29.2.12

268: Ponto de encontro




Olá!
Continuo no processo que teve início em minha primeira publicação deste ano. Mudanças, transformações... Me abri para o novo e muitas oportunidades surgiram. É incrível como o universo realmente responde e não gosta de lugares vazios, quando esvaziamos nossos armários internos e deixamos um espaço livre para o novo, ele surge com toda a sua força. 
Estou feliz... E é isso o que importa, não é?


Mas... Também tenho meus momentos de incerteza. Gostaria que tudo fosse perfeito. Ter garantias prévias de sucesso. Sei que é impossível. Porém será que este não é o desejo secreto de todos nós? A confirmação adiantada de que teremos êxito em nossas empreitadas? 
Um novo amigo do facebook me enviou o texto dele abaixo e eu amei. É sobre este tema, espero que goste!



"Ponto de encontro"
Lázaro de Carvalho


Um ponto é a confluência de muitas linhas, portanto um ponto de encontro significa o ponto comum a diversas linhas de pensamento. Ele representa a convergência, ou somatório de pensamentos, sentimentos e ações. Muitas atitudes inconsequentes e omissas aportaram ali, e assim permanecem inconscientes. Tememos as mudanças, pois muito daquilo que foi esquecido pode vir à tona ao refazermos antigas malas. Todo este conjunto de pensamentos, sentimentos e ações, tanto conscientes como inconscientes, tornou-se o tecido a que chamamos ‘ser’. O ponto de encontro sinalisa o fixo e todas as suas possibilidades de transformação, sendo estas últimas o conteúdo de interesse deste artigo.


Um instante é indiferente ao passado, presente e futuro. Em milésimos de segundos uma simples idéia, um instante de pensamento, já se tornou passado. A sua projeção integra o futuro, mas o instantâneo de uma ação pode não estar tão presente como desejamos que esteja. O ponto pode ser o extremo de duas linhas, mas ao mesmo tempo é a própria linha, pois uma linha é um limiar entre dois mundos, um instante de tempo. O temporal e o atemporal são diferentes apenas numa retórica de espaço-tempo, mas únicos quando suscetíveis a um simples ponto. Estar conscientes do encontro e se colocar no local exato onde ocorrerá, é um exercício que poucos são capazes de praticar.


Afastamo-nos do mistério! Sendo esssa nossa condição humana, nos afastamos da escuridão e de tudo aquilo que não conseguimos razoavelmente explicar. Ao chegarmos em casa, a nossa primeira atitude é acender as luzes e verificar se tudo está exatamente como deixamos ao sair. Mas o vasto mundo das ruas, sua rotinas e procedimentos, também adentram junto de nós. Somos entidades condutoras de todo tipo de respostas, inclusive aquelas que julgamos já esquecidas, ou pensamos ter deixado lá fora.


Há uma infinidade de pontos ou posições estratégicas em que podemos ou não definir o encontro, mas preferimos um local privilegiado, onde nossa segurança pessoal esteja credenciada como possibilidade real de êxito. Este ponto inclui um senso racional de segurança pessoal, ou seja, o comum e rotineiro, sem qualquer interferência do abstrato, daquilo que induz ao mistério e à vida.






Mas, de alguma forma se faz necessário contrapor o mistério à estupidez que habita cada um de nós. Em verdade, esse mistério não é louvável, ou talvez, seja até digno de censura por parte do consenso e da razão. Se algo ou alguém não nos convidar ao inusitado, continuaremos dormindo e sonhando rotinas, as mesmas que nos dão uma falsa segurança de existir razoavelmente dentro de padrões aceitáveis.


Há um propósito sutil, ou até mesmo uma aparente incongruência no Tratado. O seu propósito é nos conduzir pelas mãos a um novo ponto de encontro, onde a convicção não esteja tão segura de si quanto agora. E, em seguida, ratificar essa posição como o início de uma nova fase de assimilação e relacionamento. A isso chamamos ‘Uma nova maneira de pensar’. Não existe posição mais convidativa à Observação de Si Mesmo que aquela em que nos encontramos distantes do nosso sistema normal de precisar e nos reconhecer como seguros e protegidos. Somente assim nos abstemos de julgar algo como ofensivo e prejudicial aos artifícios impostos pela razão.






