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20.6.12

289: Obrigada por insistir...





Olá!
Estava sentindo falta deste cantinho especial. Então hoje espero reservar mais tempo para ele e publicar reflexões que eu sinta orgulho. Então vamos lá...
Algo muito sério aconteceu nesta semana que passou. Uma de minhas melhores amigas (temos a mesma idade) foi diagnosticada com câncer e fará uma cirurgia para remoção de alguns órgãos.
Assim que ela viu o resultado dos exames e indicava nível 5, o mais avançado, ela me ligou e tivemos uma longa, positiva e significativa conversa.



E sabe o que aconteceu comigo?
Imediatamente passei a valorizar mais a vida.
E fiquei feliz com uma coisa: no momento mais difícil da vida dela, ela me procurou para apoio. 
Sinto que devo estar fazendo algo correto.
Ela é a atual namorada de meu ex marido americano.
Pode?
Eu sei... Muitos acham isso estranho, mas eu considero isso maturidade, pois o relacionamento com ele terminou, mas a amizade e carinho serão eternos e percebo que ela sabe disso e compreende.
Minha vida tomou um sentido ainda mais belo. Consegui acordar nos dias seguintes agradecendo mais à minha saúde, aos alimentos, ao ar, à vida, à minha casa, à minha família, à minha nova empresa, enfim... à tudo!


"Eu não TENHO QUE dar certo, portanto, não darei errado. Já sou o certo."
Luiz Gasparetto


Ultimamente tenho me ligado muito às filosofias e religiões asiáticas. Estou planejando uma viagem ainda este ano para a Tailândia, Índia e China. Quero ver se retorno às aulas de yoga. Enfim... Sei que quando a mente está serena, todo o restante também se aquieta e nossa vida passa a ter mais  harmonia, alegria, paz, amor e principalmente passa também a ter mais sentido e valor.

Precisamos fazer as pazes com todo o passado e assim nosso presente se ajeita e nosso futuro será o melhor possível. 


"Toda cicatriz que tenho me transformou em quem eu sou..."

E por falar em filosofias orientais, gosto muito da ideia dos chacras e do que eles significam. 

Na verdade são pontos energéticos em nosso corpo.
Achei este resumo abaixo bem interessante, então o compartilho com vocês.


I understand = eu compreendo
I see = eu vejo
I speak = eu falo
I love = eu amo
I do = eu faço
I feel = eu sinto
I am = eu sou



E para finalizar, um texto que eu amo.
E obrigada à todas as pessoas que estão na minha vida, pois direta ou indiretamente me colocam no "caminho" para buscar sempre a felicidade e a razão de viver.




OBRIGADO  POR  INSISTIR





"Até o mais seguro dos homens e a mais confiante das mulheres já passaram por um momento de hesitação, por dúvidas enormes e dúvidas mirins, que talvez nem merecessem ser chamadas de dúvidas, de tão pequenas. Vacilos, seria melhor dizer.
Devo ir a este jantar, mesmo sabendo que a dona da casa não me conhece bem?
Será que tiro o dinheiro do banco e invisto nesta loucura? Devo mandar um e-mail pedindo desculpas pela minha negligência?

Nesta hora, precisamos de um empurrãozinho. E é aos empurradores que dedico esta crônica, a todos aqueles que testemunham os titubeios alheios e dizem: vá em frente!

Obrigada por insistir para que eu pintasse, que eu escrevesse, que eu atuasse, obrigada por perceber em mim um talento que minha autocrítica jamais permitiria que se desenvolvesse.

Obrigada por insistir para que eu fosse visitar meu pai no hospital, eu não me perdoaria se não o tivesse visto e falado com ele uma última vez, eu não teria ido se continuasse sendo regida apenas pela minha teimosia e orgulho.

Obrigada por insistir para que eu conhecesse Veneza, do contrário eu ficaria para sempre fugindo de lugares turísticos e me considerando muito esperta, e com isso teria deixado de conhecer a cidade mais surreal e encantadora que meus olhos já viram.

Obrigada por insistir para que eu fizesse o exame, para que eu não fosse covarde diante das minhas fragilidades, só assim pude descobrir o que trago no corpo para tratá-lo a tempo. Não fosse por você, eu teria deixado este caroço crescer no meu pescoço e me engolir com medo e tudo.

