30.4.12

284: Você é leão ou ovelha?


"Existe um caminho ideal para cada ser. É único. 
Descobri-lo é sua missão.
E como fazer isso?
Escute a sua "alma" e estará ouvindo
o seu coração e razão juntos, 
desta forma acertará infalivelmente.
Marcia Karasinski


Olá!
Muitos dias frios e chuvosos consecutivos.
Aproveitei para ficar em casa e pensar na vida.
Tive que refletir muito se sou "ovelha ou leão". 
Ainda é cedo para eu expor as razões disso, só sei que alguns acontecimentos me fizeram pensar muito e quase me deixaram de cama.
Fui criada para agradar, para dizer sim para todos, mesmo quando algo me desagradasse e eu achasse que não era o melhor.
Não é fácil ser assertiva de repente, mas como a vida foi projetada para que possamos evoluir, me coloquei em algumas situações em que precisarei exercer isso.







Ou seja, terei que ser mais "leão".
Não quero dizer que terei que ser brava, violenta, selvagem... Apenas que terei que assumir uma atitude de mais segurança e talvez até liderança nos momentos em que sentir que necessito tomar decisões.
Afinal no fundo, quando escutamos a nossa "alma", acabamos seguramente sabendo qual o melhor caminho a seguir.
Espero que este texto abaixo te inspire, como me inspirou... Pois embora muitos achem que a maioria tenha nascido para ser ovelha, creio que no fundo de cada pessoa há um leão adormecido, louco para se libertar e se realizar...





"O Discipulado de Hari, o Leão"

Marie Louise Burke



A mãe ovelha, que havia alimentado Hari e cuidado dele em seus primeiros anos de vida, esquecera que ele não era seu filho, sendo, na verdade, filho de uma leoa. Não apenas a mãe, mas todo o rebanho havia esquecido as circunstâncias extraordinárias do nascimento de Hari, apesar disso ter sido testemunhado por quase todos.

Na época do nascimento de Hari, um pânico momentâneo espalhou-se no coração do rebanho, como era de se esperar. Foi um acontecimento inusitado e alarmante. Naquele dia particular, os carneiros estavam pastando, balindo e seguindo uns aos outros, perfeitamente felizes, quando apareceu, às margens da floresta que fazia limites com a campina, uma leoa castanho-amarelada. Ela parou farejando o ar, olhando para o rebanho com um sorriso curioso entre os lábios - meio desesperado, meio esperançoso. A leoa não se sentia bem. O corpo estava inchado e a respiração ofegante. Não era jovem; não comia há dias; estava prestes a dar à luz e, além disso, seu coração não estava nada bem. Lenta e dolorosamente se aproximou do rebanho, sem desviar os olhos dele.

Os carneiros não se deram conta logo de que estavam sendo atacados. A leoa estava praticamente em cima deles quando, um após outro, viraram-se para olhar para ela. Durante vários segundos não houve reação, mas, de repente, começou uma correria maluca e confusa, com todos balindo ao mesmo tempo. A leoa lambeu os beiços com impaciência e desdém. Não tinha forças nem vontade de persegui-los pela campina. “Seus patetas”, rosnou.

Procurou uma ovelha apetitosa e logo encontrou uma que lhe pareceu boa. A ovelha ficou imóvel, olhando para a leoa. Acontece que, meia hora atrás, havia nascido seu filhote. Estava agora tão dividida entre o impulso de sair correndo e o impulso de proteger o filhinho que nada pôde fazer. Ficou parada, respirando com dificuldade.

A leoa aproximou-se agachada e deu um salto no ar jogando o corpo na direção da ovelha, aparentemente inerte. Então, de repente, o longo movimento em arco foi interrompido, como se partido em dois, e o enorme corpo amarelo caiu com uma pancada surda em cima do filhote, errando o alvo. A ovelha fechou os olhos por uns instantes.

Em poucos segundos Hari saiu do corpo da leoa, cego, indefeso e tremendo por causa da queda. A mãe já estava morta e de nada adiantou ele se aconchegar e choramingar, pois não recebeu nenhum alimento. Desistiu e andou pela grama, movido pelo estômago, miando e virando a cabeça de um lado para outro. Logo chegou perto da ovelha, que ainda não se mexera; estava completamente atordoada. Contudo, destinada a prover comida a Hari de uma forma ou de outra e, em obediência a uma vontade infinitamente maior que ela, deitou-se ao toque suave e suplicante e o alimentou.

Quando o medo passou, o rebanho reuniu-se em torno do estranho grupo: Hari, a mãe adotiva, a leoa e o carneirinho mortos. E todo o rebanho baliu.

“Que susto! Pensei que o mundo ia acabar!”

“É um milagre que ninguém tenha-se ferido.”

“Ainda estou tremendo. Olhei para cima e vi este monstro amarelo!”

“Tente esquecer-se disso, querida. De nada adianta ficar pensando nisso”.

Os carneiros não tiveram dificuldade de seguir este conselho e, depois de comentarem uns com os outros o que tinha acontecido por mais alguns momentos, voltaram a pastar e tudo foi rapidamente esquecido. Até mesmo a mãe adotiva de Hari logo ficou com a impressão de que ela tinha de fato lhe dado à luz. Para dizer a verdade, ele parecia um pouco baixo, mas era adorável.

À medida que Hari cresceu, seus companheiros de brincadeiras começaram a queixar-se dele às suas mães.

“Ele me bateu”, eles exclamavam.

“Batam nele também”, as ovelhas baliam.

Mas este conselho não parecia funcionar e a única alternativa era não incluí-lo nos jogos, com o que, para dizer a verdade, ele não se importava muito.