Quando alteramos conscientemente a posição do ponto de encontro e impomos a nós mesmos a não-pecepção emocional de tê-lo mudado sistematicamente (ou seja, aquilo que chamamos ‘fazer’), as possibilidades de reencontrar nossa totalidade tornam-se bem maiores. Algo ‘fez’ e assim possibilitou mudanças. É um não-ego, uma não-convicção, um tributo à gratidão. É como se partes fagmentadas de nós mesmos, separadas e não-comunicantes, tivessem a oportunidade de se recompor como um todo pensante e ativo. A isso chamamos ‘homem integral’, aquele que unificou as partes dissociadas de sua personalidade. Em outras palavras, torna-se possível a Lembrança de Si Mesmo, que seria impossível na rotina de uma vida plenamente segura e repleta de marasmos.


Vale salientar que não existe nada mais difícil em nossa vida de homens comuns que mudar a posição previamente fixada do ponto de encontro. Ele encontra-se selado pelas circunstâncias e nutrido pela razão. Diria que este ponto de encontro é um auto-reflexo, induzido por tudo aquilo que nos é condizente. Mudar a sua posição é a coroação daquilo que chamamos de ‘Uma nova maneira de pensar’. Portanto, é essa mudança que possibilita deixar a terra firme de nossas convicções, abrindo assim um leque a novas possibilidades e conquistas.

UM VERDADEIRO MISSIONÁRIO É AQUELE QUE MARCA UM NOVO PONTO DE ENCONTRO CONSIGO MESMO, SEM NECESSIDADE DE ALTERAR NADA À SUA VOLTA.

No caminho de um Homem de Conhecimento mudar esse ponto de encontro é tudo, pois aquilo que foi demarcado pela tradição e previamente escolhido por outros fica para trás. Mas quando insistimos em mantê-lo coeso abrimos mão do novo, ou seja, nos mantemos selados a toda e qualquer possibilidade. É a versatilidade deste ponto que desnuda sentimentos e a maneira como interpretamos o mundo; como nos sentimos e reagimos diante de eventuais circunstâncias. Uma das maneiras práticas de alterá-lo é abrindo mão da vaidade e auto-importância, possibilitando receber ao outro com espírito aberto e alma festiva.


QUANDO ABRIMOS MÃO DA SOLIDEZ DE NOSSAS CONVICÇÕES, PERMITIMOS AO OUTRO FLUIR EM NOSSO SER, COMO AS ÁGUAS DA VIDA ROMPENDO OS NÓS DE UM BAMBU.

Lembramos que a compreensão emocional somente chegará anos após a consolidação de um novo ponto de encontro, que por sua vez também deverá abrir mão de suas convicções para permitir ainda a ascensão de outro, e ainda outro, e mais outro. Isto é real, constante e tem cheiro de eternidade. Toda vez que permitimos ao universo fluir, fluimos junto dele. Estar sempre aberto ao novo é tudo na vida de um Homem de Conhecimento. Ele sabe que por analogia a ascensão é como uma escada estreita no acaso, se permanecemos cativos em qualquer degrau, além da estupidez e ignorância de nossa atitude, ainda comprometemos o fluxo constante do ir e vir. Na Escola Bíblica esta escada é conhecida como ‘Escada de Jacó’. Anjos sobem e descem no interior do homem, por uma escada conhecida como Sushuma e Pingala. Todo o processo é interior e o ponto, tanto de partida, quanto de chegada é determinado pelo ponto de encontro.



É PRECISO POSSIBILITAR CONTINUAMENTE NOVOS PONTOS DE ENCONTRO, PARA QUE POSSAMOS COMPREENDER O PREÇO TREMENDO QUE PAGAMOS PELO SIMPLES FATO DE EXISTIR.