Obrigada por insistir para eu voltar pra você, para eu deixar de ser adolescente e aceitar uma vida a dois, uma família, uma serenidade que eu não suspeitava.
Eu não sabia que amava tanto você e que havia lhe dado boas pistas sobre isso, como é que você soube antes de mim?

Obrigada por insistir para que eu deixasse você, para que eu fosse seguir minha vida, obrigada pela sua confiança de que seríamos melhores amigos do que amantes, eu estava presa a uma condição social que eu pensava que me favorecia, mas nada me favorece mais do que esta liberdade para a qual você, que me conhece melhor do que eu mesma, apresentou-me como saída.

Obrigada por insistir para que eu não fosse àquela festa, eu não teria agüentado ver os dois juntos, eu não teria aturado, eu não evitaria outro escândalo, obrigada por ficar segurando minha mão e ter trancado minha porta.

Obrigada por insistir para eu cortar o cabelo, obrigada por insistir para eu dançar com você, obrigada por insistir para eu voltar a estudar, obrigada por insistir para eu não tirar o bebê, obrigada por insistir para eu fazer aquele teste, obrigada por insistir para eu me tratar.

Em tempos em que quase ninguém se olha nos olhos, em que a maioria das pessoas pouco se interessa pelo que não lhe diz respeito, só mesmo agradecendo àqueles que percebem nossas descrenças, indecisões, suspeitas, tudo o que nos paralisa, e gastam um pouco da sua energia conosco, insistindo."

Martha Medeiros 



Até breve!!!

...


15.1.12

252: Intimidade



(Deixarei excepcionalmente "sem" nenhum pensamento. Que cada um crie o seu baseado na imagem.
Só sei que é linda e me inspira)

Olá!
Dia delicioso!
Comecei com de banho de sol, meditação e leitura.
Depois almocei na minha mãe. Ela fez um dos meus pratos favoritos. 
Conversei com a minha vozinha que talvez complete 93 anos no mês que vem e fiquei pensando como deve ser difícil para ela continuar vivendo. 
O que me tira da cama geralmente é uma "gana" de experimentar a vida, de saborear cada momento, de ter sonhos, planos, metas, mas procurar curtir ao máximo o agora.
Há tanta coisa que quero viver que esta vida será curta.
Mas e ela? Que já viveu e já sofreu tanto e que não sonha mais nada? 
Segundo a última consulta que ela fez, a saúde dela é perfeita e ainda vai viver muito. Mas ela não é feliz e ainda por cima é hipocondríaca e tem muito medo da morte. Viver assim vale a pena?


Eu nem tenho plano de saúde, pois não está nos meus planos adoecer, sempre tive uma saúde excelente e sei que só depende de mim que ela permaneça assim.
Na minha opinião só vale a pena viver mais se for com qualidade, sendo feliz! Quantidade e qualidade nem sempre andam juntas, né? 
Mas mudando de assunto, hoje tive uma surpresa muito agradável. Minha melhor amiga (Andrea Heller) veio hoje da Noruega para passar uns dias a trabalho aqui em Curitiba. Pretendo vê-la esta semana e curtir a sua presença tão especial em minha vida.
No mais, agora já é tarde, ontem escrevi bastante e ainda quero ver umas coisas que deixei gravadas na TV.
Mas antes de "ir" gostaria de dizer que estou sentindo, visualizando, programando uma semana bem especial para mim e como toda a felicidade é melhor sentida quando compartilhada, espero que a sua também seja bem especial!


E como eu não poderia deixar de falar sobre ele, aqui vai... O AMOR! Mais uma vez presente neste espaço.



INTIMIDADE

Martha Medeiros



Houve um tempo, crianças, em que a gente não falava de sexo como quem fala de um pedaço de torta. Ninguém dizia Fulano comeu Beltrana, assim, com essa vulgaridade. Nada disso. Fulano tinha dormido com ela. Era este o verbo. O que os dois tinham feito antes de dormir, ou ao acordar, ficava subentendido. A informação era esta, dormiram juntos, ponto. Mesmo que eles não tivessem pregado o olho nem por um instante.

