29.2.12

268: Ponto de encontro




Olá!
Continuo no processo que teve início em minha primeira publicação deste ano. Mudanças, transformações... Me abri para o novo e muitas oportunidades surgiram. É incrível como o universo realmente responde e não gosta de lugares vazios, quando esvaziamos nossos armários internos e deixamos um espaço livre para o novo, ele surge com toda a sua força. 
Estou feliz... E é isso o que importa, não é?


Mas... Também tenho meus momentos de incerteza. Gostaria que tudo fosse perfeito. Ter garantias prévias de sucesso. Sei que é impossível. Porém será que este não é o desejo secreto de todos nós? A confirmação adiantada de que teremos êxito em nossas empreitadas? 
Um novo amigo do facebook me enviou o texto dele abaixo e eu amei. É sobre este tema, espero que goste!



"Ponto de encontro"
Lázaro de Carvalho


Um ponto é a confluência de muitas linhas, portanto um ponto de encontro significa o ponto comum a diversas linhas de pensamento. Ele representa a convergência, ou somatório de pensamentos, sentimentos e ações. Muitas atitudes inconsequentes e omissas aportaram ali, e assim permanecem inconscientes. Tememos as mudanças, pois muito daquilo que foi esquecido pode vir à tona ao refazermos antigas malas. Todo este conjunto de pensamentos, sentimentos e ações, tanto conscientes como inconscientes, tornou-se o tecido a que chamamos ‘ser’. O ponto de encontro sinalisa o fixo e todas as suas possibilidades de transformação, sendo estas últimas o conteúdo de interesse deste artigo.


Um instante é indiferente ao passado, presente e futuro. Em milésimos de segundos uma simples idéia, um instante de pensamento, já se tornou passado. A sua projeção integra o futuro, mas o instantâneo de uma ação pode não estar tão presente como desejamos que esteja. O ponto pode ser o extremo de duas linhas, mas ao mesmo tempo é a própria linha, pois uma linha é um limiar entre dois mundos, um instante de tempo. O temporal e o atemporal são diferentes apenas numa retórica de espaço-tempo, mas únicos quando suscetíveis a um simples ponto. Estar conscientes do encontro e se colocar no local exato onde ocorrerá, é um exercício que poucos são capazes de praticar.


Afastamo-nos do mistério! Sendo esssa nossa condição humana, nos afastamos da escuridão e de tudo aquilo que não conseguimos razoavelmente explicar. Ao chegarmos em casa, a nossa primeira atitude é acender as luzes e verificar se tudo está exatamente como deixamos ao sair. Mas o vasto mundo das ruas, sua rotinas e procedimentos, também adentram junto de nós. Somos entidades condutoras de todo tipo de respostas, inclusive aquelas que julgamos já esquecidas, ou pensamos ter deixado lá fora.


Há uma infinidade de pontos ou posições estratégicas em que podemos ou não definir o encontro, mas preferimos um local privilegiado, onde nossa segurança pessoal esteja credenciada como possibilidade real de êxito. Este ponto inclui um senso racional de segurança pessoal, ou seja, o comum e rotineiro, sem qualquer interferência do abstrato, daquilo que induz ao mistério e à vida.






Mas, de alguma forma se faz necessário contrapor o mistério à estupidez que habita cada um de nós. Em verdade, esse mistério não é louvável, ou talvez, seja até digno de censura por parte do consenso e da razão. Se algo ou alguém não nos convidar ao inusitado, continuaremos dormindo e sonhando rotinas, as mesmas que nos dão uma falsa segurança de existir razoavelmente dentro de padrões aceitáveis.


Há um propósito sutil, ou até mesmo uma aparente incongruência no Tratado. O seu propósito é nos conduzir pelas mãos a um novo ponto de encontro, onde a convicção não esteja tão segura de si quanto agora. E, em seguida, ratificar essa posição como o início de uma nova fase de assimilação e relacionamento. A isso chamamos ‘Uma nova maneira de pensar’. Não existe posição mais convidativa à Observação de Si Mesmo que aquela em que nos encontramos distantes do nosso sistema normal de precisar e nos reconhecer como seguros e protegidos. Somente assim nos abstemos de julgar algo como ofensivo e prejudicial aos artifícios impostos pela razão.