No exercício prático da vida somos convidados a marcar novos pontos de encontro quando nos vemos diante de um relacionamento fracassado, ou quando perdemos um ente querido, ou ao sermos despedidos de um emprego. Quantas vezes as intempéries nos arrojam a novos encontros e desencontros.



A MENTE DO HOMEM É UMA NAU SEM RUMO, FIXAR UM PORTO É A SUA MAIOR ESTUPIDEZ. CADA PORTO DEVE SER VISTO COMO GRATIDÃO E PONTO DE PARTIDA PARA UM NOVO APRENDIZADO.

É preciso estar sempre aberto, sem a prisão das doutrinas, dos dogmas, dos credos, das crenças, das rotinas, da razão, da convicção, das justificativas, para lançar asas ao vento, veleiros a singrar o desconhecido em busca de novos pontos de encontro. Somos ‘Viajantes solitários do Apocalipse’ , por isso a Sabedoria dos Tempos nos diz: “Sai da tua terra e vai”. Ou seja, ‘Vai ao encontro de novos pontos, outras possibilidades, onde tudo possa se transformar em comunhão com o teu ser e a nova terra onde habitas’.



A VERDADEIRA MISSÃO DE UM HOMEM ESTÁ MUITO ALÉM DA FIRME CONVICÇÃO DE SUA IDEIAS. POR ISSO A SABEDORIA DOS TEMPOS NOS DIZ: “VAI, ONDE TE MOSTRAREI”.

Acreditar que é possível é o começo de tudo. Não podemos nos cansar nunca, nossas pernas podem não responder com tanta eficácia, mas a mente há de voar e alcançar o misterioso, antes do anoitecer. Lembrando sempre que o universo está em contínuo movimento, daí tentar solidificar um ponto como raíz e sinônimo de segurança pessoal e familiar é uma tremenda estupidez. É preciso marcar um novo ponto de encontro a cada segundo, e estar aberto a todas as circunstâncias que o acompanham.



SIM E NÃO POVOAM O CORAÇÃO A CADA INSTANTE, TENTAR FAZER DO OUTRO UM PONTO DE ENCONTRO SEGURO E EFICAZ É PERDER-SE A SI MESMO NO LIMITADO MUNDO DAS PAIXÕES E POSSES.

Em verdade, o ponto de encontro não é um lugar previamente escolhido. Por analogia é um ‘estado de ser’ que possibilita mudanças. O ‘ser’ é um conjunto interior de fatores que nos credencia como seres espirituais em dado momento. Podemos estar abertos a determinadas circunstâncias ou não; significando estar submetidos a um menor ou maior número de leis. Cada circunstância trás em si um certo número menor ou maior de leis. Portanto, estar disponível para o encontro, ou em outras palavras, colocar-se no local onde o encontro se processará não depende de mera escolha pessoal, sendo antes de tudo uma questão de poder pessoal.


O encontro não é uma formalidade. Caso estejamos nos preparando para ele ao longo dos anos, com certeza, ele não ocorrerá. Se você presta louvores ao Senhor com a finalidade de alcançar o Céu, lamento lhe dizer mas está caminhando para o nada. Quem escolhe o ponto de encontro é o Desconhecido, quem determina sim ou não é o Acaso. Interesses pessoais não movem um centímetro sequer na sua direção. Mas atente para o que vamos lhe dizer: as águas do rio podem lhe conduzir de encontro a ele, basta fluir com elas; as asas do vento são hábeis condutoras. Não existe caminho mais simples e pleno de significado para alcançá-lo que o brilho dos olhos de uma criança. E toda e qualquer atitude desprovida de propósito, que tiver como prioridade elevar o espírito do nosso próximo também é um condutor eficaz.







Cada novo ponto de encontro é uma possibilidade de reencontro, um ato repleto de magia. Mas é necessário estar livre de preconceitos; não se deixar limitar.

Que assim seja!



C O N F I E!!!

Até amanhã!

...


25.2.12

267: Como está sua agenda para o amor?








Purifica o teu coração antes de permitires que o amor entre nele, pois até o mel mais doce azeda num recipiente sujo."
Pitágoras
Olá!

