1.2.12

260: Mais um recomeço




Olá!
Por diversos meses consegui cumprir a tarefa/promessa de escrever aqui diariamente. Ultimamente acabei fazendo o contrário. É que certas vezes a vida dá umas voltas "malucas" que a gente muitas vezes precisa colocar a cabeça no lugar primeiro para depois saber o que houve e só então registrar aqui. São aqueles momentos em que tudo está sendo "sacudido", nada parece estar no lugar. As palavras não vêm ainda porque algumas coisas ainda não fazem sentido. Hoje sinto que preciso relatar mais umas experiências importantes que tive nos últimos 10 dias.



Como comuniquei aos "quatro ventos" meu sincero desejo para que ocorresse em minha vida uma mudança "radical", algumas pessoas se adiantarem e procuraram me dar um "empurrãozinho" para que eu considerasse algumas possibilidades. Uma delas veio da minha melhor amiga, a qual já comentei diversas vezes. Chama-se Andrea Heller, e apesar de brasileira mora atualmente em Oslo, na Noruega.



Ela acabou me apresentando um colega de trabalho que também mora na Noruega, mas na verdade é búlgaro. Eu e ele conversamos muito nos últimos dias e acabei achando-o muito interessante; como eu não achava alguém há muito tempo. Talvez porque ele morou em 5 ou 6 países e por esta razão tem uma cultura enorme, confesso que sempre fui um pouco xenófila.* (Xenofilia = Grande simpatia por pessoas ou coisas estrangeiras.)


verdade é que após diversas horas de conversas a dois todos os dias, durante uma semana, ele acabou me fascinando. 
É também inventor e uma das suas invenções é um motor não poluente com grande potencial de fazer a diferença no mundo atualmente, espero que ele consiga vencer o desafio contra as empresas de petróleo. A Terra agradece!
Trocamos ideias sobre tudo, de ópera à samba, futebol à ski, religião à filosofia, política à culinária,  lazer e trabalho, enfim... 
Um homem inteligente, disponível, bonito, atencioso e que goste de conversar é algo muito atraente, não é?!


Embora eu estivesse ainda um pouco receosa, estava caminhando em direção a aceitar o convite para viajar para a Noruega na Páscoa e passar um tempo lá com ele, minha amiga e mais uns amigos em comum.
Esta viagem seria curta, mas seria uma ocasião para eu poder verificar se gostaria de talvez morar lá, conhecer a cultura, o país em geral e experimentar um relacionamento com ele. Pois é... Quando eu prometi renovação, eu não estava brincando, não é?!


A verdade é que  comecei a duvidar se esta seria mesmo a melhor opção para mim. O inverno norueguês é muito rigoroso, dura um período extenso. Também não falo o idioma norueguês, eu e ele nos falamos apenas em inglês, ele não fala português, embora fale outros 5 idiomas. Também há o fato de que a partir dos relatos da minha amiga, não sei se eu me acostumaria com a alimentação local. Ele esteve no Brasil por vários meses e ficou impressionado com a nossa "alegria contagiante", ou "como sabemos viver a vida". 
Pensei nos meus amigos daqui, na minha família, no quanto eu amo este país, mas procurei desapegar, pois muitas vezes precisamos nos aventurar mais na vida e ampliar os horizontes, não é?!


Ele me disse que estava procurando alguém para casar e ter filhos e que queria que se possível, fosse algo feliz e duradouro. Também queria que eu fosse conhecer toda a família dele na Bulgária em abril. Disse que me levaria andar de balão na região mais bela da Turquia. Enfim.. Tudo estava bom demais porém, resolvi pedir orientação "divina". Parecia muita coisa em pouco tempo. Mesmo interessadíssima nele, resolvi entregar nas mãos de Deus, do Universo, dos Anjos, Santos e Antepassados.


Embora eu ainda não tivesse dito sim à ele, não estava preparada para mudar de rumo novamente de volta ao Brasil, estava quase convencida de que deveria "me aventurar neste sentido", deixar rolar. Usei todas as minhas forças para me convencer de que eu conseguiria me habituar à esta nova cultura e que aprenderia o idioma e quem sabe até, poderia ser bem feliz por lá. Foi aí que eu e ele tivemos uma conversa definitiva justamente minutos após eu ter seriamente pedido esta "orientação". 