Lembrei desta expressão ao assistir Encontros e Desencontros. No filme, Bill Murray e Scarlett Johansson fazem o papel de dois americanos que hospedam-se no mesmo hotel em Tóquio e têm em comum a insônia e o estranhamento: estão perdidos no fuso horário, na cultura, no idioma, e precisando com urgência encontrar a si mesmos. Cruzam-se no bar. Gostam-se. Ajudam-se. E acabam dormindo juntos. Dormindo mesmo. Zzzzzzzzzzz.

A cena mostra ambos deitados na mesma cama, vestidos, conversando, quando começam a apagar lentamente, vencidos pelo cansaço. Antes de sucumbir ao mundo dos sonhos, ele ainda tem o impulso de tocar nela, que está ao seu lado, em posição fetal. Pousa, então, a mão no pé dela, que está descalço. E assim ficam os dois, de olhos fechados, capturados pelo sono, numa intimidade raramente mostrada no cinema.

Hoje, se você perguntar para qualquer pré-adolescente o que significa se divertir, ele dirá que é beijar muito. Fazer campeonato de quem pega mais. Beijar quatro, sete, treze. Quebram o próprio recorde e voltam pra casa sentindo um vazio estúpido, porque continuam sem a menor idéia do que seja um encontro de verdade, reconhecer-se em outra pessoa, amar alguém instintivamente, sem planejamento. Estão todos perdidos em Tóquio.

Intimidade é coisa rara e prescinde de instruções. As revistas podem até fazer testes do tipo: “descubra se vocês são íntimos, marque um xis na resposta certa”, mas nem perca seu tempo, a intimidade não se presta a fórmulas, não está relacionada a tempo de convívio, é muito mais uma comunhão instantânea e inexplicável. Intimidade é você se sentir tão à vontade com outra pessoa como se estivesse sozinho. É não precisar contemporizar, atuar, seduzir. É conseguir ir pra cama sem escovar os dentes, é esquecer de fechar as janelas, é compartilhar com alguém um estado de inconsciência. Dormir juntos é muito mais íntimo que sexo.




Até amanhã!

...


14.12.11

237: EM CASO DE DESPRESSURIZAÇÃO



Olá!
Que dia produtivo! Fiz tantas coisas profissionalmente, estou me sentindo uma grande profissional. Foi um dia bastante raro, pois ao invés de sentir uma certa preocupação por esta nova área e um certo peso de responsabilidade, senti muito prazer. É indescritível a sensação que passamos a sentir quando paramos de resistir e deixamos o Universo "se desenrolar" naturalmente... tudo deu certo. Maravilha! 


Mas outra coisa que me chamou a atenção é que no final do dia acabei entrando em contato com uma velha amiga. Comentei que deveríamos marcar um almoço na semana que vem e ela respondeu:
- Estou de dieta! 
Como sou contra dietas, imediatamente comentei sobre o livro que amo nessa área: "Mulheres, comida e Deus" e ela perguntou logo em seguida: 
- E... Como está seu peso?


Encontrei alguém exatamente como eu, jamais aceito conselhos de quem não está e condições de comprovar as suas teorias. Nenhuma pessoa "muito fofinha" terá minha atenção sobre dicas de regime, e assim por diante, pois precisamos primeiro ser exemplo daquilo que queremos demonstrar. Pensando isso, achei este texto da minha "amiga" Martha Medeiros. Espero que goste, pois concordo plenamente com ela!



EM CASO DE DESPRESSURIZAÇÃO


Eu estava dentro de um avião, prestes a decolar, e pela milionésima vez na vida escutava a orientação da comissária: 

- Em caso de despressurização da cabine, máscaras cairão automaticamente à sua frente. Coloque primeiro a sua e só então auxilie quem estiver ao seu lado.

E a imagem no monitor mostrava justamente isso, uma mãe colocando a máscara no filho pequeno, estando ela já com a dela.

É uma imagem um pouco aflitiva, porque a tendência de todas as mães é primeiro salvar o filho e depois pensar em si mesma. Um instinto natural da fêmea que há em nós. 

Mas a orientação dentro dos aviões tem lógica: como poderíamos ajudar quem quer que seja estando desmaiadas, sufocadas, despressurizadas?