Na última publicação prometi que contaria algo interessante e aqui vai. Esta semana fui caminhar/correr numa praça aqui perto de casa (Praça Garibaldi) na região do Largo da Ordem. Eu carregava uma pequena bolsa que tem uma pequena alça que vai até o ombro, deixando as mãos livres. Estava carregando no bolso da frente dela o meu celular e dentro o dinheiro (algumas notas e moedas) e mais 2 livros de orações. Depois de umas 5 voltas escutei um barulho e ao olhar ao chão, percebi que a pequena bolsa estava aberta e as moedas no chão. Estava vazia, só restava o celular que estava numa parte separada. Fiquei triste. Mais pelos livros de orações do que pelo dinheiro que havia perdido. Voltei refazendo o caminho olhando cuidadosamente em todas as direções para ver se estava um pouco atrás e nada. 


De repente um jovem se aproximou de mim, ele devia ter uns 20 anos, disse num tom ameaçador: "Estou armado, é um assalto, me passe todo seu dinheiro." Eu vi que ele não estava armado, olhei para ele sem medo e disse num tom triste olhando no fundo dos olhos dele, pois ele estava bem na minha frente: "Acabei de perder meu dinheiro e 2 livros de orações enquanto estava correndo aqui, estou tentando achar, mas não se se conseguirei". Sabe qual foi a reação dele? Fez uma cara super triste e disse: "Então vou te ajudar a achar e se eu achar o dinheiro, posso ficar com a metade? Mas... Você mora longe? E agora? Como vai fazer para voltar para a sua casa?" A reação dele não é algo lindo de se ver? Não fiquei com medo, nem raiva dele, não xinguei, falei com ele de coração pra coração e ele amoleceu imediatamente. Deve estar tão acostumado a ser mal tratado que se surpreendeu. 


Creio que esta história já seria bela se parássemos por aí, pois significa que recebemos de volta aquilo que damos e quando damos atenção é isso que recebemos de volta.
Mas ela continua. 
Ele saiu procurando num sentido e eu no outro, pois a praça estava muito vazia e poderia ser que ainda estivesse por ali. Foi então que uma senhora que estava caminhando se aproximou de mim e perguntou: "Moça, você está procurando algo?" Respondi: "Sim, perdi 2 livros de orações que adoro e dinheiro." Ela respondeu "Não sei onde estão seus livros, mas o dinheiro está aqui, achei e te devolvo!" E me deu e voltou a caminhar. Isso não é lindo também? Ela não tinha bolso nenhum, o dinheiro estava na mão com uma chave, ela foi sincera ao dizer que não havia achado os livros e naturalmente me devolveu o dinheiro sem nem fazer perguntas. 


Dei mais umas voltas e então pensei. Que exemplo lindo destas 2 pessoas tive aqui neste lugar. Estava muito feliz. 
Mas... E os livros de orações? Você pode me perguntar e talvez achar que eu deveria estar triste por tê-los perdido.
Fiz uma forte oração para que a pessoa (ou as pessoas) que estivessem precisando muito de uma resposta que o achassem e que fizessem a diferença na vida delas. Desapeguei... Soltei para o Universo!
Nos livros havia meu nome, fone e email, quem sabe um dia não tenho uma agradável surpresa? 
Talvez eu nunca saiba se realmente trouxeram algum tipo de conforto/resposta, mas o que sei de verdade é que já recebi muitas respostas maravilhosas assim, achando algo especial na rua e parece um sinal divino, a sensação é maravilhosa, estava na minha hora de retribuir. Acho que Deus nos usa como anjos humanos para fazer a diferença na vida das outras pessoas.


Mais novidades?
Bem... Tenho sim, mas anda é cedo para comentar a respeito, porém deixarei o texto abaixo enviado por email pela querida e bela seguidora daqui:
"Helouise Bevilaqua Rissato". Já agradeci no facebook, mas nunca é demais, então: Muito obrigada!!!





Como está sua agenda para o amor?



Na flor da idade, quando a vida está bombando, bom é poder viver a intensidade do presente na cadência do amor emergente. Como é cativante ver e estar perto de uma pessoa apaixonada!