Assim, desde o início, Hari foi solitário. Apesar dos carneiros não perceberem claramente que ele não era um deles, sentiam que ele era diferente. Eles o achavam peculiar e, por isso, não gostavam dele.

“Ele é esquisito”, diziam às suas costas. “Ele me dá uma sensação estranha, uma espécie de arrepio na espinha. É tão rude!”

Os carneiros mais espertos chegaram à conclusão de que ele era desajustado e decidiram ter pena dele.

O próprio Hari não fazia ideia de que não era um carneiro. Ele nunca se olhara de forma objetiva. Tudo o que sabia é que não gostava dos outros carneiros e que eles não gostavam dele. A vida parecia-lhe incômoda e sem sentido. Ele passou a deitar-se um pouco afastado do grupo e, olhando à distância, perguntava-se:

“O que significa tudo isso? Pastar, balir e seguir uns aos outros... Por quê? Com que finalidade?”

Ele costumava fazer estas perguntas à mãe e ela lhe respondia que se parasse de andar no mundo da lua algum dia seria um membro útil da comunidade e pai de muitos cordeirinhos. Ele considerava todas as respostas muito insatisfatórias.

“Mas, por que eu nasci?” - ele insistia.

“Ora, é a vontade do céu, Hari”, ela respondia irritada. “Há pastos e mais pastos para serem podados e você pergunta por que nasceu! Eu, às vezes, não sei qual é o seu problema.” Mas, no fundo do coração a mãe ovelha amava o estranho filho e o defendia dos outros. “Ele é diferente”, ela dizia. E ficava muito magoada ao ver que se olhavam e nada diziam.

“Por que você não pode ser normal, querido?”  - ela implorava. “Eu sei que você gosta de ficar sozinho, mas isso é tão esquisito. Os carneiros ficam falando de você.”

Quase nada do que a mãe de Hari dizia era verdade, mas, apesar disso, ele tinha grande consideração pelos seus conselhos. Sem dúvida, a felicidade e o sentido das coisas está em fazer parte da comunidade e ser normal. Portanto, ele fazia o melhor que podia para se misturar com os demais e não pensar. No início foi difícil. Ele percebia que quando se aproximava todos ficavam em silêncio: saíam, um por um, e formavam um círculo separado dele. Isso dava-lhe uma sensação de fracasso.

“Ninguém gosta de mim”, disse à mãe.

“Não seja bobo, querido”, ela respondeu. “Você é igual a qualquer um. Só não lhes dá chance de gostarem de você. Precisa se misturar mais.”

Todas estas afirmações eram verdadeiras. Hari podia comer mais grama e balir mais alto do que ninguém. Ele só não era bom em ir atrás dos outros. O segredo da felicidade, decidiu, deve estar em segui-los, e isso requer persistência.

Portanto, determinou-se a andar com os outros, sem importar-se que o tratassem mal. Forçou-se a juntar-se ao grupo que se reunia pela manhã do lado oeste das árvores e à tarde a leste. E quando o grupo saía, ele os seguia, balindo normalmente, como os outros, em volta das ovelhinhas recém-nascidas e na área da pastagem.

Lentamente se tornou tão normal e respeitável quanto qualquer carneiro. Quando chegou a época, filiou-se ao Clube dos Carneiros e passou a tomar parte das discussões sobre o sabor da grama e o mérito dos jovens cordeirinhos.

Esta última causava-lhe uma inexplicável repugnância, que considerou anormal e esforçou-se para superar. Ria tão alto como qualquer cordeiro e contava histórias muito melhor. E, embora qualquer coisa sobre sexo o desgostasse, ninguém percebia. Escondia isso até de si próprio, dizendo não ter aparecido ainda a ovelha certa. Apesar de essa falta de interesse não ser inteiramente normal num carneiro jovem, era algo bastante aceitável. Nesse meio tempo, Hari falava grosso e, longe de ser evitado, era procurado.

Para dizer a verdade, as ovelhas ainda percebiam que ele era fora do comum, mas isso agora se tornara uma vantagem.

“Ele é tão engraçado!” - elas diziam.

“Que personalidade!” -  orgulhava-se a mãe.

Mas, para Hari, havia algo terrivelmente errado. Na verdade, a vida agora era pior do que antes, quando ele ficava deitado na grama sozinho. À noite não podia dormir e uma certeza, uma mistura de dor e escuridão, pesava sobre ele. Era a certeza de que ainda era diferente, de que não tinha encontrado um sentido para a vida e de que, em parte alguma, no céu ou na terra, havia um lugar para ele. Era uma solidão sem resposta.

A mãe de Hari ensinara-lhe a rezar, quando ele era filhote. Depois disso deixou de falar em religião. Assim, na mente de Hari, Deus estava associado à infância e ele pensava ser tudo isso uma bobagem. Mais que isso, sua mãe dissera-lhe que Deus era um Carneiro enorme, com grande capacidade, que podia conduzir o rebanho a pastagens verdejantes e dar-lhes conforto, desde que fossem bons membros da comunidade. Mas ninguém jamais tinha visto esse Carneiro, e Ele parecia muito improvável a Hari. Quanto a pastagens verdejantes e mais conforto, ele não queria nada disso.

“Não existe Nada”, disse a si mesmo, deitado, sem sono, à noite. “Nada, nada, nada.” E esse nada era escuro, um espaço sem fim, dentro e fora. “Eu queria estar morto. Não queria ter nascido.”  Mas esse desejo parecia sem sentido, pois, se ele estivesse morto, ainda assim haveria o Nada. “Mas, pelo menos, eu não saberia disso; não me importaria”, pensou. Mas isso era inconcebível: não saber. Morto ou vivo, ainda haveria algo ou alguém que saberia sobre o nada. Haveria conhecimento do vazio para todo o sempre.