Isso vem ao encontro de algo que sempre defendi, por mais que pareça egoísmo: se quer colaborar com o mundo, comece por você.

Tem gente à beça fazendo discurso pela ordem e reclamando em nome dos outros, mas mantém a própria vida desarrumada. 

Trabalham naquilo que não gostam, não se esforçam para manter uma relação de amor prazerosa, não cuidam da própria saúde, não se interessam por cultura e informação e estão mais propensos a rosnar do que a aprender. 

Com a cabeça assim minada, vão passar que tipo de tranqüilidade adiante? Que espécie de exemplo? E vão reivindicar o quê?

Quer uma cidade mais limpa, comece pelo seu quarto, seu banheiro e seu jardim.

Quer mais justiça social, respeite os direitos da empregada que trabalha na sua casa.

Um trânsito menos violento, é simples: avalie como você mesmo dirige.

E uma vida melhor para todos? Pô, ajudaria bastante pôr um sorriso nesse rosto, encontrar soluções viáveis para seus problemas, dar uma melhorada em você mesmo.

Parece simplório, mas é apenas simples. 

Não sei se esse é o tal "segredo" que andou circulando pelos cinemas e sendo publicado em livro, mas o fato é que dar um jeito em si mesmo já é uma boa contribuição para salvar o mundo, essa missão heróica e tão bem intencionada.

Claro que não é preciso estar com a vida ganha para ser solidário. A experiência mostra que as pessoas que mais se sensibilizam com os dilemas alheios são aquelas que ainda têm muito a resolver na sua vida pessoal. 

Por outro lado, elas não praguejam, não gastam seu latim à toa: agem. A generosidade é seu oxigênio.

Tudo o que nos acontece é responsabilidade nossa, tanto a parte boa quanto a parte ruim da nossa história, salvo fatalidades do destino e abandonos sociais. 

E, mesmo entre os menos afortunados, há os que viram o jogo, ao contrário daqueles que apenas viram uns chatos. Portanto, fazer nossa parte é o mínimo que se espera.

Antes de falar mal da "Caras", pense se você mesmo não anda fazendo muita fofoca. Coloque sua camiseta pró-ecologia, mas antes lembre-se de não jogar lixo na rua e nem de usar o carro desnecessariamente. Reduza o desperdício na sua casa.

Uma coisa está relacionada com a outra: você e o universo. Quer mesmo salvá-lo? Analise seu próprio comportamento. 

Não se sinta culpado por pensar em si próprio. Cuide do seu espírito, do seu humor. Arrume seu cotidiano. Agora sim, estando quite consigo mesmo, vá em frente e mostre aos outros como se faz.


Martha Medeiros
O Globo: 07/10/2007



Até amanhã!

...


14.6.11

65: A massacrante felicidade dos outros...


"Ninguém é tão feio como na identidade, tão bonito como no Orkut, tão feliz quanto no Facebook, tão simpático como no Twitter, tão ausente como no skype e nem tão ocupado como no MSN."
Autor desconhecido

Olá!
Esses dias uma amiga do facebook publicou este pensamento acima e eu dei umas risadas. Até hoje procurei ser mais séria neste espaço, então decidi começar com uma frase mais divertida. Porém ao mesmo tempo acho que ela carrega uma verdade muito profunda: o julgamento que fazemos dos outros e as eternas e quase automáticas comparações. No fundo queremos saber como os outros estão, embora a razão disso possa não ser tão "bela".


"A curiosidade, instinto de complexidade infinita, leva por um lado a escutar atrás das portas e por outro a descobrir a América."

( Eça de Queiroz ) 


Atualmente muitas pessoas estão interconectadas através da internet e geralmente nos atualizamos quase que diariamente sobre nossos conhecidos. Por causa disso, mesmo que incoscientemente, nos comparamos também. Pior ainda, sinto que o primeiro objeto de análise acaba infelizmente sendo o aspecto físico. Quantas vezes percebi que meus conhecidos perguntavam por fotos atuais minhas, por que? Curiosidade apenas? Para ver se emagreci? Engordei? Envelheci? Estou me cuidando? Sou feliz? Tenho viajado? Estou comprometida? Se sim, com quem? Onde trabalho? Etc.