"Se você quer o arco-íris,
você tem que suportar um pouco de chuva."
Wally Parton

Ele me disse que eu deveria conhecer o país primeiro porque não tinha certeza de que eu seria mesmo feliz lá porque o Brasil tem uma alegria e um calor humano que diz não existir lá. 
Também confessou que tinha poucos amigos, que não considerava um país muito sociável e que eu teria que me habituar a ter menos amigos, menos diversão, menos lazer.
Comentou mais algumas coisas mas pretendo ocultá-las aqui, mas me fizeram acreditar que ele não é feliz lá e que deseja se mudar para um país mais semelhante ao nosso. Na verdade segundo ele, nos próximos anos pretende se mudar para uma praia com muito sol e calor.


São palavras dele, por esta razão não sei se correspondem à verdade, mas por esta e outras razões, então esta hipótese de eu ir para lá na Páscoa com a intenção de conhecer para talvez um dia morar lá já não existe mais. 
Tomei a decisão de não investir mais neste projeto.
Foi um belo sonho que teve início, meio e fim! Agora, mudei completamente de rumo novamente e aqui estou eu em mais um recomeço.

"Entre o estímulo e a resposta há um espaço.
Neste espaço está nosso poder de escolher nossa resposta.
Em nossa resposta reside nosso crescimento e liberdade."
Victor Frankl

Pensei em conhecer o país sim, neste primeiro semestre se possível, mas não mais com a intenção de talvez um dia me mudar para lá. 
E... Foram estas as experiências que tive nos últimos 10 dias. 
Pensei muito nisso e por este motivo não sabia ainda o que escrever aqui, estava pesando os prós e contras de uma experiência destas e queria chegar a uma decisão sozinha. Se eu perguntasse a 100 pessoas, teria 100 pontos de vistas diferentes e se não seguisse a minha intuição ficaria mais perdida do que já estava.

"Você nunca é tão velho, nem tão ruim, nem tão atrasado e nem tão doente para começar do zero novamente."
Bikram Choudhury

Não gosto de sentir que não tenho o controle da situação. Queria que tudo pudesse ser previsível. Esta experiência me ensinou que não sou tão adaptável quanto esperava. Finalmente estava aceitando uma possível mudança para a Europa, porém quando percebi que talvez não fosse o melhor, fiquei chateada por ter que recomeçar mais uma vez. 
Agora entendo, não fiquei desanimada com a mudança de rumo para permanecer no Brasil e sem ele, o que me desanimou é que sou muito crítica comigo, não aceito "errar", queria que tudo desse certo imediatamente como num passe de mágica. 



Nem sempre considero os acontecimentos como experiência, no fundo imagino que "me enganei". Fico remoendo o fato de que poderia não ter tido que imaginar uma vida na Noruega, já que não aconteceria. Dá para entender?
Será que só eu complico demais as coisas?
Queria sempre conseguir fazer escolhas certas, duradouras... Quero garantia de que tudo vai dar certo. Sim!!! Quero o novo, mas talvez tenha medo dele, e então como faço?



Mas...
O novo ainda me espera, não é? Não tenho controle mesmo sobre o que vai acontecer, apenas como reajo às mudanças, então procurarei ser mais flexível.
E assim termina mais um capítulo da minha renovação. O que será que ainda me aguarda? Tokyo, Barcelona, Guarapuava, Paris, Nova Iorque, Salvador, Atenas, Niterói, Kuala Lampur? Não sei, mas começo a sentir que será algo melhor, com certeza!



PS.: Mais de 100 mil visualizações hoje, sinto uma alegria imensa! Se dentre todas estas, uma delas tiver sido especial para alguém, este espaço já terá valido a pena! Muito obrigada por participar comigo desta jornada.




Até amanhã!

...




2 comentários:

  1. Seus posts sempre fazem diferença na minha vida! Obrigada mais uma vez...
    Ro

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  2. Seus posts sempre fazem diferença na minha vida! Obrigada mais uma vez...
    Ro

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"Toda reforma foi em algum tempo uma simples opinião particular." (Ralph Waldo Emerson)