“Deus. Deus. Deus”, lamentava-se Hari. Não queria o Deus-Carneiro. Não sabia o que queria. “Deus. Deus. Deus”, continuava dizendo.

Assim Hari passava as noites. De dia, tentava manter as aparências, ocultando o buraco negro dentro de si. Ria, contava piadas e flertava com as ovelhinhas adolescentes e invariavelmente deixava-as de coração partido. À medida que o tempo passava, ele se tornou cada vez mais afoito e impetuoso. As ovelhas começaram a sacudir as cabeças e a cochichar.

“Eu sempre disse que havia algo estranho nele”, diziam umas às outras.

A mãe começou a observá-lo com olhos tristonhos. “Você deveria casar-se, Hari”, balia.

“Deus. Deus. Deus.” Hari repetia à noite como se chamasse não sabia o quê ou a quem, e ele nem esperava que alguém respondesse. Era como se o vazio escuro que havia dentro e fora dele estivesse por si mesmo pedindo para ser preenchido de algum modo.

E, assim, os dias e as noites passavam e pareciam intermináveis. Balindo, pastando, seguindo; seguindo, pastando, balindo; e o indescritível vazio chamava cegamente: “'Deus. Deus. Deus.”

Então, numa noite enluarada, Hari ouviu um estalido de galhos na floresta que margeava a campina. Virou a cabeça na direção do barulho e, de repente, viu um vulto destacado das sombras escuras, recortado contra a luz da lua. Tinha uma cabeça imponente, um corpo esbelto, e os olhos, que olhavam para Hari, eram duas luas. Hari cravou os olhos nele, pois nunca havia visto um ser tão belo, tão sereno, tão seguro de si. Sua postura era a de alguém que não precisava de nada mais além de si mesmo e, no entanto, era como se fosse o dono de toda a terra. Um pensamento rápido surgiu na mente de Hari: “Então há algo mais... algo além do que conheço...” Era uma esperança. Mas, ao mesmo tempo, pensou: “Deve ser um leão, o Rei das Feras.” E ao pensar nisso, lembrou-se que os carneiros deviam temer os leões. E ficou com medo. Levantou-se e preparou-se para correr mas, nesse instante, o leão desapareceu na floresta, deixando atrás de si um vazio tão grande que Hari deu um grito de dor. Sentiu um desejo irracional de ser devorado por um leão. “Melhor ser devorado. Muito melhor ser devorado por uma criatura assim do que não vê-la jamais. Que tolice ter ficado com medo!”

O resto da noite e todo o dia seguinte Hari pensou no leão. “Existe aquilo!” - ficou pensando. “Algo além do que conheço. Algo mais belo do que o Deus-Carneiro, se é que o Deus-Carneiro existe. Algo Real!” Não mencionou a experiência ao rebanho. Era algo muito sagrado. Além disso, ele nem percebia mesmo os carneiros. Só desejava ver o leão outra vez.

Hari esperou toda a noite seguinte. Mas o leão não veio. A lua e as estrelas sumiram no céu e a aurora despontou, revelando a campina fútil e sem graça. Tudo era exatamente como sempre tinha sido, mas agora o pesar e a solidão de Hari eram maiores do que nunca. O sol levantou-se e ele enfiou a cabeça entre as patas, que lhe pareciam cascos fendidos, e lamentou-se. “Afinal não passou de um sonho. Como sou bobo!”

Mas, subitamente, ouviu um ruído de galhos e lá estava o leão na beira da floresta: não como Hari o tinha visto antes, não uma forma escura, entre as sombras, mas um Ser dourado, pulsante. Sua juba espessa e o tufo de pêlos na ponta da cauda captavam os raios da luz da manhã e cintilavam. Os olhos eram como dois sóis. Hari arquejou e se levantou. O que tinha visto antes não era nada comparado a isso. O leão o olhou e em seus olhos de sol havia uma compaixão que parecia penetrar até o fundo da alma de Hari, uma compaixão que conhecia e compreendia tudo. E nas profundezas daqueles olhos, Hari sabia, estava a resposta que buscava. Era Algo brilhante e verdadeiro.

Durante vários segundos Hari e o leão ficaram olhando um para o outro. Então, o leão deu um passo para a frente e, de repente, Hari sentiu uma pontada de medo na boca do estômago. Tentou lembrar-se do quanto havia desejado ser devorado; mas ver o leão frente a frente era outra coisa. O leão deu mais um passo. Hari virou-se e correu.

O sofrimento de Hari depois disso foi indescritível. “Perdi a única coisa que amei na vida por causa desse medo estúpido e covarde. Bobo! Bobo! Bobo!” Ele estava convencido de que o leão nunca mais voltaria. E, por várias semanas o leão não voltou. Hari sabia que estava não apenas condenado, mas muito pior, auto-condenado à Não- Existência.

Então, num belo dia o leão reapareceu. Era meio-dia. O rebanho estava, como sempre, comendo grama e mastigando e não perceberia o intruso se Hari não sentisse sua presença no momento exato em que saiu da floresta para a campina aberta.

“Leão!” -  gritou, tão grande foi sua alegria e surpresa.