"Haverá ocupação pior do que a ocisidade?
Sim, a curiosidade inútil."

( Baltasar Gracian ) 





Acho esta curiosidade algo extremamente normal. O pensamento acima é muito radical. Querer saber parece fazer parte da natureza de todo ser humano. Mas há dois pontos que eu gostaria de chamar a atenção:





1) Não somos este corpo físico. Somos seres espirituais, eternos, temporariamente usando um uniforme físico transitório. Nenhum ser humano deveria ser classificado baseado em seu aspecto físico. Não importa quão belo, feio, alto, baixo, rico, pobre, gordo, magro, jovem ou velho seja. Devemos lembrar disso sempre que possível. Já existem muitas cobranças e comparações no mundo atual. Muito vivem uma exigência irracional na busca do corpo perfeito, querem estar na moda, ter "sucesso". Nada disso é algo verdadeiro, significativo e nem traz sentido para as nossas vidas.


Campanha da Dove: beleza real

2) Você não convive diretamente no lar de seus amigos, colegas e conhecidos, então não os julgue pelo que possam estar demonstrando na internet. Não importa o quão bem pareçam estar, a verdade é que podem estar usando um escudo para esconder o que na verdade sentem. Podem naturalmente estar tristes, chateados, inseguros, desanimados, preocupados, infelizes ou frustrados; mas muitas vezes não tem coragem de se abrir.


"Todos nós sofremos, mas o falar nos dá alívio. "
Voltaire


O mais interessante é que quando observo meus conhecidos (e faço isso sempre, confesso), acho que há ainda um terceiro ponto a ser analisado. O que me deixa um pouco chateada é quando alguns parecem reclamar o tempo todo de qualquer coisa. Parecem viver zangados. E olha só... Você percebe que eu (sem querer) estou julgando o comportamento deles também? Afinal sou adepta do pensamento positivo e penso que eles podem estar fazendo isso "de barriga cheia"; mas será que estão mesmo? Será que não é um pequeno desabafo escondendo algo maior que gostariam de expressar todos os dias mas não tem coragem?



"Hoje, não se sabe falar porque já não se sabe ouvir. "


( Jules Renard ) 


Não sei o que se passa exatamente na vida de todos os meus conhecidos. Desconfio dos que estão sempre bem ou sempre mal, pois todos temos desafios. O que sei é que a cada dia procuro oferecer um ombro amigo. Ninguém entra na nossa vida por acaso e sempre desejo poder ajudar, se estiver ao meu alcance. Quanto aos julgamentos antecipados, tento evitá-los sempre que possível, pois somente aquela pessoa pode saber porque está agindo assim. Só sei que aprendi uma coisa: a grama do vizinho não é mais verde não, a minha é maravilhosa, se eu estiver disposta a "olhar além" perceberei isso e sentirei uma profunda gratidão.


Curiosidade: verde é a minha cor favorita, amo a natureza! 


E agora deixarei uma mensagem fantástica, para dar continuidade a este mesmo tema:



"A massacrante felicidade dos outros..."


Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma. Estamos todos no mesmo barco. Há no ar um certo queixume sem razões muito claras.

Converso com mulheres que estão entre os 40 e 50 anos, todas com profissão, marido, filhos, saúde, e ainda assim elas trazem dentro delas um não-sei-o-quê perturbador, algo que as incomoda, mesmo estando tudo bem. De onde vem isso?

Anos atrás, a cantora Marina Lima compôs com o seu irmão, o poeta Antonio Cícero, uma música que dizia:
'Eu espero acontecimentos, só que quando anoitece, é festa no outro apartamento' .

Passei minha adolescência com esta sensação: a de que algo muito animado estava acontecendo em algum lugar para o qual eu não tinha convite.

É uma das características da  juventude: considerar-se deslocado e impedido de ser feliz como os outros são, ou aparentam ser. Só que chega uma hora em que é preciso deixar de ficar tão ligada na grama do vizinho.

As festas em outros apartamentos são fruto da nossa imaginação, que é infectada por falsos holofotes, falsos sorrisos e falsas notícias.

Os notáveis alardeiam muito suas vitórias, mas falam pouco das suas angústias, revelam pouco suas aflições, não dão bandeira das suas fraquezas, então fica parecendo que todos estão comemorando grandes paixões e fortunas, quando na verdade a festa lá fora não está tão animada assim.