O amor inspira a cabeça, oxigena o coração, faz ventar nas velas da criatividade. O amor dilata as idéias, espanta a tristeza, reaviva a esperança, expande as expectativas, faz surgir novos projetos. O amor, e somente o amor pode transformar um segundo alegre em eterna felicidade.

Para quem não ama, a música romântica é um porre, o filme locado é sem graça, os enamorados são uns tolos, a pipoca faz bagunça e as flores não fazem sentido; mas para quem ama qualquer brisa de vento é indício de sorte, um bombom diz: “eu te amo!” e uma troca de olhar equivale a um livro de poesias. Um simples café se torna um banquete e assistir o último programa da TV é o melhor pretexto para se ficar perto um do outro.

Ah esse amor bem vindo, que chega sem avisar, vai entrando sem pedir licença, muda a cabeça da gente. Podia ser vivido mais vezes, todos os dias para o resto da vida! O amor suspira na cara de quem dorme no marasmo da rotina e o acorda para a vida e para a felicidade que até já se tinha esquecido existia.

Quando as pessoas se amam de verdade elas podem até dormir lado a lado, mas acordam com saudade uma da outra, então se abraçam sem pressa como se estivessem sem se ver por uma década. A breve ausência da pessoa amada faz o outro sentir-se incompleto. Então, se pode ter certeza de que se encontrou um amor verdadeiro, genuíno.

Pode até parecer clichê, mas quando se ama se vive. Para quem não ama tudo fica ruim: O sol fica escaldante, o mar fica salgado, a natureza perde a cor e a lua não passa de terra pálida. Sorrir se torna um martírio e nada parece bom: a música atrapalha, o frio incomoda, a viagem dá sono e até o vôo do pássaro aborrece.

O amor pede afinidade, conectividade, presença e afetividade. As mãos se entrelaçam, deslizam pelo rosto enquanto os olhos falam o que o coração deseja freneticamente dizer. Estar perto já basta e não precisa dizer nada, porque a presença de quem se dispõe a amar é tão intensa quanto a própria vida.

Depois de tantas lutas e desafios que a vida impõe às pessoas o agora pode ser a melhor hora de se dispor amar e se permitir ser amado. Nem precisa esperar alguém enviar currículo, pois quando se decide amar, a pessoa certa surge bem ao seu lado, quando menos se espera, fazendo gracejos e te fazendo sorrir, porque os que se dispõem a amar atraem-se mutuamente e novos amores vão surgindo, colorindo o horizonte da vida do jeito que ela realmente vale a pena ser vivida.

Decida-se amar e se apaixonar por quem se mostra apaixonado(a) por você. O amor exige expressar-se neste amor, seja no toque, no carinho, nas palavras de amor, no sussurro do olhar, no abraço de saudade depois de uma noite de sono, na gratidão do dia a dia, no sentimento de afinidade ou na certeza de que aquela pessoa é exatamente do jeito que você pediu para Deus!

[...]

Como está sua agenda para o amor? Que tal pedir um minuto a pessoa que se pretende expressar amor e indagá-la: “Como está sua agenda para os próximos 50 anos?”. Tomara que ela lhe responda: “sincronizada com a sua!”, assim desejo!

Por Chafic Jbeili - http://www.unicead.com.br

"Viva o amor..."



Até mais!

...




23.2.12

266: Ouse...


"Onde existe amor, 
existem milagres..."



Olá!
Ontem tive uma experiência maravilhosa quando estava caminhando/correndo num parque próximo à minha casa, mas deixarei para contar esta história amanhã, pois já está bem tarde.







Ouse...


Conta uma antiga lenda que, na Idade Média, um homem muito religioso foi injustamente acusado de ter assassinado uma mulher.
Na verdade, o autor do crime era pessoa influente do reino e, por isso, desde o primeiro momento procurou-se um "bode expiatório" para acobertar o verdadeiro assassino.
O homem foi levado a julgamento e o resultado seria a forca.
Ele sabia que tudo iria ser feito para condená-lo e que teria poucas chances de sair vivo desta história.
O juiz, que também estava combinado para levar o pobre homem à morte, simulou um julgamento justo, fazendo uma proposta ao acusado que provasse sua inocência.