Para o rebanho este grito era alarmante. Foi um corre-corre medonho, todos os carneiros espalharam-se, balindo espavoridos. Mas Hari ficou parado e esperou. Embora sentisse medo, aprendera que há coisas piores do que ser devorado por um leão. Ficou ali, tremendo da cabeça aos pés e esperou. O leão ignorou os carneiros que corriam de um lado para o outro e dirigiu-se diretamente para onde Hari estava. Parou tão perto dele que Hari podia sentir o cheiro agradável de sua respiração. Mesmo assim não se mexeu. Fechou os olhos e retesou-se, esperando a mandíbula negra entrar em sua carne e os dentes brancos o rasgarem.

De repente, ouviu um rugido suave e baixo, como um trovão distante. “Qual é o problema?” - perguntou o leão.

Hari abriu os olhos e viu-se outra vez em frente aqueles olhos compassivos e penetrantes. Estava claro que não ia pular nele, somente estava oferecendo sua amizade. Sentiu vontade de chorar como nunca fizera antes - nem mesmo quando era criança.

“Não sei, senhor”, respondeu com uma voz baixinha.

“Você é um leão. O que está fazendo aqui no meio dos carneiros? Por que está com medo?”

“Sou um carneiro, senhor”. Hari corrigiu timidamente.

“Você é um leão!” - rosnou o leão. Era como o estrondo de um trovão sobre sua cabeça.

“Sim, senhor.” Hari baliu e deu um passo para trás. Começou a chorar.

O leão o olhou com bondade e meneou a cabeça.

“Isso está mal”, disse como se falasse consigo mesmo. “Bem, meu filho, vamos ver. Eu vivo no meio da floresta. Venha visitar-me e nós poderemos conversar de novo. Isto é, se você quiser.”

“Oh, sim, senhor”, disse Hari com um soluço.

O leão sorriu. “Muito bem”, respondeu. Virou-se e dirigiu-se de volta à floresta.

Hari continuou chorando o resto do dia. Toda vez que se recordava dos olhos do leão tinha uma crise de choro. Era como se algo tivesse entrado em seu vazio e se precipitasse em lágrimas. Ao mesmo tempo, nunca se sentira tão feliz em toda a sua vida.

Na manhã seguinte, antes do sol nascer, levantou-se e começou a colher os melhores trevos da campina. Não os comeu, juntou-os delicadamente na boca para oferecer ao leão. Então, sem despertar o rebanho, embrenhou-se na floresta, onde sua mãe dissera-lhe para nunca se aventurar. Esse tinha sido o conselho mais sério que ela lhe dera, tão sério que não se falava mais nisso, pois se tomara uma lei, como não-ande-por-aí-sozinho ou não-coma-carne. [2]

A floresta estava escura, formas sombrias moviam-se entre as árvores. Estranhos ruídos pareciam ameaçá-lo e isso encheu seu coração de terror. Não conseguia abrir a boca para balir, nem cerrar os dentes para revestir-se de coragem, pois estava com a boca cheia de trevos macios. O medo deixou sua boca muito seca mas, por estranho que pareça, estava contente. Isso mantinha os trevos fresquinhos e agradáveis para o leão.

Mas logo lhe ocorreu que não sabia exatamente para onde estava indo. Surgiu em sua mente uma imagem de si mesmo. Era muito vivida: um carneirinho frágil, vulnerável, perdido na floresta terrível e proibida. E para piorar ainda mais sua difícil situação, entrar na floresta tinha sido uma atitude deliberada de sua parte. Sentia-se muito ansioso. Pensou no rebanho ainda dormindo em uma campina segura e acolhedora, livre de toda preocupação, que ele, de certo modo, estava traindo. Sentiu uma onda de carinho e saudade da mãe, de quem não havia nem mesmo se despedido. E pensou no leão, que falara realmente como um louco:

“Você é um leão!”

Era uma loucura. Uma grande loucura.

Não obstante, Hari continuou entrando cada vez mais na floresta. Logo depois, o sol levantou-se e a luz dispersou-se através das folhas. Ele devia estar correndo há quase uma hora e, com certeza, estava próximo do coração da floresta, onde vivia o leão. Então, foi assaltado outra vez pelo temor: e se o leão tivesse esquecido? E se ele risse? Pela primeira vez Hari se deteve. “Sou um bobo”, pensou. “Por quê motivo um leão iria falar com um carneiro? Ele estava só caçoando de mim.” E, de repente, perdeu toda a força para seguir em frente. Tremia da cabeça aos pés, num calafrio paralisante. Os trevos na boca lhe pareciam absurdos. “Ele vai rir. Oh, como sou bobo. Um carneiro bobo, um bobo.”

Mas ele desejava tanto ver, pelo menos mais uma vez, os olhos dourados do leão que se obrigou a dar mais dez passos a esmo. “E se ele rir”, pensou; “Ora, ainda assim eu o terei visto.”

Então, como num passe de mágica, através da luz do sol e das sombras, o leão surgiu na sua frente resplandecente e mais bonito do que Hari se lembrava.

“Bem, bem”, ele disse. “Então você veio. Muito bem.”

De repente, o coração de Hari incendiou-se de alegria e todo o medo desapareceu, como se nunca tivesse existido. Curvou-se e depositou os trevos aos pés do leão.

“É para você”, disse tímido.

“Não precisava se incomodar.” O leão sorriu e comeu a pilha de trevos até a última folhinha, enquanto Hari observava e sentia-se infinitamente mais satisfeito e contente do que se estivesse ele mesmo comendo.

“Obrigado”, disse o leão ao terminar.

Hari sentiu o sangue subir-lhe às faces e sussurrou: “Obrigado a você.”

O leão olhou-o com bondade. “Bem”, perguntou, “está disposto a ficar?”