Quando alteramos conscientemente a posição do ponto de encontro e impomos a nós mesmos a não-pecepção emocional de tê-lo mudado sistematicamente (ou seja, aquilo que chamamos ‘fazer’), as possibilidades de reencontrar nossa totalidade tornam-se bem maiores. Algo ‘fez’ e assim possibilitou mudanças. É um não-ego, uma não-convicção, um tributo à gratidão. É como se partes fagmentadas de nós mesmos, separadas e não-comunicantes, tivessem a oportunidade de se recompor como um todo pensante e ativo. A isso chamamos ‘homem integral’, aquele que unificou as partes dissociadas de sua personalidade. Em outras palavras, torna-se possível a Lembrança de Si Mesmo, que seria impossível na rotina de uma vida plenamente segura e repleta de marasmos.


Vale salientar que não existe nada mais difícil em nossa vida de homens comuns que mudar a posição previamente fixada do ponto de encontro. Ele encontra-se selado pelas circunstâncias e nutrido pela razão. Diria que este ponto de encontro é um auto-reflexo, induzido por tudo aquilo que nos é condizente. Mudar a sua posição é a coroação daquilo que chamamos de ‘Uma nova maneira de pensar’. Portanto, é essa mudança que possibilita deixar a terra firme de nossas convicções, abrindo assim um leque a novas possibilidades e conquistas.

UM VERDADEIRO MISSIONÁRIO É AQUELE QUE MARCA UM NOVO PONTO DE ENCONTRO CONSIGO MESMO, SEM NECESSIDADE DE ALTERAR NADA À SUA VOLTA.

No caminho de um Homem de Conhecimento mudar esse ponto de encontro é tudo, pois aquilo que foi demarcado pela tradição e previamente escolhido por outros fica para trás. Mas quando insistimos em mantê-lo coeso abrimos mão do novo, ou seja, nos mantemos selados a toda e qualquer possibilidade. É a versatilidade deste ponto que desnuda sentimentos e a maneira como interpretamos o mundo; como nos sentimos e reagimos diante de eventuais circunstâncias. Uma das maneiras práticas de alterá-lo é abrindo mão da vaidade e auto-importância, possibilitando receber ao outro com espírito aberto e alma festiva.


QUANDO ABRIMOS MÃO DA SOLIDEZ DE NOSSAS CONVICÇÕES, PERMITIMOS AO OUTRO FLUIR EM NOSSO SER, COMO AS ÁGUAS DA VIDA ROMPENDO OS NÓS DE UM BAMBU.

Lembramos que a compreensão emocional somente chegará anos após a consolidação de um novo ponto de encontro, que por sua vez também deverá abrir mão de suas convicções para permitir ainda a ascensão de outro, e ainda outro, e mais outro. Isto é real, constante e tem cheiro de eternidade. Toda vez que permitimos ao universo fluir, fluimos junto dele. Estar sempre aberto ao novo é tudo na vida de um Homem de Conhecimento. Ele sabe que por analogia a ascensão é como uma escada estreita no acaso, se permanecemos cativos em qualquer degrau, além da estupidez e ignorância de nossa atitude, ainda comprometemos o fluxo constante do ir e vir. Na Escola Bíblica esta escada é conhecida como ‘Escada de Jacó’. Anjos sobem e descem no interior do homem, por uma escada conhecida como Sushuma e Pingala. Todo o processo é interior e o ponto, tanto de partida, quanto de chegada é determinado pelo ponto de encontro.



É PRECISO POSSIBILITAR CONTINUAMENTE NOVOS PONTOS DE ENCONTRO, PARA QUE POSSAMOS COMPREENDER O PREÇO TREMENDO QUE PAGAMOS PELO SIMPLES FATO DE EXISTIR.