Ao amadurecer, descobrimos que estamos todos no mesmo barco, com motivos pra dançar pela sala e também motivos pra se refugiar no escuro, alternadamente. Só que os motivos pra se refugiar no escuro raramente são divulgados pra consumo externo.

'Todos são belos, sexys, lúcidos, íntegros, ricos, sedutores, social e filosoficamente corretos. Parece que ninguém, nenhum deles, nunca levou porrada. Parece que todos têm sido campeões em tudo'.

Fernando Pessoa também já se sentiu abafado pela perfeição alheia, e olha que na época em que ele escreveu estes versos não havia esta overdose de revistas que há hoje, vendendo um mundo de faz-de-conta. Nesta era de exaltação de celebridades - reais e inventadas - fica difícil mesmo achar que a vida da gente tem graça. Mas tem.

Paz interior, amigos leais, nossas músicas, livros, fantasias, desilusões e recomeços, tudo isso vale ser incluído na nossa biografia. Ou será que é tão divertido passar dois dias na Ilha de Caras fotografando junto a todos os produtos dos patrocinadores? 

Compensa passar a vida comendo alface para ter o corpo que a profissão de modelo exige? 
Será tão gratificante ter um paparazzo na sua cola cada vez que você sai de casa? Será bom só sair de casa com alguém todo tempo na sua cola a título de segurança? 


Estarão mesmo todas essas pessoas realizando um milhão de coisas interessantes enquanto só você está em casa, lendo, desenhando, ouvindo música, vendo seu time jogar, escrevendo, tomando seu uisquinho?


Tenha certeza que as melhores festas acontecem sempre dentro do nosso próprio apartamento.


(Martha Medeiros, gaúcha, 49 anos, Jornalista e Poeta) 


"Em vão procuramos a verdadeira felicidade fora de nós, se não possuímos a sua fonte dentro de nós."
(Marquês de Maricá)



PS.: A massacrante felicidade dos outros pode ser uma utopia e a sua a mais pura realidade, você não acha? Pense nisso!

...





19.4.11

Minha nova visão de Deus


"Hoje sei que dá pra renascer várias vezes nessa mesma vida. 
Basta desaprender o receio de mudar!"
Marta Medeiros



Aperte o cinto e embarque comigo numa das minhas internalizações mais profundas. 
Tocarei num assunto muito polêmico: "Deus".
Novamente refleti bastante e tive alguns importantes insights.



Sempre fui um pouco "filósofa".
Não porque tenha feito grandes descobertas ou criado um novo movimento filosófico, mas porque sempre quis saber o porquê das coisas.


Por esta razão, escrever aqui tem sido um exercício agradável e necessário pra mim.
Minhas reflexões acabam sendo exatamente aquilo que eu preciso mais rever, ponderar e na maior parte dos casos, aprimorar.


Certa vez uma conhecida me perguntou se eu não tinha problemas, pois aparentava estar sempre feliz e sorrindo.
Esta é a impressão dos vizinhos e porteiros do meu prédio, além de muitos conhecidos.
Mal sabem eles que às vezes estou deprimida, furiosa, magoada ou frustrada, assim como todos.


Às vezes acho que penso demais. Talvez eu esteja desperdiçando muitos momentos sagrados do agora remoendo certas questões existenciais. 
Geralmente este comportamento é mais forte do que eu. Porém, existe algo que procuro fazer sempre: cumprimentar à todos com um sorriso.
Mesmo que internamente meu sentimento não seja compatível.


O que me faz refletir tanto sobre a vida, em parte tem sua origem em algo que me acompanha desde criança, esta busca pela excelência em termos de comportamento. No fundo eu gostaria de ser "perfeita" em tudo.
Será que estou sozinha nesta busca insensata?
Existem outras pessoas buscando este ideal?
Se sim, por que buscamos algo impossível?