Disse o juiz:
- Sou de uma profunda religiosidade e por isso vou deixar sua sorte nas mãos do Senhor; vou escrever em um pedaço de papel a palavra INOCENTE e noutro pedaço a palavra CULPADO.
Você sorteará um dos papeis e aquele que sair será o veredito. O Senhor decidira seu destino, determinou o juiz.


Sem que o acusado percebesse, o juiz separou os dois papeis, mas em ambos escreveu CULPADO de maneira que, naquele instante, não existia nenhuma chance do acusado se livrar da forca.
Não havia saída. Sem alternativas para o pobre homem.


O juiz colocou os dois papeis em uma mesa e mandou o acusado escolher um.


O homem pensou alguns segundos e pressentindo a vibração, aproximou-se confiante da mesa, pegou um dos papeis e rapidamente colocou-o na boca e o engoliu.


Os presentes ao julgamento reagiram surpresos e indignados com a atitude do homem.


- Mas o que você fez? E agora? Como vamos saber qual seu veredito?


- É muito fácil, respondeu o homem.
- Basta olhar o outro pedaço que sobrou e saberemos que acabei engolindo o seu contrário.


Imediatamente o homem foi libertado.


Mensagem: Por mais difícil que seja uma situação, não deixe de acreditar e de lutar até o ultimo momento.


USE A CRIATIVIDADE! E..
QUANDO TUDO PARECER PERDIDO: OUSE!!!


(Autor Desconhecido)


"Seja qual for o seu sonho, comece. 
Ousadia tem genialidade, poder e magia."
Goethe


Até amanhã!

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19.2.12

265: A complicada arte de ver




Olá!
Hoje é domingo de carnaval e estou aqui apenas para dizer que estou curtindo o feriado excepcionalmente na minha bela cidade. Dias belos, quentes, tranquilos, divertidos e reflexivos. 
Aproveitei para fazer uma faxina no computador e na alma. 
Vi "O Artista", "A dama de ferro" e uma comédia romântica. 
Também apreciei uma bela chuva de verão da janela do meu apartamento. 
Conversei com amigos antigos e novos através do facebook, não é querida Helouise Bevilaqua Rissato?
E como sempre, pensei na vida. 
Mas hoje não tenho muito a dizer, apenas que amei o texto abaixo, então compartilho esta beleza de pensamento com você.
Se estiver com preguiça de ler este belo texto, delicie-se com as imagens abaixo. Valem a pena!


"A complicada arte de ver"
Rubem Alves




Ela entrou, deitou-se no divã e disse: "Acho que estou ficando louca". Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura. "Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões _é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões... Agora, tudo o que vejo me causa espanto."


Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as "Odes Elementales", de Pablo Neruda. Procurei a "Ode à Cebola" e lhe disse: "Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: 'Rosa de água com escamas de cristal'. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta... Os poetas ensinam a ver".

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. "Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios", escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada "satori", a abertura do "terceiro olho". Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: "Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram".

Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, "seus olhos se abriram". Vinícius de Moraes adota o mesmo mote em "Operário em Construção": "De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa _garrafa, prato, facão_ era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção".

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas _e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".

Por isso _porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver_ eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"...



Rubem Alves, 71, educador, escritor. Livros novos para crianças e adultos-crianças: "Os Três Reis" (Loyola) e "Caindo na Real: Cinderela e Chapeuzinho Vermelho para o Tempo Atual" (Papirus).


E... Como anda a sua visão? 
Hoje não vou parar por aqui, que tal um exercício prático?
Vou "presentear" você com algumas belezas que valem a pena.















































































































"Todo jardim começa com uma história de amor, antes que qualquer árvore seja plantada ou um lago construído é preciso que eles tenham nascido dentro da alma.
Quem não planta jardim por dentro, não planta jardins por fora e nem passeia por eles."
Rubem Alves


E por hoje é só.

Até amanhã!

...