Hari ficou de boca aberta. Esperava que o leão o deixasse ficar um pouco mais, uma meia hora ou algo assim, mas era tudo o que tinha planejado.

“Acho que tenho de voltar até a hora do almoço”, respondeu.

“Como assim?”

“O Clube dos Carneiros tem uma reunião hoje e, bem, minha mãe vai ficar preocupada.”

“Ora, esqueça isso!” - rugiu o leão. “Você é um leão! Fique longe dos carneiros.”

“Mas, senhor, é minha gente”, baliu Hari. “Precisam de mim.”

“Para quê?” - perguntou o leão.

“Ora, eu faço eles rirem e se sentirem felizes e lá é meu lugar. É meu dever”, acrescentou vivamente.

O leão lambeu os beiços. “Muito bem”, disse friamente, “volte então. Mas não espere me ver outra vez.” E olhou para o lado, como se o problema não fosse dele.

Hari ficou em silêncio, sem se mexer. Sabia, no fundo de seu ser, que nunca mais deixaria o leão, apesar de parecer impossível a um carneiro até mesmo pensar em tal ideia. Sua vida com o rebanho, toda a segurança e o conforto passaram por sua mente; e mais uma vez ele viu a imagem incongruente e patética de um carneirinho numa floresta estranha e aterradora. Mas a primeira imagem era sem o Leão; e a segunda com o Leão. E o Leão era Algo que ele sempre havia procurado.

“E então?” - perguntou o leão depois de algum tempo. “Já se decidiu?”

“Sim, senhor”, respondeu Hari. “Por favor, me deixe ficar.”

O leão sorriu. “Vem comigo.” Conduziu-o a um lago tranqüilo, entre as árvores. “Chegue aqui perto e olhe para a água. O que vê?”

Ele viu dois magníficos leões de cara grande e um grosso colar de pelos dourados em torno da cabeça.

“Vejo dois leões”, respondeu. “O senhor e outro igual ao senhor, porém menor.”

“Você é o outro”, disse-lhe o leão. “É o seu reflexo. Como vê, você é um leão.”

Então explicou que Hari era um leão de verdade e não um carneiro, como pensava. E, quando terminou, Hari disse:

“Mas, senhor, se sou um leão como é que sou um carneiro?”

“Você não é um carneiro”, o leão respondeu em alto e bom tom. “Estou lhe dizendo: você é um leão.”

“Mas...”, Hari começou.

“Não tem nada de mas”, o leão rugiu e pisou firme no chão fazendo a água tremer. Hari também tremeu.

“Sim, senhor”, ele disse. Entretanto, terminou a frase para si mesmo: “...eu sou um carneiro.”

O leão olhou fixamente para ele e rugiu: “Se você quer ser um carneiro, por que veio até aqui? Pode voltar se quiser. Vai se sentir melhor lá fora.” E começou a afastar- se.

“Oh, não, senhor!” - Hari o chamou. “Por favor, senhor.” O leão voltou.

“O que quer?” - perguntou sério. “Decida-se.”

Hari pensou por um longo tempo. Na verdade, ele gostaria de ser um leão, mas isso estava além de todas as possibilidades. O reflexo na água era maravilhoso e podia ser verdadeiro para leões, mas não para um carneiro. Ainda assim, ele não queria continuar a ser um carneiro como fora até agora. Quem sabe um carneiro com uma mistura de leão: sim, era isso!

“Quero ser um carneiro bom e forte, senhor”, disse e achou que isso soara muito bem.
Mas o leão tinha empinado a cabeça e o olhava firme. “Quer dizer então que você quer ser um carneiro bom e forte. Muito bem! Volte para a campina e seja um carneiro. Floresta não é lugar para um carneiro bom e forte. Floresta é lugar de leões. Leões! Entende?” Enquanto falava, seu pêlo resplandeceu e ficou luminoso e faíscas flamejaram dos olhos. Ele era a pura majestade.

Hari ficou arrasado. O melhor, o mais forte, o mais bonito carneiro do mundo seria como uma sombra ao lado de um leão verdadeiro. Nada mais era digno de existir.

“Posso ser um leão?” - perguntou trêmulo.

“Você tem alguma alternativa?” - respondeu o leão.

“Não, senhor”, e quase ia dizendo “mas...”, porém ficou calado. Em vez disso, pediu: “Por favor, senhor, me ensine.”

O leão sorriu e olhou para as árvores, esquecendo-se aparentemente da existência de Hari. Hari ficou ali parado, meio sem jeito, olhando para ele, esperando que se lembrasse dele outra vez.

Depois de um longo tempo, o leão o olhou. “Tudo bem”, disse. “Agora, medite em sua verdadeira natureza. Repita: Eu sou um leão. Eu sou um leão.” Tente não balir muito. E observe seu reflexo todos os dias.

“Sim, senhor”, disse Hari. E ele sabia ter entregue sua vida nas mãos do leão e nada mais grandioso do que isso podia acontecer a um carneiro. Seu coração ficou cheio de uma alegria radiante, impossível de expressar em palavras. Prostrou-se aos pés do mestre.

“Agora viva aqui comigo e faça como lhe disse”, ordenou o leão.

Assim, todas as manhãs, ao romper do dia, e todas as tardes, ao pôr-do-sol, Hari sentava-se às margens do lago para meditar. Às vezes, sua mente divagava nos assuntos de carneiros. Passavam em sua cabeça fragmentos das conversas que mantinha no Clube dos Carneiros e memórias carinhosas da mãe chegavam a ele. Mas, gradualmente, tais pensamentos tornaram-se cada vez mais vagos e ele conseguia controlar a mente. “Eu sou um leão. Eu sou um leão”, repetia.

