consulta que ela fez, a saúde dela é perfeita e ainda vai viver muito. Mas ela não é feliz e ainda por cima é hipocondríaca e tem muito medo da morte. Viver assim vale a pena?


Eu nem tenho plano de saúde, pois não está nos meus planos adoecer, sempre tive uma saúde excelente e sei que só depende de mim que ela permaneça assim.
Na minha opinião só vale a pena viver mais se for com qualidade, sendo feliz! Quantidade e qualidade nem sempre andam juntas, né? 
Mas mudando de assunto, hoje tive uma surpresa muito agradável. Minha melhor amiga (Andrea Heller) veio hoje da Noruega para passar uns dias a trabalho aqui em Curitiba. Pretendo vê-la esta semana e curtir a sua presença tão especial em minha vida.
No mais, agora já é tarde, ontem escrevi bastante e ainda quero ver umas coisas que deixei gravadas na TV.
Mas antes de "ir" gostaria de dizer que estou sentindo, visualizando, programando uma semana bem especial para mim e como toda a felicidade é melhor sentida quando compartilhada, espero que a sua também seja bem especial!


E como eu não poderia deixar de falar sobre ele, aqui vai... O AMOR! Mais uma vez presente neste espaço.



INTIMIDADE

Martha Medeiros



Houve um tempo, crianças, em que a gente não falava de sexo como quem fala de um pedaço de torta. Ninguém dizia Fulano comeu Beltrana, assim, com essa vulgaridade. Nada disso. Fulano tinha dormido com ela. Era este o verbo. O que os dois tinham feito antes de dormir, ou ao acordar, ficava subentendido. A informação era esta, dormiram juntos, ponto. Mesmo que eles não tivessem pregado o olho nem por um instante.

Lembrei desta expressão ao assistir Encontros e Desencontros. No filme, Bill Murray e Scarlett Johansson fazem o papel de dois americanos que hospedam-se no mesmo hotel em Tóquio e têm em comum a insônia e o estranhamento: estão perdidos no fuso horário, na cultura, no idioma, e precisando com urgência encontrar a si mesmos. Cruzam-se no bar. Gostam-se. Ajudam-se. E acabam dormindo juntos. Dormindo mesmo. Zzzzzzzzzzz.

A cena mostra ambos deitados na mesma cama, vestidos, conversando, quando começam a apagar lentamente, vencidos pelo cansaço. Antes de sucumbir ao mundo dos sonhos, ele ainda tem o impulso de tocar nela, que está ao seu lado, em posição fetal. Pousa, então, a mão no pé dela, que está descalço. E assim ficam os dois, de olhos fechados, capturados pelo sono, numa intimidade raramente mostrada no cinema.

Hoje, se você perguntar para qualquer pré-adolescente o que significa se divertir, ele dirá que é beijar muito. Fazer campeonato de quem pega mais. Beijar quatro, sete, treze. Quebram o próprio recorde e voltam pra casa sentindo um vazio estúpido, porque continuam sem a menor idéia do que seja um encontro de verdade, reconhecer-se em outra pessoa, amar alguém instintivamente, sem planejamento. Estão todos perdidos em Tóquio.

Intimidade é coisa rara e prescinde de instruções. As revistas podem até fazer testes do tipo: “descubra se vocês são íntimos, marque um xis na resposta certa”, mas nem perca seu tempo, a intimidade não se presta a fórmulas, não está relacionada a tempo de convívio, é muito mais uma comunhão instantânea e inexplicável. Intimidade é você se sentir tão à vontade com outra pessoa como se estivesse sozinho. É não precisar contemporizar, atuar, seduzir. É conseguir ir pra cama sem escovar os dentes, é esquecer de fechar as janelas, é compartilhar com alguém um estado de inconsciência. Dormir juntos é muito mais íntimo que sexo.




Até amanhã!

...


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"Toda reforma foi em algum tempo uma simples opinião particular." (Ralph Waldo Emerson)