Esta busca é irreal, racionalmente eu sei. 
Certa vez aprendi numa palestra: não busque ser perfeito, bisque ser excelente, pois nas raras vezes em que errar, mesmo assim sentirá satisfação pois a excelência pode ser obtida e admite erros de vez em quando.
Noutra palestra ouvi: feito é melhor que perfeito.
Dois pensamentos bem interessantes, preciso internalizá-los.
Desejo sempre ir dormir com a sensação de que foi um dia bom, produtivo, de que aprimorei a minha personalidade, aprendi algo e fiz a diferença de modo positivo na vida de alguém.


Que meta impossível (e destrutiva), não?
Eu já "ouvi" claramente através de intuição a "voz de Deus" no primeiro dia deste blog me dizendo que já somos perfeitos em essência e que esta busca é irreal e desnecessária.
Então por que ainda sinto a necessidade de analisar cada ato meu com receio de que não estou fazendo o meu melhor?


De onde vem esta sensação?
De onde surge a culpa?
O desejo de superação?
Por que não consegui incorporar o que tenho aprendido 100% em minha vida ainda?
Por que sinto que aprendi tanto e às vezes pareço andar em círculos?
Por que me cobro tanto?
Por que tenho dificuldade em aceitar todas as minhas características positivas e negativas se ninguém é perfeito e nem deveria ser?


Assim que lanço novamente as perguntas, o universo me responde:
Inconscientemente você imagina que esta cobrança venha de Deus, porém "Ele" não está te julgando, mas você está! 
Seu subconsciente ainda está repleto de informações que te prejudicam, muitas delas recebidas e levemente mal interpretadas pelas religiões tradicionais, pela mídia e pelos ensinamentos repassados pela família.


Quero me libertar desta meta (perfeição) que muitas vezes me sufoca, me prende, me limita.
Então vou descobrir a origem deste sofrimento.
Sinto que conseguirei "evoluir" nesta minha caminhada apenas se buscar as questões essenciais e suas raízes. 
Seria muito mais fácil pesquisar e colar um texto pronto da internet e elogiar sua autoria.
Ou comentar sobre qualquer notícia.
Falar sobre alguma fofoca da atualidade, um filme...
Mas o que está em jogo é a minha felicidade, a minha libertação e só eu posso resolver esta questão.


Quero mais, muito mais deste espaço. 
Espero viver uma vida com mais sentido, valor e felicidade. Sei que é possível.
Quero ser a autora da minha vida e isso requer um mergulho no meu conteúdo subconsciente encarando todos os meus "fantasmas". 
Pior ainda, requer que eu compartilhe meus conteúdos extremamente pessoais. Não é fácil, mas estou pronta.
Vamos lá...


Tenho estudado sobre várias religiões e filosofias, procuro ler sempre, estar aberta ao novo. 
Esta minha curiosidade é fruto da seguinte questão: 
No passado, não senti a comunhão com "Deus" como eu esperava, então diversifiquei a minha busca.
Quando criança, eu tinha muito medo dEle.


Como presente de primeira comunhão ganhei uma Bíblia em quadrinhos e ao abrir aleatoriamente a mesma, caí justamente na página com a tentação de Cristo.
Aquela imagem do diabo me assustou e me afastou temporariamente deste instrumento sagrado.


Mas a minha primeira comunhão também me impactou de outras maneiras, tanto positivas, como negativas.
Sei que cada pessoa obviamente terá uma experiência "própria" e que para muitos, foi um momento apenas positivo, mas para mim não foi e repito: quero ser autêntica neste blog.

Minha primeira comunhão, meu irmão Marcos e eu

Lembro quando fui fazer a minha primeira confissão.
Passei semanas me analisando e vendo todas as minhas "falhas e pecados".
Eu tinha que achar algo, afinal, era este o combinado.
E eles surgiram, os "pecados" estavam expostos: não gostava de acordar cedo, tinha preguiça de estudar, quebrei sem querer a porta do guarda roupas novo dos meus pais tentando descobrir onde estavam os presentes de natal, não queria ir à missa, demorava demais no banho, essas coisas.
Vistas hoje, estas coisas parecem uma grande piada, não?
Mas para uma criança, é muito sério. 
Compreendi que Deus queria que eu buscasse as minhas falhas...


Pior do que isso, Deus estaria vendo tudo e se eu não me comportasse como Ele esperava, pecaria e quando morresse iria direto para o inferno.
Calma... Eu repito: sei que foi uma interpretação minha, não estou julgando nenhum padre, professor de catequese que tive e muito menos a Bíblia. 