Tentou isso dando ênfase diferente às palavras para dar-lhes uma entonação de rugido: “Eu sou um leão. Eu sou um leão. Eu sou um leão.” Mas, nada mudara: ele ainda era um carneiro - porém um carneiro que começava a sentir-se em casa na floresta, que no começo parecera-lhe tão estranha e temível. Quando ele não estava meditando, olhava-se no lago e estudava seu reflexo ou, melhor, sentava-se e olhava profundamente para os olhos dourados do mestre e sentia estar olhando para a própria eternidade. E estava sempre pronto para servir o leão, antecipando suas mínimas necessidades. Às vezes o Leão contava-lhe histórias da floresta e de outros leões. Às vezes, ralhava com ele por causa de seus hábitos de carneiro, os olhos flamejavam como fogo e o rugido era como um trovão; mas ele nunca o deixava só. Aqueles foram dias felizes.

Então, certa manhã, inesperadamente, o leão rugiu para ele com o pior rugido que Hari tinha ouvido até então.

“Pare com esse balido! Pare de comer grama! O que há com você? Seja um leão!”

Hari baixou a cabeça: “Não posso”, baliu.

“Então fique longe de mim! Não quero mais ver sua cara. Não me siga.” Virou as costas e afastou-se. E ficou fora por dias e dias. Isso era como a morte.

E agora, em seu pesar, pela primeira vez, Hari desejou de todo o coração ser um leão. Viu que a felicidade de ser um carneiro aos pés de um leão não podia durar. E ficou envergonhado de ter-se contentado com isso: era uma fraude. “Tenho que me tornar um leão”, disse consigo mesmo, “somente assim posso obedecer verdadeiramente ao meu mestre”. O desejo cresceu como fogo dentro dele. “Não vou ser um carneiro.”  Parou de comer grama e, portanto, parou de comer. “Vou ser um leão ou morrer.” Meditou com tanta seriedade que uma vez ou duas sentiu a presença do Leão ali por perto, tão perto como nunca o tinha sentido. Mas, quando abria os olhos, o Leão não estava ali. Seu pesar e seu desejo não conheciam fronteiras.

Então, certo dia, tão inesperadamente como havia partido, o leão retornou, brilhando como o sol entre as árvores escuras. Em sua boca carregava um naco de carne vermelha, gotejante. [3]

“Senhor!” - gritou Hari e prostrou-se.

O leão aproximou-se dele e, sem cumprimentá-lo, colocou a carne diante de seu nariz.
“Coma!” - ordenou.

E, embora Hari soubesse que estava quebrando irrevogavelmente o elo final com sua espécie, fez como lhe foi dito: afundou os dentes na carne vermelha e sentiu o gosto do sangue.


Então algo maravilhoso aconteceu. Sentiu uma vertigem na cabeça e raios de luz penetraram em seu corpo. Uma força enorme fluiu através de cada nervo. Sentiu-se grande e poderoso. A sensação de ser leão permeou cada célula de seu ser. Tomou consciência de sua juba espessa, de seus dentes brilhantes, de seu corpo forte e flexível; ficou ciente de sua realeza. E sabia, sem sombra de dúvida, que o reflexo no lago era seu e que aquela luz dourada brilhando por trás dos olhos do mestre era seu próprio Eu.

E, de repente, ele rugiu.


NOTAS:

[1] “Contos Mágicos da Índia”, Marie Louise Burke, Ed. Teosófica, Brasília, 1996, 144 pp., ver pp. 11 a 33.  Agradecemos à Editora Teosófica a autorização para publicar este conto em www.FilosofiaEsoterica.com  e  seus websites associados.

[2] “Não-ande-por-aí-sozinho” ou “não-coma-carne”.  Estas expressões simbólicas significam “tomar decisões por si próprio”, e “buscar a verdade pensando com independência”. (CCA)

[3] Um naco de carne vermelha, gotejante. A verdade filosófica nua e crua é pronunciada pela boca dos sábios. Os discípulos diretos, ao ouvir, ficam perplexos. A grama comida pelos carneiros simboliza as ideias convencionais repetidas cautelosamente pelos que temem olhar os fatos de frente. (CCA)





Até breve!

...


25.4.12

283: Amigo é coisa pra se guardar...


"Amigo é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito, dentro do coração..."


Olá!
Depois de alguns dias afastada, retornei para este espaço que tanto necessito, pois é nele que acabo fazendo as minhas "autoanálises" sobre tudo.
Estou devendo um relato importante: no final de semana ocorreu aquele meu reencontro com amigos da infância e adolescência em minha terra natal, no interior do Paraná (Guarapuava).
Por mais que eu tente, não conseguirei expressar com exatidão o quão fantástica esta experiência foi.


Foto tirada na escada do hotel Atalaia onde realizamos o reencontro dos ex alunos do Colégio Visconde de Guarapuava -> 21 de abril de 2012


Mas vamos aos acontecimentos, na ordem em que ocorreram. Cheguei na sexta à noite para o churrasco do meu irmão Marcos, em comemoração à sua passagem no exame da OAB. 
No final da festa uma nova amiga (Luciane Camargo) me chamou para ir na casa de umas maravilhosa e velha amiga que estava reunida com outras (tão especiais quanto) preparando o slide show com as nossas fotos antigas para a festa de reencontro. 
Foi uma emoção indescritível chegar lá de surpresa à meia noite e rever algumas das minhas amigas mais queridas da infância e adolescência, que eu não via há tantos anos.