No exercício prático da vida somos convidados a marcar novos pontos de encontro quando nos vemos diante de um relacionamento fracassado, ou quando perdemos um ente querido, ou ao sermos despedidos de um emprego. Quantas vezes as intempéries nos arrojam a novos encontros e desencontros.



A MENTE DO HOMEM É UMA NAU SEM RUMO, FIXAR UM PORTO É A SUA MAIOR ESTUPIDEZ. CADA PORTO DEVE SER VISTO COMO GRATIDÃO E PONTO DE PARTIDA PARA UM NOVO APRENDIZADO.

É preciso estar sempre aberto, sem a prisão das doutrinas, dos dogmas, dos credos, das crenças, das rotinas, da razão, da convicção, das justificativas, para lançar asas ao vento, veleiros a singrar o desconhecido em busca de novos pontos de encontro. Somos ‘Viajantes solitários do Apocalipse’ , por isso a Sabedoria dos Tempos nos diz: “Sai da tua terra e vai”. Ou seja, ‘Vai ao encontro de novos pontos, outras possibilidades, onde tudo possa se transformar em comunhão com o teu ser e a nova terra onde habitas’.



A VERDADEIRA MISSÃO DE UM HOMEM ESTÁ MUITO ALÉM DA FIRME CONVICÇÃO DE SUA IDEIAS. POR ISSO A SABEDORIA DOS TEMPOS NOS DIZ: “VAI, ONDE TE MOSTRAREI”.

Acreditar que é possível é o começo de tudo. Não podemos nos cansar nunca, nossas pernas podem não responder com tanta eficácia, mas a mente há de voar e alcançar o misterioso, antes do anoitecer. Lembrando sempre que o universo está em contínuo movimento, daí tentar solidificar um ponto como raíz e sinônimo de segurança pessoal e familiar é uma tremenda estupidez. É preciso marcar um novo ponto de encontro a cada segundo, e estar aberto a todas as circunstâncias que o acompanham.



SIM E NÃO POVOAM O CORAÇÃO A CADA INSTANTE, TENTAR FAZER DO OUTRO UM PONTO DE ENCONTRO SEGURO E EFICAZ É PERDER-SE A SI MESMO NO LIMITADO MUNDO DAS PAIXÕES E POSSES.

Em verdade, o ponto de encontro não é um lugar previamente escolhido. Por analogia é um ‘estado de ser’ que possibilita mudanças. O ‘ser’ é um conjunto interior de fatores que nos credencia como seres espirituais em dado momento. Podemos estar abertos a determinadas circunstâncias ou não; significando estar submetidos a um menor ou maior número de leis. Cada circunstância trás em si um certo número menor ou maior de leis. Portanto, estar disponível para o encontro, ou em outras palavras, colocar-se no local onde o encontro se processará não depende de mera escolha pessoal, sendo antes de tudo uma questão de poder pessoal.


O encontro não é uma formalidade. Caso estejamos nos preparando para ele ao longo dos anos, com certeza, ele não ocorrerá. Se você presta louvores ao Senhor com a finalidade de alcançar o Céu, lamento lhe dizer mas está caminhando para o nada. Quem escolhe o ponto de encontro é o Desconhecido, quem determina sim ou não é o Acaso. Interesses pessoais não movem um centímetro sequer na sua direção. Mas atente para o que vamos lhe dizer: as águas do rio podem lhe conduzir de encontro a ele, basta fluir com elas; as asas do vento são hábeis condutoras. Não existe caminho mais simples e pleno de significado para alcançá-lo que o brilho dos olhos de uma criança. E toda e qualquer atitude desprovida de propósito, que tiver como prioridade elevar o espírito do nosso próximo também é um condutor eficaz.







Cada novo ponto de encontro é uma possibilidade de reencontro, um ato repleto de magia. Mas é necessário estar livre de preconceitos; não se deixar limitar.

Que assim seja!



C O N F I E!!!

Até amanhã!

...


Nenhum comentário:

Postar um comentário

"Toda reforma foi em algum tempo uma simples opinião particular." (Ralph Waldo Emerson)