Sei que hoje as coisas evoluíram muito e muitos religiosos estão buscando mostrar uma nova visão de Deus, mais amigo e piedoso.
Mas não posso negar. Na minha cabeça infantil e despreparada, gravei esta verdade cruel em todas as camadas da minha mente: terei que passar o resto da minha vida vigiando meus atos, porque o resultado disso poderá ser uma eternidade no inferno e isso eu não queria pra mim. Resumindo: Então eu teria que ser "perfeita"!


A origem da minha busca pela perfeição foi finalmente desvendada!
Isso é maravilhoso!
Agora preciso limpar meu subconsciente, senão isso poderia me incomodar indefinidamente.
Preciso encontrar cada vez mais evidências deste Deus que eu estou redescobrindo e que é puro amor incondicional e sabedoria.
Internamente, já posso senti-lo!
Que sensação PERFEITA!



Como me sinto melhor em perceber que eu havia criado uma visão incorreta de Deus, um ser impiedoso, justiceiro e implacável.
Não é a toa que eu tivesse tanto medo.
Mais uma vez, reforço que usei o verbo no passado.
Pois hoje meu Deus é belo, carinhoso, amigo e próximo.
Ele sempre esteve comigo, eu é que não enxergava.
Ele não me cobra ter um comportamento perfeito, pois é impossível.
Era tão óbvio, mas o medo foi maior do que qualquer outro aprendizado.


Só para contar toda a história, referente à minha primeira comunhão, existem mais fatos relevantes.
Quando eu recebi a hóstia, achei que ao fechar os olhos para rezar, algo miraculoso iria acontecer.
Inspirada por Hollywood, eu achava que já que Deus abriu o mar para a passagem dos hebreus, algo espetacular aconteceria comigo também.


Charlton Heston no filme Os dez mandamentos


Na verdade eu achava que seria um momento sagrado para todo mundo. Imaginei que fosse aparecer uma pomba branca, um raio de luz dentro da igreja. 
Eu havia me confessado, estava purificada e queria sentir a comunhão como a presença dEle me dizendo claramente que eu estava agindo corretamente em minha vida e poderia ficar tranquila, pois ao morrer, iria para o céu.


Mas...
Não senti nada.
Absolutamente nada.
Minha mente "surtou" e eu achei que tinha esquecido de confessar algum pecado. 
Talvez eu tivesse pecado após a confissão e não estava mais purificada.
E agora???

Eu recebendo a hóstia

Ao terminar a cerimônia, fiquei com uma sensação de vazio. 
Algo estava faltando e eu não sabia o que era.
Então rezei em silêncio, pedi à Deus que Ele me enviasse um sinal de que estava comigo e que eu era uma "boa menina".
Imediatamente desci as escadas da igreja e ao olhar para o chão, havia um brilho intenso sendo refletido por um objeto.
Eu me abaixei e peguei este objeto em minhas mãos, era um lindo anel de ouro.
Eu não podia acreditar...
Seria um sinal ou apenas coincidência?


Mostrei à minha mãe e ela guardou e disse que procuraria o dono assim que possível.
Nós chegamos em casa e comentamos com todos para ficarmos atentos caso alguém dissesse que um conhecido havia perdido um anel na igreja naquele dia.
Alguns dias depois nossa ajudante ouviu no rádio que um médico estava procurando desesperadamente um anel. Pela descrição, era exatamente este!


Ele era o pai de uma amiga minha. 
E esta jóia havia sido um presente passado entre várias gerações de médicos da família.
Eu entrei em contato e a família dele foi imediatamente buscar a jóia lá em casa. 
Eles comentaram que ele não conseguia dormir há dias e estava muito triste. 
Lembro que ganhei uma recompensa.
Sei que para ele foi uma felicidade imensa.
E para mim também...


Olhando para trás, eu acho que foi um sinal!
Aliás, tive vários...
Mas continuarei com este tema amanhã.
Porém antes de ir, gostaria de lançar uma pergunta:
Você já recebeu algum sinal de Deus?



"Acho impossível que um indivíduo contemplando o céu possa dizer que não existe um Criador."
Abraham Lincoln.