"Um amigo é uma alma que habita dois corpos."
Aristóteles


Acabamos lembrando de muitas coisas juntas. Das festas de aniversário. Das bagunças em sala de aula. Do primeiro beijo. Das festas juninas. Dos professores. Das primeiras paixões... 
Como é bom reencontrar algumas das pessoas que mais significaram nas nossas vidas e ver que elas continuam especiais e que o carinho jamais de perdeu.
Entre brindes com pró seco, recordações tão mágicas, músicas e fotos dos anos 80 além de abraços apertados, me recarreguei de uma forma imensa. 
Antes de chegar lá, estava cansada da viagem e parece que tudo foi embora ao retornar para casa. 
Afinal... somos o próprio amor e quando o deixamos se manifestar, nos recarregamos com a força de nossa própria essência.


"A linguagem da amizade não é de palavras, mas de significados."
Henry David Thoreau


No dia seguinte desfrutei um pouco da presença de meus familiares e após o almoço, fui na casa de outra amiga do coração para finalizarmos a apresentação das fotos antigas.
Tudo estava pronto para a festa, restaurante, decoração, DJ, discurso. 
Ah! Sim... Elas me escolheram para fazer um discurso de agradecimento e também em homenagem à uma colega querida que estudou conosco mas havia falecido de leucemia há alguns anos: a Fabiana Rocha Roseira.


Viagem de formatura.
A Fabiana está no meio, em pé, com uma mão para frente, está vestindo shorts de brim e camiseta rosa bebê.
(Convidamos a mãe dela, a "tia Rute" a qual comentou que sonhou com ela na noite anterior, era quase um aviso. Então acho que ela estava de certa forma presente em nossa festa, pois era uma pessoa querida e todos sentiram esta perda)


A tarde passou rapidamente na presença da Ângela e da sua mãe querida, a "tia Solange", que preparou um café delicioso.
Após isso, corri para casa e depois fui com algumas amigas para o jantar.
Acabemos chegando uns minutos atrasadas e para nossa surpresa, muitos já estavam presentes.
Foi uma alegria indescritível.
Tudo foi perfeito.
Alguns ex professores estavam lá, familiares e amigos dos ex alunos. 
Muita conversa, boa música, jantar delicioso regado a um clima de imenso carinho.
Não sei explicar porque, mas parecia que jamais havíamos nos separado e alguns deles eu não via há 26 anos.


Parafraseando Carl Sagan, gostaria de dizer à todos os meus ex colegas:
"Diante da vastidão do espaço e da imensidão do tempo, é uma alegria partilhar um planeta e uma época com você."


O que mais me chamou a atenção é que éramos todos iguais durante a festa. Não existia nenhuma rivalidade ou animosidade. Também não havia mais alto ou mais baixo, mais magro ou mais gordo, mais rico ou mais pobre, etc. Éramos um só sentimento de carinho, de amizade, de sucesso, de recordação de uma época que deixou doces lembranças e que nos marcou positivamente para sempre.
Meu discurso teve um ponto de destaque, comentei: "Como estamos bem!" Pois ficou clara a ideia de que todos estão saudáveis, felizes e bem sucedidos em diversas áreas: pessoal, espiritual, familiar, amorosa e profissional. 
Como disse um deles: "Que turminha para se dar bem na vida, hein?"




Não sei quem sorriu mais, só que que foi sincero.
Havia um clima de companheirismo e curiosidade.
Queríamos saber onde estavam, o que estava fazendo e como poderíamos fazer para mantermos o contato.
Tenho certeza de que nos reencontraremos mais vezes.
Alguns deles estudaram comigo desde o jardim até eu entrar na faculdade, por esta razão éramos tão amigos. Aliás, o pai de muitos deles eram melhores amigos dos meus pais, isso explica também porque acabamos ficando tão unidos. Crescemos juntos.
Este é o lado das cidades pequenas que eu mais gosto.


"Mais uma foto da época, no corredor do colégio. 
Que roupas bregas, não? 
Mas... era moda, eu juro! rsrsrs"


Posso estar enganada, mas creio nisso realmente.
Nas cidades menores, as amizades parecem criar raízes mais profundas, pois o contato é mais fácil e frequente.
Pelo menos deveria ser assim, não é?
Mas não posso negar: aqui em Curitiba também tenho muitos amigos maravilhosos, mas a distância e a "falta de tempo" acabam dificultando às vezes o reencontro.
Retornando à festa: Alguns amigos não puderam comparecer, por esta razão já marcamos o próximo encontro para março do ano que vem.
E nós as "meninas", nos encontraremos aqui em Curitiba este ano para comemoramos a nossa amizade e aumentarmos ainda mais os laços refeitos.


 "Amigos multiplicam o bem e dividem o mal da vida. São o único remédio contra a desventura. Arejam a alma."
Baltasar Gracián


Eles entram na vida da gente e deixam sinais. Como a sonoridade do vento ao final da tarde. Como os ataques de guitarras e metais presentes em cada clarão da manhã. Amigo é a pessoa que está ao seu lado e você vai descobrir, olhando fundo, que há uma melodia brilhando no disco do olhar. Procure escutar. 
Amigos foram compostos para serem ouvidos, sentidos, compreendidos, interpretados. Para tocarem nossas vidas com a mesma força do instante em que foram criadas, para tocarem suas próprias vidas com toda essa magia de serem músicas. E de poderem alçar todos os vôos, de poderem vibrar com todas as notas, de poderem cumprir, afinal, todo o sentido que a eles foi dado pelo Compositor. Amigos são músicas como VOCÊ. Amigo tem que fazer sucesso. Mesmo que não estejam nas paradas. Mesmo que não toquem no rádio.





A descoberta mais bonita que amigos verdadeiros fazem é que eles podem crescer separadamente, sem crescer distantes.
Elisabeth Foley


Até breve!

...



19.4.12

282: Um ciclo que termina...


A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. 
Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.
Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?
Charles Chaplin



Olá!
Se você olhar na descrição do blog, na parte superior, na semana passada eu deveria ter fechado meu ciclo de 1 ano. Mas como na vida a única certeza são as mudanças, eu me adaptei a esta nova realidade. Pretendo escrever neste blog por um período indeterminado. Talvez até o meu último dia aqui na terra. Por esta razão, não farei o fechamento do ciclo de 1 ano hoje, pois a vida da gente não é exata, previsível, matemática. Na verdade é completamente inesperada e está em constante mutação. Porém, para não fugir da ideia original deste espaço, pretendo nos próximos dias começar a avaliar todas as mudanças e experiências ocorridas até aqui, ok?






Em se tratando da área profissional, familiar, amorosa e espiritual, várias mudanças ocorreram. Mas meu coração (amor) ainda está aguardando para ver as cenas dos próximos capítulos. Uma coisa maravilhosa aconteceu esta semana: meu irmão Marcos passou no exame da OAB. Outro fato especial: me reconciliei com uma pessoa próxima (hooponopono). Além disso, tenho passado mais tempo com meu grande amor, meu sobrinho/afilhadinho Davi. E estou procurando tornar este espaço mais bem elaborado, então contratei uma empresa para refazer o layout, em breve espero ter mais tempo, mais conteúdo e mais qualidade neste espaço.






Estou também organizando uma grande festa de reencontro das pessoas que estudaram comigo da 5a à 8a série em Guarapuava. Alguns ex professores também foram convidados. Ocorrerá neste sábado, dia 21 de abril. É tão bom rever os amigos, não é?! Neste sentido, ter vivido em cidade pequena faz toda a diferença, a gente ganha amigos para a vida toda e sempre que possível, os revê. Até agora temos 61 pessoas confirmadas, então estou empolgadíssima. Contratamos um DJ para tocar músicas dos anos 80 e faremos uma decoração da época, Iniciaremos com um coquetel somente para os ex alunos, seguido então de um delicioso jantar com as famílias reunidas, afinal estamos curiosos para conhecer esposos e filhos de nossos colegas/amigos. 




Por hoje é só... mas deixarei você com alguns pensamentos interessantes sobre a vida, especialmente sobre mudanças e ciclos:



Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente.
Érico Veríssimo





A Idade de Ser Feliz

Existe somente uma idade para a gente ser feliz, 
somente uma época na vida de cada pessoa 
em que é possível sonhar e fazer planos 
e ter energia bastante para realizá-las 
a despeito de todas as dificuldades e obstáculos. 

Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente 
e desfrutar tudo com toda intensidade 
sem medo, nem culpa de sentir prazer. 

Fase dourada em que a gente pode criar 
e recriar a vida, 
a nossa própria imagem e semelhança 
e vestir-se com todas as cores 
e experimentar todos os sabores 
e entregar-se a todos os amores 
sem preconceito nem pudor. 

Tempo de entusiasmo e coragem 
em que todo o desafio é mais um convite à luta 
que a gente enfrenta com toda disposição 
de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO, 
e quantas vezes for preciso. 

Essa idade tão fugaz na vida da gente 
chama-se PRESENTE 
e tem a duração do instante que passa.
desconhecido





Temer o amor é temer a vida e os que temem a vida já estão meio mortos.
Bertrand Russell





A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.
Charles Chaplin




As pessoas entram em nossa vida por acaso, mas não é por acaso que elas permanecem.
Lilian Tonet




Canção do dia de sempre

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
Mário Quintana






Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito.
Machado de Assis





Cada novo amigo que ganhamos no decorrer da vida aperfeiçoa-nos e enriquece-nos, não tanto pelo que nos dá, mas pelo que nos revela de nós mesmos.
Miguel Unamuno





Os homens dizem que a vida é curta, e eu vejo que eles se esforçam para a tornar assim.
Jean Jacques Rousseau




Da Perfeição da Vida 
Por que prender a vida em conceitos e normas? 
O Belo e o Feio... O Bom e o Mau... Dor e Prazer... 
Tudo, afinal, são formas 
E não degraus do Ser!
Mário Quintana






O medo faz parte da vida da gente. Algumas pessoas não sabem como enfrentá-lo, outras - acho que estou entre elas - aprendem a conviver com ele e o encaram não como uma coisa negativa, mas como um sentimento de autopreservação.
Ayrton Senna






A vida é para nós o que concebemos dela. Para o rústico cujo campo lhe é tudo, esse campo é um império. Para o César cujo império lhe ainda é pouco, esse império é um campo. O pobre possui um império; o grande possui um campo. Na verdade, não possuímos mais que as nossas próprias sensações; nelas, pois, que não no que elas vêem, temos que fundamentar a realidade da nossa vida.
Fernando Pessoa






Uma vida sem desafios não vale a pena ser vivida.
Sócrates




Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida.
Confúcio





Somente quando encontramos o amor, é que descobrimos o que nos faltava na vida.
John Ruskin





Não acrescente dias a sua vida, mas vida aos seus dias.
Harry Benjamin




Na vida todos temos um segredo inconfessável, um arrependimento irreversível, um sonho inalcançável e um amor inesquecível.
Diego Marchi





A vida tem a cor que você pinta.
Mário Bonatti














Quais mudanças/ciclos ocorreram em sua vida nos últimos 12 meses?


Até breve!


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